Sabe aquela tarde em que o sol brilha, mas a luz parece diferente? Um dourado denso que projeta sombras longas. É aí que o "aperto" no peito me visita.
Por muito tempo, achei que era apenas uma melancolia sem nome. Aos 24 anos, entendi: eu sou parte da natureza, e ela está se preparando para mudar de roupa.
Fomos ensinadas a ser lineares, produzindo igual de janeiro a janeiro. Mas a verdade é que meu corpo não recebeu esse memorando da produtividade industrial.
O erro: tentei manter "folhas verdes" em pleno outono pessoal. Ignorei que o sol se põe mais cedo e forcei uma energia de verão que eu já não tinha.
Olhando pela janela, vi a árvore do jardim: ela não luta para segurar as folhas. Ela as deixa ir para sobreviver ao inverno. Entendi que eu precisava soltar também.
Respeitar o ciclo das estações dentro de nós não é luxo esotérico; é estratégia de sobrevivência. O outono é o intervalo necessário para a regeneração.
O desapego de hoje é o que permite a explosão da primavera amanhã. O que você precisa deixar "cair" na sua vida para conseguir descansar?