Dizem que somos o que comemos, mas eu desconfio que somos o que lemos. Aos 24 anos, descobri que um livro pode ser um "reset" de fábrica na alma.

Eu era a "leitora voraz" de vitrine. Lia para fugir da realidade ou para postar a foto perfeita. No fundo, minha mente era uma peneira cheia de informação e vazia de sabedoria.

O erro da maratona: Tentei ler 50 livros em um ano. Eu cronometrava o tempo, mas uma semana depois, nem lembrava o nome do protagonista. Eu estava desnutrida de sentido.

Até que um livro me deu um "clique". Fechei a última página e percebi: a Ada que abriu aquele livro três dias atrás não existia mais. Eu finalmente estava habitando o mundo com consciência.

Aprendi que um livro não serve para nos tirar da realidade, mas para nos dar as ferramentas para enfrentá-la. Ele mudou como vejo meu corpo e minhas prioridades.

Minha mente é um jardim e os livros são as sementes. Se eu plantar com pressa, terei um matagal. Se eu selecionar com carinho, terei um lugar onde vale a pena morar.

Hoje, aceito minhas prateleiras vazias. Elas não são falta; são espaço para crescer. Qual história reescreveu a sua hoje?