Minha mesa de cabeceira era um monumento à minha frustração. Livros comprados com empolgação que serviam apenas de apoio para o copo d’água. Eu me sentia um fracasso literário.
Eu via desafios de "50 livros por ano" e me culpava. Eu mal tinha tempo para lavar o cabelo com calma, como encaixaria horas de leitura? Ler virou mais uma tarefa pesada na lista.
O erro? Tentar ler como se fosse uma maratona. Eu reservava blocos de 2 horas à noite, mas meu cérebro já estava em modo de sobrevivência. Eu lia a mesma página 5 vezes sem absorver nada.
A grande virada foi entender que não precisava de disciplina sobre-humana, mas de um ajuste de arquitetura do dia. Abandonei a duração e foquei na frequência: 10 páginas por dia.
Comecei a ler nas "frestas" de tempo. No café da manhã, na fila do banco ou na espera de uma consulta. O livro passou a morar na minha bolsa, sempre à vista.
Aprendi a regra do desapego: se o livro não me "pegou" em 50 páginas, eu sigo em frente. A vida é curta demais para leituras que não nutrem a nossa alma.
Hoje, fechar a última página de um livro me traz um "glow" que não sai no banho. Ler é um ato de rebeldia e carinho com a própria mente. Você vem comigo nessa jornada?