Você já percebeu que a gente se acostuma a ver uma versão filtrada de nós mesmas até no espelho do banheiro? Eu, Ada, por muito tempo vivi uma relação de dependência com a minha base. Ela era minha armadura.

Eu achava que estava me cuidando, mas estava me escondendo de mim mesma. Eu já não sabia mais a cor real das minhas bochechas sem blush e achava qualquer manchinha um erro catastrófico.

O Erro: Numa fase de muito estresse, tentei cobrir espinhas com camadas e camadas de corretivo pesado para gravar vídeos. No final do dia, a pele estava três vezes pior, ardendo e descamando.

O Despertar: Percebi que estava tratando meu rosto como uma parede que precisava de massa corrida, e não como um órgão vivo que precisava de fôlego. Decidi passar 7 dias de rosto completamente limpo.

A Virada: No segundo dia, fui jantar com a minha família. A vontade de passar maquiagem foi gigante, mas resisti. Minha mãe me olhou e disse: "Sua pele está com um dourado tão bonito hoje, o que você fez?".

Aquele "dourado" não era maquiagem; era o resultado de deixar a pele respirar e de valorizar quem eu sou. Foi um momento de pura soberania e liberdade estética.

Passar sete dias de pele nua me ensinou que a perfeição é uma prisão muito sem graça. O luxo não é ter a base mais cara; o luxo é não precisar dela para se sentir poderosa.