Houve uma época em que o silêncio da minha própria casa me ensurdecia. Se eu não tivesse planos num sábado à noite, sentia um aperto no peito: eu me sentia "sobrando".

Eu ligava a TV só pelo ruído e rolava o feed por horas. Tinha medo do que encontraria se parasse de correr: pensamentos barulhentos e inseguranças não resolvidas.

A grande percepção: eu era uma ótima anfitriã para os outros, mas uma péssima companhia para mim mesma. Fazia jantares para amigos, mas comia em pé na cozinha sozinha.

Entendi a diferença vital: Solidão é um vazio que dói. Solitude é a glória de estar completa consigo mesma. É escolher a própria presença por prazer, não por falta de opção.

Venci a barreira do julgamento alheio. No cinema ou restaurante, percebi que ninguém estava me olhando com pena. O desconforto vinha da minha própria incapacidade de me bastar.

– Hoje, meu tempo sozinha é sagrado. Quando parei de fugir do silêncio, descobri que ele estava cheio de respostas que o barulho escondia. Minha mente finalmente se organizou.

Habitar o próprio silêncio é o maior ato de liberdade que uma mulher pode conquistar. Você já se deu a chance de conhecer a mulher incrível que você é quando ninguém está olhando?