Sabe aquele domingo em que você tenta limpar o armário e acaba sentada no chão, cercada por roupas que não servem mais e sentindo-se inadequada? Eu já estive lá.
Minha relação com o espelho era uma negociação constante: "Se eu esconder essa olheira ou apertar essa cintura, aí sim poderei ser vista". Eu vivia no "quase".
Eu achava que era vaidade, mas era uma estratégia de distração. Enquanto eu gastava horas tentando alcançar um padrão inalcançável, eu deixava de viver a minha vida real.
A virada veio com uma leitura que quebrou meu espelho mental. Percebi que minha obsessão não era sobre estética, era sobre controle. O padrão queria me manter ocupada com minhas "falhas".
Decidi encerrar a guerra. Aceitei a textura natural do meu cabelo e parei de lutar contra a minha própria natureza. A beleza soberana nasceu quando parei de pedir desculpas por existir.
Transformei meu banheiro — que antes era um laboratório de "consertos" — em um cantinho da beleza, um espaço de acolhimento e não de julgamento.
Hoje, vejo rugas como sinais de uma vida expressiva. Ser soberana é entender que seu corpo é seu veículo, não um ornamento impecável. Vamos caminhar juntas nessa liberdade?