– Você já sentiu que passa boa parte do tempo sendo plateia da vida dos outros enquanto a sua própria vida acontece no "mudo"? Eu, Ada, confesso: às vezes fico tão mergulhada nas telas que esqueço que o mundo não é feito de pixels.

Um dia, com a cabeça quase explodindo de tanto trabalho, fui para uma praça. Sentei na grama e fiquei apenas observando. À minha frente, um rio maravilhoso com patos deslizando e o som dos passarinhos cantando.

Mas aí, olhei para o lado. Havia um grupo de adolescentes. Eles tinham aquele cenário de cinema atrás deles, mas as costas estavam voltadas para o rio. Estavam repetindo movimentos para um vídeo de 15 segundos no TikTok.

Foi um choque! De um lado, a vida vibrante e gratuita. Do outro, uma bolha digital onde a realidade só ganha valor se for filtrada, editada e postada. Eu me perguntei: "Estou vivendo ou apenas produzindo provas de que estou viva?".

O Erro: Eu também já me peguei em restaurantes maravilhosos mais preocupada com o ângulo do prato do que com o sabor da comida. É um transe coletivo, uma dança frenética para uma tela que não nos devolve o olhar.

O Ajuste: Implementei a regra do "Sol Poente". Quando o sol baixa, o modo trabalho e as redes sociais também baixam. Deixo o celular em outro cômodo e voltei a ler livros físicos antes de dormir.

A vida de verdade acontece nos intervalos. Ela acontece quando a bateria acaba, o sinal cai e a gente finalmente abaixa o braço e olha para o lado. O brilho real não vem do ring light, mas de estar acordada para a vida!