Por muito tempo, vivi em "vigília produtiva". O notebook na sala, o celular na cabeceira e a luz azul das notificações como a última imagem antes de dormir.

Eu achava que estar disponível o tempo todo me tornava uma profissional melhor. A verdade? Só me tornou mais exausta e desconectada da minha própria essência.

A fronteira entre a "Ada profissional" e a "Ada que ama ler e cozinhar" tinha sumido. Eu sentia que cada minuto sem responder um e-mail era um minuto desperdiçado.

O erro foi transformar a casa toda em escritório. Meu cérebro não relaxava mais; ele gerava planilhas e listas de tarefas até no meio da noite, causando insônia.

Entendi que desligar o "modo trabalho" não é só fechar o notebook; é um processo psicológico de devolução do meu espaço para mim mesma.

Hoje, quando o sol se põe, eu mudo a iluminação da casa. Sinalizo para o meu sistema nervoso que o dia "produtivo" acabou e o dia "vivido" começou.

A Ada que descansa é muito mais criativa e inteira. O mundo não vai acabar se eu responder amanhã, mas a minha saúde pode se eu não parar agora. Você também sente esse peso?