Eu acreditava que 5 camadas de produtos antes de dormir eram prova de amor. Mas meu rosto parecia pesado, saturado e, ironicamente, cada vez mais sensível.
Num domingo de chuva, olhei para a prateleira lotada e decidi fazer algo radical: nada. Absolutamente nada. Apenas eu e minha barreira cutânea no silêncio.
O erro do "choque de beleza": lembrei da vez em que misturei esfoliante, Vitamina C e Retinol. Acordei com a pele "em chamas". Ali aprendi: a pele não é um campo de batalha.
– O jejum de 24 horas não foi preguiça, foi escuta. Descobri que a gente faz tanto barulho com frascos que esquece de ouvir o que a nossa biologia realmente precisa.
No vazio dos produtos, encontrei a cura. Deixei o manto ácido se reequilibrar sozinho. Sem maquiagem, sem filtros, apenas o vento no rosto em um piquenique analógico.
Minha alma simplificou junto com meu rosto. Parei de buscar uma perfeição plastificada para apreciar a pele que me habita, com suas marcas e histórias reais.
O brilho que eu tanto procurava em frascos de 200 reais estava no descanso. Aos 24 anos, aprendi que confiar no próprio corpo é o maior luxo de todos.