Meu diário não é bonito. Ele tem manchas de café e uma letra que, às vezes, nem eu entendo. Mas ele é meu maior luxo.
Eu achava que processar tudo na cabeça era sinal de "adulta evoluída". Mas pensar demais sem agir é como tentar organizar um furacão.
O papel aceita o que eu não tenho coragem de dizer em voz alta. Lá, não preciso ser a "Ada produtiva" ou a "Ada equilibrada". Posso apenas SER.
A grande virada? Quando escrevo, deixo de ser o sentimento e passo a ser a observadora dele. Criei a distância necessária para respirar.
No início, tive medo da folha em branco. Achei que precisava de frases profundas. Bobagem! O valor está na honestidade, não na caligrafia.
O diário virou meu mecanismo de sobrevivência. Ele tirou o ruído da mente e me deu a clareza para estabelecer minhas fronteiras.
Hoje, ele é meu espelho mais fiel. Não me traz respostas prontas, mas me dá coragem para fazer as perguntas difíceis. Vamos juntas encontrar essa voz?