Eu achava que fotos boas precisavam de clareza total. Minhas imagens pareciam registros de ocorrência policial: tudo nítido, mas sem alma.

O erro: eu tentava iluminar tudo. Ligava todas as luzes e usava flash. O resultado? Flores de plástico e o fundo bagunçado em evidência.

A virada de chave foi um vaso esquecido na penumbra. Uma fresta de sol batia apenas em uma flor. Ali, entendi: fotografar é escolher o que esconder.

Descobri a "geometria das sombras". A grade da janela virou estampa na parede; a cadeira virou arte abstrata no tapete.

Perdi o "arco-íris" de um cristal porque decidi terminar um e-mail antes de fotografar. Aprendi que a luz não espera; a Terra gira e a beleza é efêmera.

Minha casa não é um estúdio, mas a sombra é o meu "tapete": ela esconde os fios e a bagunça, deixando apenas o essencial brilhar.

Hoje, não preciso estar em Paris para ver arte. A beleza está na física da luz que entra pela janela da minha cozinha. E você, o que viu hoje?