Eu era a menina dos livros. Filas de banco, finais de semana... eu devorava histórias. Até que, sem perceber, meu cérebro foi sequestrado pelo vidro do celular.

Minha última visão do dia não era mais poesia, eram memes e notificações. Eu sentia minha concentração "vazando" pela tela.

O erro: achei que para voltar a ler eu precisava de livros "úteis" e densos às 23h. Só consegui cansar ainda mais minha mente exausta.

Percebi que a leitura técnica era trabalho, e ninguém quer trabalhar antes de dormir. Fiz as pazes com o entretenimento: a ficção virou minha cura.

No início, senti a "coceira" mental. Meu cérebro pedia a velocidade do algoritmo, mas o papel exigia lentidão. Foi uma fisioterapia para o foco.

Trocar o vidro pelo papel me devolveu a posse da minha mente. No silêncio entre os parágrafos, finalmente voltei a ouvir meus próprios pensamentos.

Hoje, 20 páginas são meu santuário. Um lugar onde ninguém me rastreia ou me vende nada. Você também sente saudade de "sumir" dentro de uma história?