Cheguei à clareira e meu primeiro impulso foi fotografar. Onde não havia sinal, senti um vazio estranho. Minha alma pedia uma notificação.

O erro: achei que o desconforto passaria rápido. Mas minhas mãos buscavam o celular como se buscassem ar. Eu era escrava do hábito.

Decidi encarar o silêncio. Nos primeiros dez minutos, meu corpo protestou. Mas então, comecei a ouvir: o vento nas araucárias não era vazio, era música.

O silêncio da floresta é "alto". Ouvi meu coração batendo no mesmo ritmo das folhas. Percebi que a natureza preenche cada espaço que a tela deixou.

No segundo retiro, na praia, choveu. A frustração inicial virou paz. Aprendi que ser flexível vale mais do que um roteiro perfeito sob o sol.

Sem o "barulho" digital, ideias antigas se organizaram. Voltei com soluções para projetos que estavam travados há meses na minha mente.

Descobri que não ter tempo é apenas uma desculpa para não parar. O silêncio me devolveu a mim mesma. E você, quando foi a última vez que se ouviu?