Encontrei uma blusa antiga e o coração apertou. Não era saudade, era o medo de encarar quem eu sou hoje sem as roupas do passado.
Eu, Ada, percebi que guardamos tecidos e afetos para tentar controlar o tempo. Mas o tempo não aceita coleiras.
O desapego dói porque exige atualização. A gente mantém o que está "morto" por medo do vazio do novo.
Tive amizades que, como roupas curtas, apertavam meu crescimento. Eu fingia que estava tudo bem por medo da solidão.
Mas entendi que o espaço é limitado: se você não tira o que sufoca, não sobra oxigênio para o que liberta.
Deixar ir não é desprezo, é amor-próprio. É agradecer pelo ciclo que se fechou e abrir a janela da alma.
O espaço vazio não é ausência; é oportunidade. Hoje, sigo mais leve e pronta para o que realmente cabe em mim agora.