Como Organizo Minha Vida Sem Perfeição: Por Que a Minha ‘Bagunça’ Também é Criativa.

organizar sem perfeição

Organizar minha vida sem buscar perfeição pode soar contraditório, mas pra mim é libertador. Eu sou Ada, tenho 24 anos, e vim aqui compartilhar como abraço minhas imperfeições com muito carinho. A gente vive num mundo que grita pra ser perfeito: casa impecável, looks planejados, rotina de vídeo ensaiada. Mas sabe o que descobri na minha jornada? Que é na bagunça que moram as melhores histórias e as ideias mais criativas.

Minha jornada de aceitação

Lembro da primeira vez que senti essa pressão de ser perfeita: quando montei o meu escritório em casa. Queria que tudo combinasse, tudo bem no lugar: os livros arrumados por cor, o abajur certinho no centro da mesa, as almofadas alinhadas no sofá. Só que eu não sou assim naturalmente. Na prática, minha mesa sempre acabava cheia de anotações, esboços e xícaras de café espalhadas. Depois de algumas frustrações (e muita bagunça no processo), percebi que a minha criatividade florescia mais quando o cenário era livre e sem amarras, quase caótico. Foi desse jeito que surgiram meus melhores insights.

No começo, meu cérebro achava que nada ia funcionar. Eu me sentia tão sem rumo, sem saber por onde começar. Lembro de olhar para os livros meio abertos e listas de tarefas inacabadas e sentir um nó na garganta. Parecia que minha vida ia se transformar num caos total se eu não acertasse tudo de uma vez. Foi quando eu respirei fundo e percebi que não precisava ter todas as respostas naquele momento. Fiz questão de ser gentil comigo mesma, e ali algo mudou: senti menos pressão. Esse sentimento me abraçou com carinho. Comecei a criar playlists aleatórias e a rabiscar um quadro à tinta sem planejar. Foi aí que percebi: a bagunça não era inimiga, e sim aliada da minha inspiração.

Meu primeiro exemplo real: o ateliê inesperado

Em 2022, precisei reformar meu quarto. Em vez de contratar um profissional ou planejar cada detalhe, peguei algumas latas de tinta que tinham sobrado do aniversário da minha amiga (azul piscina, rosa choque e amarelo ouro) e comecei a pintar o quarto de qualquer jeito. No meio do processo, o chão ficou cheio de respingos coloridos, pincéis jogados pra cá e pra lá, caixas de livros empilhadas… Era um caos, mas foi nesse caos que nasceu o meu “ateliê improvisado”. Eu pintava um canto da parede, depois mudava de cor no outro canto, espalhando as tintas sem me preocupar em acertar as bordas. Cada cor me lembrava algo especial: o azul virou mar, o amarelo virou sol, o rosa virou um verão eterno. Mergulhava naquele processo como num sonho maluco: ideias e histórias pipocavam na minha cabeça a partir de cada mancha que eu criava. Até rimos quando pintamos um coração gigante, meio fora de forma, mas cheio de vida. Percebi ali que não precisava de um estúdio perfeito para ser produtiva. O mundo real é meio bagunçado e cheio de erros – e tá tudo bem. Essa experiência me deu confiança para não me culpar pelas minhas “falhas organizacionais”. Hoje, o meu quarto tem almofadas de cores diferentes e até paredes pintadas meio a dedo. Cada mancha de tinta é uma lembrança de que a vida segue e nos presenteia quando menos esperamos.

Descobrindo o valor da imperfeição

Eu descobri que a perfeição é só uma ilusão. Muitas vezes, em vez de arrumar cada detalhe da vida, eu deixo pequenos recados visuais espalhados: post-its coloridos na geladeira, canecas diferentes na mesa, um diário com rabiscos e desenhos. São lembretes que mostram quem eu sou de verdade, não aquela versão polida só pra rede social.

Meu segundo exemplo real: o caderno rabiscado

Outro dia, resolvi fazer um diário de estudos para me organizar. Comprei aquele caderninho fofo e comecei a escrever tudo certinho, linha por linha. Mas a cada erro que eu cometia, eu parava e dava risada. Então comecei a desenhar palitinhos e flores, a mudar as cores das canetas a cada página. Logo, o caderno certinho virou um diário cheio de rabiscos, adesivos de estrelinhas e colagens de fotos minhas sorrindo, com lembretes de ideias malucas espalhados. E adivinha? Aquele caderno bagunçado me ajudou tanto! Nele descobri planos de projetos novos e percebi coisas importantes sobre mim: por exemplo, um traço azul borrado parecia uma onda, me lembrando do desejo de aprender a surfar. Aquele caderno virou um mapa mental da minha vida, mostrando que até os erros são parte do processo – afinal, são eles que dão personalidade à nossa história.

Estratégias reais para organizar sem perfeição

Se tem uma coisa que aprendi, é que não precisa de soluções caras ou mágicas para lidar com a bagunça. Minhas dicas são práticas e cabem no bolso de qualquer um. Aqui vão algumas estratégias que uso no meu dia a dia:

  • Comece pequeno e vá testando: Em vez de querer dar um “tapa” na vida de uma vez, experimente mudanças pequenas. Por exemplo, arrume uma prateleira ou uma gaveta por dia, do jeito que der. Se um dia o quarto está um caos, tente guardar algumas roupas espalhadas. No outro, reorganize a mesa do jeito mais fácil que encontrar. Eu às vezes faço isso depois do jantar, meia-hora por vez. Sabe de uma coisa? Não precisa lutar contra o ciclo: tem dias que tudo vai bagunçar de novo e tudo bem. É um ciclo natural de energia e descanso, e não há culpa nisso – apenas reconhecer o ritmo do momento ajuda a seguir.

  • Lista de tarefas flexível: Em vez de listar 20 coisas pra fazer (e me culpar se não cumprir todas), faço uma lista de 3 a 5 itens por dia e marco com um X o que realmente fiz. E não guardo essa lista num aplicativo caro – uso post-its simples ou o app de notas do celular mesmo. Assim posso riscar, rabiscar e até rasgar o papel quando termino. Visualizar assim me deixa feliz. Se não terminar algo, não dói tanto. Uma tarefa deixa de ser “fracasso” e vira “tentativa concluída” que me prepara pro próximo dia de um jeito leve.

  • Espaço criativo ao alcance: Um cantinho especial para minhas ideias fez toda diferença. No meu caso, montei um “cantinho criativo” com o que eu tinha: uma mesinha velha da vovó, algumas plantas pra dar vida, e material de desenho espalhado sem muita ordem. Não precisei comprar nada caro. Esse canto bagunçadinho se tornou meu santuário de criatividade. Sempre que entro ali, mesmo no meio da desordem de papéis e pincéis, sinto vontade de inventar algo novo. Às vezes, só ajeito um pouquinho as coisas, mas só o fato de ter meu espaço já me inspira.

  • Use cores e combinações: Não tenha medo de misturar cores e estampas, tanto na decoração quanto na sua rotina. Eu adoro fazer listas com canetas de várias cores e colar post-its coloridos em forma de murais na parede. Às vezes, pego duas meias diferentes só pra zoar – transforma o comum em algo engraçado. Nos looks, um dia uso uma blusa cor-de-rosa choque e um chapéu neon; pode parecer estranho, mas me deixa feliz. Nas comidas, por exemplo, adoro ver uma torrada com geleia que escorre sem vergonha no prato: cada cor dessa mistura me faz pensar que a vida não precisa ser monocromática.

  • Reaproveite e transforme: Antes de comprar algo novo para organizar, veja se dá pra transformar o que você já tem. Aquele caixote de feira vira uma estante criativa para livros; um potinho velho vira porta-trecos. Eu já montei uma pequena estante empilhando caixas e fiz até um mural de inspirações com retalhos de tecido. Essas escolhas me divertem muito mais do que ir numa loja de design caro. A economia é bônus! E o resultado fica único e cheio de personalidade – do jeito que eu gosto.

  • Permita-se falhar e recomeçar: Deixe umas paredes com tinta escorrida? Pode. Projete várias ideias e desista de algumas? Pode. A vida real é assim. Quando um plano não dá certo, é só virar a página e começar outro. Eu mesma já planejei terminar um texto inteiro em um dia e não consegui. Respirei, voltei no outro dia e escrevi um capítulo de cada vez. No fim, meu livro (que ainda está inacabado) está cheio de rascunhos criativos, e me orgulho de cada palavra torta.

Cores, cenários e sensações

Viver sem perfeição também passa pela experiência sensorial: cheiros, cores e texturas do nosso dia a dia. Meu quarto é um bom exemplo: as paredes têm tinta descascada perto da porta porque “eu gosto assim”. Por favor, não julgue minha cortina laranja de estampa chevron – ela é feliz e me agrada toda manhã. Às vezes a gente esquece que as simples coisinhas criativas do cotidiano são parte do nosso jeito único de viver.

Quando entro nesse quarto, sinto calor humano. Tem cheiro de café (sempre deixo uma caneca na escrivaninha, geralmente com o coador porque café moído em casa é a minha assinatura matinal). No chão tem um tapete colorido que comprei num bazar, feito de retalhos: ele não combina com nada, mas combina com todas as minhas ideias. Esse mix de tonalidades meio imprevisível me inspira a pensar diferente.

Na cozinha, por exemplo, minha geladeira é um pequeno museu de memórias: fotos, bilhetes e até imãs de viagem de lojinhas locais. Ela parece bagunçada, mas é um mural da minha história. Quando encho aquele quadro branco de recados, posso até errar – rabiscar uma receita que não saiu muito boa ou planejar uma refeição que no fim não deu certo. Mas quando apago tudo e recomeço, não tem frustração; tem alegria no recomeço, porque aprendi a me permitir errar e, assim, acertar do meu jeitinho.

Transformando caos em oportunidade

Algo que me ajuda muito é mudar a perspectiva: ver o “caos” como um terreno fértil. Quando minha sala está cheia de livros e papéis espalhados, em vez de surtar eu vejo isso como uma feira de inspiração. Da última vez que sentei num canto do sofá bagunçado, li um trecho de um livro antigo que nem lembrava que existia. Foi daí que veio uma ideia de viagem louca para um lugar que eu sempre sonhei conhecer. Se tudo estivesse perfeitamente organizado, talvez eu nem tivesse encontrado esse livro esquecido. Curioso como a falta de ordem deixa espaço para o inesperado.

Outra situação real aconteceu na cozinha: eu estava com dificuldade pra cozinhar um jantar. Tinha legumes quase passados na geladeira e nada planejado no cardápio. Em vez de surtar, decidi improvisar: joguei tudo numa panela – cebola, cenoura, um pouco de leite de coco que estava sobrando, temperos aleatórios. Ficou um pouco diferente do planejado, mas sabe que ficou gostoso? Sério, ficou gostoso! Aquela receita improvisada se tornou o meu hit da noite e deu até pra anotar no meu caderno rabiscado. Foi pura transformação de caos em oportunidade deliciosa.

Cada vez que transformo algo errado em certo, lembro de você, leitora. Imagino você aí dando um jeito na vida com criatividade: como quando costura um remendo numa roupa ou inventa uma sobremesa só com o que tem em casa. Isso me faz pensar que nosso dia a dia é uma arte contemporânea chamada “sobrevivência criativa”, e você é artista sem nem saber. A cada passo torto, a gente cria obras únicas.

Meu terceiro exemplo real: o closet criativo

Minha relação com roupas sempre foi fora de padrão. Eu não sigo moda direitinho, gosto de inventar. Num dia qualquer, peguei uma saia florida meio fora de época e combinei com uma camisa listrada. Soou estranho, né? Mas a combinação ficou incrível: deu leveza com um toque de ousadia. E tudo isso em um dia que meu quarto estava uma bagunça – roupas jogadas no chão, sapatos empilhados. Eu podia ter escolhido algo mais comum, mas uma vozinha dizia “siga sua intuição” e eu acabei inventando um look único e criativo.

Hoje, toda vez que a bagunça do meu armário grita comigo, lembro desse episódio: não tem problema nenhum criar algo novo misturando peças inusitadas. E essa forma de pensar vale para as ideias também. Lembra daquele projeto que abandonei no meio do caminho? Ele acabou virando convite para outro: adapte, recicle, transforme. Não precisa ser perfeito, só sincero.

Mudando hábitos sem perder quem eu sou

Eu não mudei da noite pro dia. Ainda sinto às vezes aquela pontinha de ansiedade querendo tudo limpo e organizado. Mas aí eu lembro das vezes que me surpreendi no meio da bagunça. Agora minha resposta para a exigência de perfeição é compaixão comigo mesma. Me lembro sempre: “Tá tudo bem, garota.” E continuo, remexendo papéis em busca de algo novo.

Para não desanimar, estabeleci algumas atitudes simples:

  1. Aceitar ciclos de arrumação e bagunça: Tem horas que eu estou cheia de energia e faço uma limpa geral, capricho até. Outras vezes, simplesmente não dá, e aí a bagunça toma conta sem problema. É um ciclo natural. O importante é reconhecer o ritmo do momento e não brigar contra ele. Às vezes, quando terminei um grande projeto ou fiquei doente, não arrumo nada por dias – e tudo bem; era sinal de que eu precisava de pausa, não de esfregão.

  2. Diálogos com amigas: Uma vez comentei com uma amiga que odeio ver tudo bagunçado na minha mesa porque fico ansiosa. Ela disse que às vezes a bagunça indica que estamos ativas, vivas, fazendo mil coisas ao mesmo tempo. Isso me tranquilizou na hora. Já tive várias conversas sinceras com amigas sobre sentir-se culpada pela bagunça, e a gente sempre volta à mesma ideia: somos mulheres fortes tentando dar conta de tudo, e nossas mesas desarrumadas são troféus de esforço, não marcas de falha. Esse lembrete ficou marcado na minha memória depois de uma tarde de café com a Ju e me fortalece sempre que preciso lembrar disso.

  1. Gratidão pela vida real: Sempre que penso em limpar, lembro que por trás do caos há histórias vivas. A pilha de livros no canto? São os títulos que me inspiraram nos últimos meses. O caderno aberto no chão? Ele me fez rir ontem à noite. Até aquela caneca meio amassada? Já olhei pra ela umas três vezes hoje de manhã e brindei sozinha por estar aqui, vivendo tudo isso. Esse pequeno agradecimento à realidade em que estou me força a manter o equilíbrio entre mudança e aceitação.

  2. Celebrar os pequenos acertos: Cada coisinha que volta ao lugar, cada rascunho terminado, é motivo de comemoração. Eu sei que parece bobo, mas me dou um tapinha nas costas quando encontro aquele papel perdido ou termino um mini-projeto. Por mais simples que seja, já é um passo pra frente. Às vezes, no meio da confusão, eu até encontro um espacinho pra dançar enquanto espero a água do café ferver – um lembrete de que a vida também é festa, não só rotina séria.

Você sabe, gosto de imaginar você aí lendo essas linhas e sentindo aquela pontada de alívio. Eu escrevo aqui porque quero que você entenda: a bagunça também é seu lugar. Se olhar pra sua mesa agora e perceber um bocado de coisa fora do lugar, respire: ali estão suas múltiplas paixões, fragmentos dos seus dias. Um desenho no canto, um livro aberto, um caderno rabiscado… Cada pedacinho solto do seu dia é, no fundo, um rascunho de uma nova versão de você mesma.

Meu grande desejo é que você se sinta abraçada pelas minhas palavras, como se estivéssemos sentadas juntas, tomando aquele chá gostoso. E se puder, conte nos comentários qual pedacinho da sua bagunça já revelou algo especial sobre você. Vamos conversar! Ninguém precisa ser perfeita sozinha – a gente cresce junto quando compartilha o imperfeito e o criativo. 🙂

Organizar a vida sem perfeição não é só uma escolha prática: é um ato de amor próprio. Aprendi que a pressa de deixar tudo em ordem me deixa ansiosa, enquanto permitir que a bagunça exista me dá espaço para respirar, sonhar e criar. Cada respingo de tinta fora do lugar pode ser o ponto de partida de algo incrível. Cada pedacinho solto do seu dia tem potencial de recomeço e de descoberta.

Então, amiga leitora, lembre-se: você merece viver sem culpa por ser humana. Cada erro de planejamento, cada anotação atravessada, cada pilha no canto do quarto são pistas sobre quem você é de verdade. Às vezes, quando tudo parece desorganizado demais, é aí que surgem oportunidades incríveis — uma música que você canta enquanto limpa, uma história que nasce de uma foto esquecida, um novo amor ou até um recomeço inesperado quando você aceita uma rotina cheia de caos.

Não tenha pressa de arrumar, mas tenha curiosidade de descobrir. Deixe a bagunça contar sua história. E acima de tudo, seja gentil consigo mesma em meio a isso tudo.

Compartilhe aqui nos comentários: qual pedacinho da sua bagunça já revelou algo especial sobre você? Vamos celebrar juntas nossa jornada imperfeita e criativa! 🙂

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