O Dia em que Parei de me Comparar e Comecei a Viver Minha Própria História.

Às vezes, minha amiga leitora, a gente mulher brasileira se cobra demais, não é? A gente acorda pensando no trabalho, na faculdade, no crush e, de repente, lá está aquele pensamento insistente: “Queria ter o corpo dela, aquela confiança, aquele salário…” Eu já me senti assim tantas vezes! Eu passei boa parte da vida olhando para os outros – para amigas, influenciadoras, até mesmo para desconhecidas no Instagram – e pensando que estava faltando algo em mim. Até que, num dia comum, decidi dar um basta. Naquele dia, algo mudou de verdade. Eu entendi que tudo aquilo que vivemos é muito mais simples e verdadeiro do que os padrões que a sociedade tenta nos empurrar. E eu quero contar para você como aconteceu comigo, para que possamos juntas aprender a viver nossas próprias histórias, sem medo nem comparação.

Entendendo a Comparação

Eu sei que não estou sozinha nessa. Quando eu era mais nova, via minhas amigas usando aquelas peças de roupa maravilhosas que eu achava não combinar comigo. A cada festinha, a cada foto de viagem, me pegava pensando: “Poxa, queria ter o corpo dela” ou “Nossa, queria viajar tanto quanto ela”. A verdade é que, naquela época, eu ainda não entendia que aquilo que vemos nas redes sociais ou na vida alheia é só uma pequena parte da história.

Lembro de um domingo chuvoso na minha adolescência, sentada no meu quarto, vendo fotos de verão das minhas amigas na praia. Era inverno, e eu estava de pijama. Eu me sentia meio feia, meio triste, e perguntei para mim mesma: “Por que não tenho isso? Por que minhas pernas não são lisas como as da Júlia? Por que meu rosto não brilha como o da Camila na luz do sol?” Isso soava tão normal para mim naquela época… Até que um dia minha mãe me deu um puxão de orelha que ficou marcado. Ela disse: “Filha, a vida real não é só o filtro do Instagram, sabia? Cada corpo e cada pele tem sua beleza, e o que importa é o que você faz com o que tem.” Aquela conversa me fez pensar. Ainda assim, só fui parar de me comparar de verdade mais tarde. Antes disso, continuei naquela rotina: comparações constantes e cobrança sem fim.

Redes sociais versus realidade

Eu sei que você já passou por isso também. Parece que, ao abrir o Instagram, a vida das pessoas é feita de dias de sol, roupas lindas, corpos perfeitos e muita felicidade. Eu, por exemplo, tinha uma época em que olhava as fotos de comida na rede social e achava tudo tão maravilhoso – até que descobri que era só a parte bonita do dia da pessoa. Em casa, a situação pode ser bem diferente. Uma amiga que colocava fotos de férias incríveis me contou em segredo que, muitas vezes, ela passava frio, estava estressada com trabalho, mas nos registros tudo era sorrisão no pôr-do-sol. Foi aí que comecei a entender: não vale a pena me penalizar por não ter aquela perna fina ou aquele apartamento decorado do feed. A vida real é cheia de altos e baixos, de roupas amarrotadas e pizza no jantar quando o dia foi difícil. Isso faz parte, e está tudo bem.

Pressão social e padrões de beleza

Crescemos ouvindo que “mulher tem que ser magra, bonita, certinha”. Esses padrões fazem a gente tripudiar da própria imagem. Quando eu era adolescente, queria ter os cabelos lisos da minha colega de sala e o corpo da minha irmã mais velha (que praticava natação). Me obrigava a fazer dieta dura, a ficar horas na academia só para ter aquele biquíni do verão. Mas, sabe que no fundo aquilo era o que outra pessoa colocava na minha cabeça? Um padrão de beleza que nem era o meu ideal. Uma vez, numa conversa com minhas amigas, percebi que todas estavam tentando ser uma cópia da cópia daquilo que vendiam na internet. Era como se estivéssemos andando por aí usando fantasias que não nos representam de verdade. E foi aí que pensei: será que não estamos perdendo tempo precioso deixando de ser quem somos de verdade?

O Momento da Virada

Então, chega uma hora que cansa. Uma hora a gente fala: “Basta!”. No meu caso, esse momento foi simples, mas poderoso. Eu tinha acordado de manhã, coloquei uma música que adoro (uma bossa nova antiga que me faz sorrir) e comecei a me arrumar para sair. Peguei uma blusa verde que eu achava que não combinava comigo (sempre achei que meu tom de pele não encaixava com verde) e escolhi um batom vermelho vibrante – um que estava guardado há meses. Me olhei no espelho e pensei: “Por que não? Hoje eu vou usar essa blusa verde e esse batom vermelho só porque eu gostei deles”. Eu acabei me sentindo linda! Não era que a blusa me transformou magicamente, mas eu decidi deixar de lado aquela vozinha na cabeça que dizia “isso não é pra você”. E o mais bonito? Ninguém reparou em nada de diferente além do meu sorriso.

Lembro que, nesse mesmo dia, fui encontrar uma amiga para almoçar em um restaurante simples de bairro. Sabe, eu estava empolgada com minhas escolhas de roupa e maquiagem, me sentia autêntica. No caminho, passei por um espelho grande dentro de uma loja de roupas e, pela primeira vez em muito tempo, sorri para o meu reflexo como se quisesse agradecer a mim mesma: “Você está bonita do seu jeito.” Foi um suspiro de alívio, um sentimento de libertação. Eu não estava tentando impressionar ninguém, estava apenas sendo eu.

Outra vez, há poucos meses, tive uma experiência parecida. Estava planejando uma viagem e vendo fotos lindas de destinos exóticos. Eu pensei: “Nossa, queria tanto ter tempo e dinheiro para essas férias!” e me senti um pouco frustrada por não poder viajar igual àquela galera. Mas então lembrei da minha velha amiga, a gratidão. Resolvi fazer outra coisa: peguei meu celular e comecei a anotar as viagens do coração que eu já fiz. Aí me ocorreu: em uma viagem barata de fim de semana com família, eu aprendi a sentir o mar batendo nos pés e o vento no cabelo, algo simples que me marcou mais do que várias malas cheias de roupas caras em uma viagem internacional cheia de fotos. Contei para meu namorado como me sentia grata por aquele dia de pôr-do-sol na praia perto de casa. Naquele momento, me dei conta de que comparações com os outros só me faziam perder o valor das minhas próprias memórias.

Lições que Aprendi no Meu Caminho

Cada pequena decisão que fiz para me libertar da comparação me trouxe uma lição preciosa:

  • Somos todas únicas: Eu descobri que a partir do momento que parei de tentar caber num modelo pronto, comecei a ver o quanto era especial ser quem sou. Cada uma de nós tem um jeito único de sorrir, de gesticular, de combinar um colar com um vestido. Lembro da vez em que, correndo pela manhã no parque, percebi que havia pessoas de todos os tipos se exercitando: gordinhas, magrinhas, velhinhas, adolescentes. Cada uma com seu ritmo, cada uma espalhando algo lindo sem saber. Foi aí que pensei: “Uau, todas nós temos essa coragem, essa vontade de ser saudável e feliz – independente de padrão.”

  • A pressão vem da nossa cabeça: Eu aprendi, naquele jantar que tive com minha mãe, que muitas cobranças nós mesmas colocamos em nós. Não é a sociedade que quer nos ver tristes ou envergonhadas; ela quer produtos, likes e seguidores. Quando eu deixei de ligar pros comentários negativos e me foquei em como me sentia em relação a mim mesma, percebi que os medos de não ser o bastante eram criados por mim. Foi como largar uma mochila pesada. Por exemplo, há pouco tempo, eu estava ansiosa com um evento de trabalho e corri para fazer as unhas só para me sentir mais “arrumada”. Mas então pensei: “Não preciso mudar a mim mesma para os outros gostarem de mim. Vou de unhas simples mesmo, que está ótimo!” Saí linda com o meu jeito despenteado e no fim do dia percebi que nem todo mundo reparou nas unhas, mas no meu projeto e nas ideias que apresentei. O que importou foi eu como pessoa, não um detalhe superficial.

  • Aprender a gostar de mim é um processo diário: Eu não parei de me comparar da noite para o dia e virei outra pessoa automaticamente. Foi uma construção. Para isso, fiz pequenas práticas diárias. Uma delas foi a gratidão que mencionei: sempre que uma voz negativa dizia algo como “tadinha, está sozinha demais”, eu anotava três coisas boas no meu caderno. Depois de algumas semanas, não estava precisando voltar naquele caderno porque realmente comecei a me sentir mais plena. Eu percebi que quando me valorizo e reconheço minhas conquistas – mesmo as pequenas –, o sentimento de não ser suficiente diminui muito. Por exemplo, outro dia minha amiga blogueira me mostrou a foto de um look seu incrível. Antes, eu teria pensado “quero aquele corpo, aquela roupa”. Mas agora eu pensei “nossa, que legal, ela arrasou”. E, o mais importante, fiquei feliz por mim mesma quando usei aquela calça azul que adoro e me senti confiante – mesmo sem ser um “look de influencer”. Ninguém ligou, só eu vivi aquele momento.

Dicas Práticas para Você

Agora, vez ou outra, me perguntam: “Ada, como você conseguiu parar de se comparar e passar a se amar mais?”. Eu respondo com um sorriso: não tem fórmula mágica, mas vou compartilhar algumas coisas que me ajudaram muito. São atitudes bem simples, que você pode começar hoje mesmo, sem gastar nada ou fazer grandes sacrifícios:

  • Desconecte para se conectar: Se as redes sociais fazem você se sentir mal, não é culpa sua – é do algoritmo! Então, que tal fazer um detox? Para mim, esse truque funcionou muito. Eu passei a deixar o telefone de lado quando acordava. Em vez de ver stories de madrugada, aproveitava para ler um livro, conversar com minha mãe ou simplesmente tomar café da manhã me sentindo presente. Isso ajudou a não começar o dia me comparando com ninguém. A gente precisa viver a nossa rotina antes de ver a dos outros.

  • Faça um “upgrade” na playlist do coração: Deixe sua trilha sonora do dia mais alegre e motivadora. Uma vez, eu montei uma playlist com as músicas que me lembram momentos felizes com minhas amigas e com a família. Quando eu escuto essas músicas no banho ou arrumando o quarto, automaticamente me sinto mais confiante e com vontade de sorrir. Experimente criar a sua playlist com músicas que falem direto ao seu coração e toque-a sempre que precisar levantar o astral. Acredite: música boa te ajuda a sair do espelho crítico e entrar no mundo de sonhos que só você criou.

  • Lista de pequenas vitórias: Eu adoro manter um bloquinho ou um app de notas para listar uma pequena vitória do dia. Pode ser “Consegui acordar cedo” ou “Tomei meu café sem pressa” ou “Terminei aquele texto que estava pendente”. Anotar essas coisas faz a gente olhar pra vida de outra forma – cheia de conquistas reais, e não só metas inalcançáveis. Por exemplo, hoje cedo senti frio e quase voltei pra cama, mas segurei firme e me alonguei um pouco. Pra você pode ser um exemplo diferente: a vitória de hoje pode ser finalmente tirar quinze minutos para meditar ou arriscar aquela receita nova de pão de queijo. São detalhes simples, que ninguém vê além de você, mas que contam muito.

  • Rodeie-se de gente de verdade: Passe tempo com pessoas que te conhecem como você é, que dizem “Você está linda” de coração quando você coloca uma roupa qualquer, que não te pressionam pra mudar nada. Essas pessoas, quando forem suas amigas mesmo, lembram você de tudo de bom que você tem. Eu fiz questão de ter umas amigas perto que, ao invés de competirem, vibravam umas pelas outras. Em um almoço com minha turma, uma amiga comentou: “Ada, você arrasou nesse look colorido hoje!” Isso pode parecer bobo, mas foi como um soldadinho me lembrando de que sim, eu estava ótima do meu jeitinho.

  • Vista o que te faz feliz: Se tem uma blusa colorida que você adora, use-a! Não fica reservando aquele vestido especial só para quando emagrecer 5kg. No dia da minha virada (aquele que contei, usei blusa verde com batom vermelho), eu estava cansada de guardar roupas “para depois”. Descobri que o “depois” pode nunca chegar se a gente vive se privando. Então, coloque aquela sua peça favorita agora e se olhe no espelho: sinta como você pode expressar seu humor ou criatividade através dela. É um passo simples para se lembrar de quem você é.

  • Pratique o espelho amigo: A cada dia, olhe no espelho e elogie uma parte de você. Pode ser seus dentes que são brancos como você sempre quis, ou seu sorriso, ou a cor dos seus olhos, ou até o jeito que seu cabelo ficou de certo jeito. Eu tinha vergonha de elogiar algo porque achava meio esquisito, mas me forçava a falar pelo menos um positivo. “Adorei meu cabelo hoje!” ou “Que bom que estou cuidando mais da minha pele” – isso ajuda muito a mudar o foco. Seu espelho é um amigo, não um inimigo. Naquele dia que acordei e coloquei batom vermelho, me elogiei pelo cochinho que fiz na metade da fronha, só de sentir orgulho de mim mesma naquela simplicidade.

  • Desafie os pensamentos negativos: Quando um pensamento crítico surgir (tipo “sou burra”, “não sou bonita”, “não sirvo pra isso”), desafie-o. Pergunte-se: “É real mesmo? O que de fato aconteceu para eu pensar assim?”. É incrível, mas muitas vezes esses pensamentos são automáticos e não são verdadeiros. Eu fazia isso: parava e pensava “Gata, quando foi que eu provei que não sirvo pra isso? Será que não estou sendo injusta comigo?” Normalmente, depois de um minuto de reflexão, eu lembrava de várias vezes que eu acertei. Colocar isso no papel ou dizer em voz alta muda tudo. É como ser sua melhor amiga por um minuto dentro da sua cabeça.

Vivendo a Própria História

Conforme você pratica essas coisas, algo mágico acontece: você percebe que ninguém pode escrever o roteiro da sua vida melhor do que você. De repente, entenda, as histórias das redes sociais continuam lá, mas elas ficam onde pertencem – na internet. A sua história real, a de verdade, é incrível do seu jeito. Eu comecei a enxergar minhas conquistas únicas: o dia em que vi minha nota de aprovação na faculdade e dei pulinhos, os domingos preguiçosos de filme com minha irmã, ou mesmo o dia em que consegui terminar uma corrida no parque sem parar. Cada detalhe do meu cotidiano, que eu antes julgava “sem graça”, hoje é parte fundamental da minha história.

Eu passei a ter orgulho das minhas cicatrizes – como aquela pequena marca no braço de quando me queimei com água quente cozinhando (foi num dia em que eu estava aprendendo a fazer o prato favorito da família e deu certo!), ou a ruguinha de sorriso que me acompanha sempre que dou muitas risadas. São registros da minha trajetória, do que vivi. E me fizeram lembrar que eu sou real, eu sou a protagonista da minha história, não uma coadjuvante invejando os outros.

Percebi, principalmente, que a única pessoa que realmente está contra nós somos nós mesmas. Aquelas vozes autocríticas, a insegurança, a falta de amor próprio – isso sim é que ficam no nosso caminho. O resto é só ruído externo. Quando a gente coloca um ponto final nessa autocrítica, começa a vida de outro jeito. Você vai dormir pensando no que pretende fazer no dia seguinte, no que vai vestir pela manhã (agora muito mais por gosto, não por vaidade imposta), nos amigos que quer encontrar, no livro novo que quer ler. Tudo muda porque seu foco sai de querer ser como alguém e vai para querer melhorar para você.

E sabe o que descobri de bom? Quando você vive do seu jeitinho, as coisas inesperadas começam a acontecer. Uma paixão antiga que nem lembrava liga para dizer que te acha corajosa; um projeto de trabalho ganha vida porque sua confiança chamou oportunidades; você percebe que andar na chuva sem casaco uma vez na vida não vai te matar de frio, mas pode te dar uma sensação maravilhosa de liberdade. Cada atitude autêntica vira um pequeno milagre de autocuidado. Eu mesma hoje flerteio mais, falo o que penso sem medo de ser julgado e aprendi a dançar sozinha na sala quando uma música me acerta o coração. E isso, amiga, é ser feliz do nosso jeito.

Então, querida leitora, eu quero que você saia daqui sabendo de uma coisa: você não precisa ter o corpo da outra, a casa da outra ou o amor da outra pra ser completa. Você já é única agora. Cada passo que eu dei para parar de me comparar me fez ganhar tempo precioso vivendo experiências próprias. E essas experiências, por mais simples que pareçam, são o que te definem de verdade. A vida não é igual para ninguém, e é nisso que mora a beleza.

Agora me conta: você já parou para pensar em quantas belezas e forças há dentro de você que ninguém mais tem? Quero muito saber: qual foi o momento em que você percebeu que poderia viver do seu jeito, deixando de olhar tanto para os outros? Compartilhe nos comentários! Vamos juntas criar um espaço de apoio e inspiração – porque aqui, cada uma de nós conta sua própria história. E eu, de coração aberto, estou animada para ouvir a sua.

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