A Comparação é a Doença do Século XXI
A gente vive num mundo onde se olhar para o lado e não se comparar parece impossível. Comparação é quase uma doença do século XXI! Hoje em dia, vejo meninas e mulheres se comparando o tempo todo. Isso virou rotina. Se você reparar bem ao seu redor, vai perceber o quão longe isso chegou. As redes sociais estão lotadas de imagens aparentemente perfeitas, carregadas de filtros e edições. O tempo todo entramos em contato com biquínis, barrigas chapadas e rostos iluminados. Tudo aquilo entra na nossa cabeça como se fosse normal. Mas adivinha? Não precisa ser a nossa regra, minha amiga.
Eu me lembro de um dia específico: era uma tarde quente de verão e eu estava deitada no sofá azul da sala, mexendo no Instagram. As fotos coloridas dos perfis mais populares pipocavam na tela uma atrás da outra. De repente eu vi uma garota sorrindo de biquíni numa praia de mar azul-turquesa, bronzeada e feliz. Senti um aperto no peito. Era como se me fizesse sentir pequena. Sabe aquela sensação estranha de achar que você não é suficiente? Pois é, eu também passava por isso.
Foi ali que eu decidi: nessa nossa conversa direta, eu quero acabar de uma vez por todas com essa comparação de corpo. Vou te mostrar como eu fui reescrevendo minha história para enxergar beleza em cada curva minha. Nada de dicas difíceis ou mágicas; tudo o que vou contar vem da minha vida real, do meu dia a dia, e as coisas que deram certo para mim podem dar certo para você também. Vamos juntas nessa jornada, combinado?
Minha História: Insatisfação e Comparação

O primeiro espelho assustador – Lembro bem de um episódio no colégio: era o primeiro dia de aula depois das férias de verão. Todo mundo voltou bronzeado, cabelos soltos, confiança lá em cima. E eu? Senti meu corpo diferente no espelho. Tinha colocado uns quilinhos nas férias de tanto comer com a família. Lembro que vesti um vestido amarelo com bolinhas brancas que eu adorava, mas ele ficou meio justo na barriga. O sol de fim de tarde entrou pela janela da sala e iluminava minhas curvas de um jeito que antes eu nem notava. No espelho do banheiro do colégio, eu vi uma Ada insegura que hesitou em sorrir. A luz branca do espelho destacava cada detalhe que eu odiava em mim. Foi ali que percebi o quanto eu estava sendo dura comigo mesma. Eu quase quis me esconder ali mesmo, mas respirei fundo e pensei: “Eu sou mais que esse vestido”.
O comentário na piscina – Anos depois, numa tarde de domingo, fui à piscina com minhas primas. Eu tinha escolhido aquele maiô azul-petróleo com listras brancas que eu adorava, combinando com o céu bem azul daquele dia. A piscina tinha um toboágua amarelo-banana e o piso de cimento em volta era pintado de verde-água. Enquanto deslizava na água fresca, notei algumas meninas do colégio olhando de longe. Quando saí da água, toda enrolada na minha canga rosa de flores, ouvi uma voz familiar — era uma menina da minha sala: “Nossa, você engordou, Ada? Olha a sua barriguinha!” Meu coração parou na hora. Levei um instante para entender aquelas palavras ditas em tom meio de brincadeira. Naquele momento, decidi que não deixaria aquilo destruir meu dia. Respirei fundo e olhei para mim no espelho do vestiário. Sorri para mim mesma e lembrei: meu corpo foi ao parque, à praia, ficou naquela piscina, foi feliz ali. Ele é mais que um número na fita métrica ou comentário besta de coleguinha.
O susto no shopping – Hoje, com 24 anos, aconteceu outra cena que eu jamais esquecerei. Fui encontrar uma amiga no shopping numa manhã ensolarada de primavera. Escolhi uma calça jeans azul clara e uma blusa listrada verde-clara com branco — queria sentir a cor daquele dia comigo. O shopping estava cheio: cheiro de pipoca doce no ar, música suave tocando ao fundo. Minha amiga olhou pra mim enquanto conversávamos, e meio preocupada soltou: “Êh, você andou comendo demais? Percebi que…” Eu senti um nó na garganta e deu vontade de chorar. Mas dessa vez foi diferente. Respirei fundo, segurei as lágrimas e respondi calmamente que eu estava bem. Foi ali, em frente à minha amiga, que percebi: era hora de mudar não o meu corpo, mas a forma como eu me via e falava comigo mesma. Eu estava cansada de dúvidas, de achar que cada pedacinho tinha de ser menor.
Cada uma dessas histórias virou um lembrete: minha insegurança sobre o corpo começou de coisas simples, mas estava enraizada em comparações. Eu ia deixar isso dominar a minha vida? Não mesmo. Foi aí que comecei a decidir mudar meus passos.
Decidindo Mudar: Meus Primeiros Passos

Depois de tantas conversas torturantes na minha cabeça e algumas lágrimas escondidas debaixo do chuveiro, chegou o dia em que cansei de entrar nessa brincadeira de comparação. Foi enquanto lavava o cabelo pensando em tudo isso que eu decidi: era hora de virar o jogo. Eu queria escrever um final diferente para a minha história. Foi assim que comecei a fazer pequenas mudanças práticas na minha rotina, sem pressa, mas com muito carinho comigo mesma.
Diário de Autoamor e Gratidão
No primeiro passo, abri um caderninho cor-de-rosa com flores na capa, escrito “Meu Diário de Amor Próprio”. Todos os dias pela manhã, eu reservava cinco minutinhos para escrever algo de bom sobre mim. Podia ser qualquer coisa: um sorriso que alguém elogiou, o jeito que meu cabelo caía no rosto, ou como meu narizinho arrebitado me fazia única. Uma vez, depois de uma corrida leve na praça com as árvores balançando ao vento, escrevi: “Amo como minhas pernas são resistentes quando elas me levam para onde eu quiser.” Aquele “Amo” foi um grande passo. Naquele exato momento, escrevendo aquilo, senti uma paz enorme.
Com o tempo, o diário virou um amigo silencioso. Havia dias em que eu até desenhava um sol para agradecer meu cabelo brilhante, ou um coração para dizer que amava meus olhos que sorriem. Cada página preenchida era um tijolinho novo de confiança sendo colocado — uma lembrança diária de que meu corpo me fazia feliz de maneiras simples. Eu comecei a perceber que, aos poucos, estava me dando o tipo de carinho que procurava fora. Era como se eu estivesse construindo um abrigo de amor-próprio dentro de mim.
Explorar Cores e Tecidos que me Fazem Feliz
Outro passo importante foi mudar o olhar sobre o meu guarda-roupa. Antes, eu sempre escolhia roupas escuras porque achava que assim ninguém veria minhas imperfeições. Mas percebi que isso só reforçava a insegurança. Resolvi testar cores e estampas que me fizessem brilhar por dentro. Experimentei usar um vestido amarelo mostarda num dia de festa no clube. Lembro como todas as luzes pareciam conspirar para me iluminar! Outro dia, escolhi um vestido rodado verde-menta florido, daqueles que giram e contam rodopios. Ele fazia cócegas na minha pele quando o vento passava. Notei como a roupa certa podia mudar meu humor naquele dia.
Lembro até de um dia comum em que usei um short jeans simples com uma blusa rosa de algodão macio. Caminhei pela casa como se estivesse desfilando numa passarela invisível, e no espelho eu percebi: meu queixo estava erguido, minha postura mais confiante. Coloquei também um par de sandálias douradas que eu achava divertidas. Parecia até que meus pés queriam dançar! Depois daquela manhã, entendi que vestir-se bem não era para os outros; era para a minha própria alegria. Cada peça de roupa passou a ser um abraço no meu corpo, um lembrete de que eu mereço conforto e cores que me façam feliz. Por exemplo, uma vez combinei aquela blusa laranja com uma saia rodada azul e um colar colorido só para testar algo diferente. Quando comecei a sorrir sozinha diante do espelho, percebi o poder que a roupa certa pode ter na nossa confiança.
Conversas Reais com Pessoas que Me Amam
Eu também entendi que essa mudança interna não aconteceria sozinha — precisava dividir isso com quem eu confiava. Chamei algumas amigas queridas para um café na minha casa. Fizemos biscoitos de chocolate fresquinhos, e tinha um cheiro gostoso de bolo no ar. Respirei fundo e contei para elas tudo o que eu sentia sobre comparação e insegurança. Para minha surpresa, cada uma delas disse que também enfrentava esses pensamentos às vezes. Rimos, choramos e nos abraçamos juntas, sentadas num círculo descontraído na varanda.
Uma delas contou sobre uma reunião importante no trabalho em que ela achava que não seria boa o suficiente, mas lembrou das suas qualidades e acabou surpreendendo os colegas. Outra falou de uma dança improvisada na sala de casa que ninguém viu, mas que a fez se sentir completamente viva. Uma delas até disse que, quando eu fiz aniversário, quase recusei elogios do bolo de aniversário e ela teve que me forçar a pensar coisas boas sobre mim naquele dia. Compartilhamos cada medo e cada conquista sem julgamentos. Aquelas conversas foram como um cobertor quentinho numa noite fria: me senti acolhida de verdade e percebi que a comparação perde força quando temos apoio de amigos que nos lembram nosso valor. Saí dali sabendo que não estava sozinha nessa; meu jeito de ser importava para outras pessoas também.
Dicas Práticas que Me Ajudaram

Desconecte-se um pouco: Se o Instagram, TikTok ou qualquer rede social só faz você se sentir pra baixo, dê um tempo. No começo foi difícil, eu deixei o celular de lado por algumas tardes. Troquei parte do tempo das redes por um livro de poesia colorido ou por uma caminhada no parque. Sentei num banco de madeira sob uma árvore e só ouvi o vento e os passarinhos. Li umas páginas de um livro com cheiro de café e sorri sozinha, sentindo parte do mundo real ao meu redor. Acredite: o barulho das folhas na calçada e das crianças brincando é infinitamente mais bonito e cheio de vida do que qualquer notificação no celular.
Liste 3 coisas boas do seu corpo por dia: Todo dia, apontava três pequenas coisas que eu gostava em mim. Pode ser desde o cabelo liso até as unhas bem-feitas. Eu começava até conversando com meu reflexo no espelho: “Adoro como meu cabelo fica soltinho depois da chuva.” No começo parecia até engraçado, mas, com o tempo, notei que esse simples exercício mudou meu jeito de pensar sem esforço. Às vezes eu deixava um bilhete no próprio espelho com alguma frase divertida como “Ei, guria, você arrasa!” só para começar o dia com um sorrisão. Essas frases foram empurrando para longe aquela voz crítica.
Use roupas que você ama: Não se prenda ao que os outros vão achar. Vista aquela blusa laranja que te dá ânimo, aquela saia florida que faz você querer girar sozinha em casa. A roupa tem o poder de ser um abraço no seu dia. Pense nela como uma armadura colorida contra a insegurança. Eu, por exemplo, sempre me senti mais eu mesma de vestido rodado ou blusa cor-de-rosa com bolinhas, do tipo que dava vontade de pular no ar. Assim, até quando a voz crítica aparecia, aquele conforto gostoso me lembrava que eu merecia ser feliz do jeito que sou. Por exemplo, eu já juntei uma blusa laranja vibrante, um casaco xadrez azul e um cachecol verde só para desafiar o espelho. Quando comecei a sorrir sozinha vendo o conjunto colorido, percebi que a roupa certa realmente pode mudar o nosso humor.
Mexa-se pelo prazer: Em vez de exercícios só para mudar o corpo, faça movimentos que você ama. Dançar na sala com sua música favorita sem ligar para mais nada é libertador. Pular corda, jogar bola com sobrinhos ou dar aquela volta de bicicleta no quarteirão são ótimas opções também. Eu, por exemplo, colocava minha playlist de verão animada e descalça no meu quarto rosa, girando e mexendo os braços como se fosse uma festa particular. A sensação de liberdade e alegria me fez valorizar cada parte do meu corpo: mexer-se virou diversão, não obrigação.
Fale com seu corpo como amiga: Quando se olhar no espelho, tente agradecer a cada parte dele. Comecei dizendo ‘obrigado’ às minhas pernas por me carregarem em trilhas e parques, aos meus braços pelas vezes que abracei quem amo. Em um dia qualquer, olhei para minhas mãos e agradeci por me permitirem escrever, desenhar e criar. No começo parecia estranho, mas fiz uma promessa: naquele espelho, só falaria coisas gentis sobre mim. Sabe de uma coisa? Aos poucos, aquele espelho que eu antes evitava passou a ser um aliado no meu caminho de aceitação.
Cerque-se de gente que te apoie: Afaste-se de comentários maldosos e de quem sempre compara seu corpo com o dos outros. Eu cansei de seguir celebridades e modelos que só mostravam corpos “perfeitos”. Em vez disso, passei a seguir meninas reais, com curvas, estrias, sorrisos genuínos e histórias honestas. Ler relatos delas me fez ver que cada mulher tem sua beleza única e vive altos e baixos. Eu percebi que não sou obrigada a seguir o padrão de ninguém, mas posso inspirar outras pessoas sendo fiel a mim mesma. Basta olhar para trás e ver o quanto já lutei por cada pedacinho do meu corpo: ele merece meu carinho, não meu julgamento.
Alimente-se para se sentir bem: Em vez de cair em dietas mirabolantes, passei a focar em refeições saudáveis e equilibradas. Incluí mais frutas, verduras coloridas e castanhas no meu dia a dia. Quando como coisas gostosas que me fazem bem, tenho mais disposição para brincar com crianças, caminhar no parque ou dançar pela casa. A comida deixou de ser punição e virou um carinho comigo mesma. Comer bem virou amor próprio — afinal, precisamos de energia para viver felizes em qualquer corpo.
Celebre cada conquista: Não precisa esperar uma grande mudança para se parabenizar. Cada passo que você dá merece comemoração. Conseguiu fechar aquela calça? Montou um look que adorou no espelho? Levantou da cama sorrindo em um dia difícil? Tudo isso merece aplausos! Eu comecei a mentalizar cada vez que me sentia bem com meu corpo, mesmo nos pequenos momentos, e percebi que temos muito a celebrar que não está ligado a peso ou número. Ganhar confiança é uma vitória diária.
Viver sem Comparação: Meu Segredo Diário

Toda vez que sinto aquela vozinha chata na minha cabeça comparando meu corpo, eu paro e me pergunto: “E se eu estivesse ouvindo uma amiga me dizendo isso?” Dessa forma, fico mais doce comigo mesma. Em seguida, deixo o pensamento ir embora e coloco um sorriso.
Nos dias ensolarados em que vou à praia, em vez de ficar preocupada com a forma, aproveito para sentir a areia quente nos meus pés e brincar de pular nas ondas verdes do mar. Sinto o cheiro de maresia e escuto as risadas dos amigos na beira. É como se a natureza inteira me convidasse a ser livre. Cada mergulho me lembra que meu corpo é forte e capaz de me levar para onde eu quiser, deixando para trás qualquer pensamento negativo. Às vezes fecho os olhos e respiro fundo, sentindo o sol e a brisa, e percebo que ali, naquele momento, cada célula minha só quer ser feliz, não ficar julgando.
Uma das minhas lembranças preferidas é de um fim de tarde alaranjado, caminhando de mãos dadas com minha mãe no parque perto de casa. As folhas secas estalavam sob nossos pés enquanto ela contava histórias da época em que também se comparava muito. Sentamos num banco de madeira sob um grande ipê amarelo florido, e ela me disse: “Ada, cada corpo tem sua própria história. O meu guarda as marcas de todos os sorrisos que dei, dos desafios que enfrentei e de cada gargalhada. E olha só como ele continua forte e lindo.” Aquelas palavras ficam comigo todo dia. Sempre que experimento uma roupa nova ou me olho no espelho agora, lembro daquela conversa debaixo do ipê e sei que meu corpo carrega uma história linda, cheia de cores, de vida e de amor próprio. Cada pequena marca em mim tem um motivo de existir e de ser celebrada.
A Jornada Continua
Olha, amiga, a verdade é que a comparação pode até bater na nossa porta de vez em quando, mesmo depois de todo esse esforço. Às vezes ela vem disfarçada em pensamentos rápidos: “Por que ela pode usar aquela roupa e eu não?” ou “Será que estou bonita hoje?”. E sabe de uma coisa? Tudo bem se esses pensamentos aparecerem. O que importa é como a gente escolhe responder. Eu escolhi usar palavras de amor em vez de crítica. Decidi que minhas curvas contam a história única de tudo o que vivi, e que cada marquinha tem um motivo de existir. Sou dona de mim, e é maravilhoso.
Quero lembrar você de algo muito importante: você não está sozinha nessa caminhada. Assim como eu estou escrevendo este texto pensando em você, eu sei que muitas outras mulheres têm as suas próprias crises no espelho e as suas vitórias silenciosas. Vamos parar de cobrar perfeição de nós mesmas. Em vez disso, que tal incentivar umas às outras? Se você também já passou por essa dificuldade ou alcançou um momento de aceitação, compartilhe nos comentários. Deixe sua história, ou mesmo uma palavra de carinho para outras mulheres que possam estar passando pelo mesmo. Cada palavra sua pode virar um abraço em quem precisa ouvir isso agora.
Nos comentários eu vou adorar ler suas experiências, suas descobertas e como você tem lutado contra a comparação. Juntas somos mais fortes, cada corpo é único e cada história importa. Um beijo com muito carinho e até a próxima conversa, amiga!





