Olá querida leitora, Me chamo Ada e já passei por dias em que tudo parecia correr ao contrário. Nas quintas e sextas da minha rotina, por exemplo, o cansaço emocional aparece logo que o sol começa a se pôr. Às vezes parece que, por mais que meu corpo peça descanso, minha mente não desliga e continua saltando de um pensamento para outro. Foi numa dessas noites agitadas que descobri o meu “chá da calma”: uma mistura simples que prepara o corpo e a mente para desacelerar antes de dormir. Nessa jornada, aprendi, errando e acertando, que às vezes basta um momento de cuidado para fechar o dia com um pouco mais de paz.
Não quero rodeios: vou direto ao que importa. Vou contar como e por que o chá de camomila, para mim, funciona como um verdadeiro sinalizador para desacelerar. Na minha rotina aprendi tanto sobre o potencial quanto os limites desse ritual noturno, e quero compartilhar tudo isso aqui.
Por que a camomila acalma o corpo e a mente

A camomila (Matricaria chamomilla) é um dos chás calmantes mais conhecidos. Há séculos diversas culturas a usam para relaxar ao fim do dia, e muitas famílias têm a tradição de tomar um chazinho antes de dormir ou de oferecê-lo a crianças agitadas. Isso ocorre porque ela contém compostos que ajudam muito nosso corpo a desacelerar. Um deles, a apigenina, age no cérebro de forma semelhante a substâncias que promovem relaxamento (algo parecido com o neurotransmissor GABA).
Em termos simples, a apigenina ajuda a acalmar os neurônios que estavam disparando muito rápido, dando uma sensação de tranquilidade de verdade.
Muitos estudos sugerem que o chá de camomila pode aliviar sintomas leves de ansiedade e facilitar um sono mais tranquilo. Na prática, senti que esse chá realmente cria um clima relaxante quando eu tomo antes de deitar, quase como se dissesse ao meu corpo: “já deu por hoje”.
Acho que minhas manhãs ficaram um pouco mais leves desde então. Além disso, a camomila também é conhecida por ajudar na digestão: às vezes tomo uma xícara depois de um jantar pesado e noto que meu estômago não fica tão estufado.
É claro que, mesmo natural, a camomila exige atenção: quem tem alergia a plantas da família das margaridas ou alguma condição de saúde particular deve consultar um especialista antes de fazer do chá um hábito diário.
O sabor suave e levemente adocicado da camomila também é um conforto: beber esse chá é um pequeno prazer que aquece o corpo e tranquiliza de dentro para fora. Esse gosto leve é como um abraço antes de dormir.
Minha quinta-feira estressante

Na última quinta-feira tive um daqueles dias em que tudo acumulou: prazos no trabalho, reuniões longas e cobranças sem fim. Cheguei em casa com a cabeça a mil, decisões para tomar e um nervosismo que teimava em não passar. Me senti sobrecarregada, listando mentalmente todas as tarefas atrasadas e sem saber por onde começar. Pensando em encontrar alívio rápido, preparei meu chá de camomila por volta das 22h, esperando sentar e me acalmar imediatamente. Mesmo assim, sentei no sofá mexendo no celular até altas horas e dormi tarde demais, acordando ainda cansada na sexta-feira.
Foi aí que percebi: não basta olhar o chá como se fosse um passe de mágica. Eu estava tomando ele tarde demais e distraída pelo celular. Aprendi do jeito difícil que o chá da calma só funciona bem quando o encaro como parte de um ritual tranquilo. Hoje procuro preparar o chá cerca de uma hora antes de dormir, em silêncio ou com uma música suave. Assim dou tempo para o corpo absorver o efeito calmante sem outras distrações. Foi assim, sem querer, que aquele chá se tornou meu sinal diário de cuidado no final do dia.
Trabalhar de casa complicou tudo, pois era fácil levar o estresse do dia para dentro de casa. Hoje, esse chá virou meu sinal de que é hora de fechar o notebook e deixar o resto para amanhã.
Hoje, mesmo nos dias mais agitados, só olhar para a xícara me lembra que chegou o momento de desacelerar.
Limites do chá da calma
Depois dessa quinta complicada, quis testar meu chá da calma em várias noites seguidas. No início até gostei da ideia de criar esse ritual diariamente, mas logo vi que o efeito mudava. Achei que, se tomasse todo dia, poderia matar o estresse acumulado da semana de uma vez só. Porém, notei que não é bem assim. Em dias especialmente difíceis, às vezes o chá relaxa só um pouco e ainda assim, preciso de outras medidas além dele. Por exemplo, numa sexta em que terminei uma semana corrida, o chá ajudou a acalmar, mas só depois de eu desligar as notificações do celular e apagar as luzes fortes.
Esse episódio me ensinou que o chá da camomila não é um remédio milagroso que resolve tudo sozinho. Ele faz parte do meu ritual, mas não substitui hábitos saudáveis como dormir cedo, respirar fundo ou fazer algo que eu goste antes de dormir. Hoje sei que o chá oferece um empurrãozinho de calma, mas que ainda depende de outros fatores no entorno. Com esse aprendizado, passei a valorizar mais o ritual em si do que a expectativa de um efeito instantâneo perfeito. Confesso que, mesmo sabendo desses limites, ainda sinto uma pontinha de esperança a cada gole quente — talvez seja apenas um apoio para a minha mente relaxar. Eu sei que não é um passe de mágica, mas fiquei feliz por ter encontrado algo tão simples que me dá um respiro mental no fim do dia.
Receita simples do meu chá da calma

Preparar o meu chá da calma é muito simples. Minha base sempre é camomila pura (uso sachê ou flor seca) e água filtrada. Para fazer uma xícara (cerca de 250 ml), eu costumo seguir estes passos:
Aqueça a água até quase ferver (cerca de 90°C). Não gosto de deixar ferver demais para a camomila não perder propriedades.
Desligue o fogo e coloque uma colher (chá) generosa de camomila na xícara ou bule.
Prefira usar sua xícara ou caneca favorita: segurar algo que você goste torna o ritual ainda mais aconchegante.
Tampe e deixe em infusão por 5 a 10 minutos, dependendo de como gosto do sabor mais suave ou mais concentrado.
Coe a camomila (se for o caso) e adoce a gosto. Eu geralmente prefiro um toque de mel ou açúcar mascavo, mas você pode experimentar sem nada também.
Eu mesma gosto de acender uma vela ou colocar uma música suave enquanto aguardo o chá ficar pronto. Esse ritual simples já me indica que a noite chegou: só de sentir o aroma floral o corpo entra no clima de relaxar. Cada gole se torna quase um pequeno ritual: respiro fundo e aprecio o calor no peito, deixando que a ansiedade se dissipe aos poucos. Enquanto aguardo a água ferver, sinto as mãos aquecendo contra a caneca e, sem perceber, começo a contar as pétalas de camomila no saquinho, deixando qualquer ansiedade se distrair. Até esse pequeno jogo mental ajuda a quebrar o ciclo de preocupação. Às vezes aproveito para colocar uma fatia de laranja ou um galhinho de hortelã dentro do chá, mas isso é apenas um complemento pessoal. Você pode variar adicionando um pedaço de gengibre ou um pau de canela, mas para mim a beleza está na simplicidade do chá puro. Por fim, procuro saborear cada gole de forma lenta: tomar o chá todo de uma vez seria perder parte dessa mágica de desacelerar.
Como incorporar o chá na rotina

Fazer o chá é só parte do ritual. Em alguns dias percebi que o verdadeiro problema não era o chá, mas a minha abordagem. Descobri que preparar um ambiente tranquilo e desligar as distrações faz até um gole já trazer um pouco de paz. Por isso, reuni algumas dicas que ajudam a tornar esse intervalo realmente acolhedor:
Reserve um horário fixo para esse ritual, por exemplo, após o jantar ou quando o relógio marca o fim do expediente. A previsibilidade ajuda o corpo a se preparar para relaxar.
Crie um ambiente agradável: deixe as luzes mais baixas, acenda uma vela ou coloque uma música suave. Sente-se em um lugar confortável e sem pressa.
Afaste as telas: desligue o celular ou deixe-o em outro cômodo. Sem notificações ou bate-papo, consigo focar apenas na hora presente do chá.
Tome o chá em temperatura agradável e em quantidade moderada. Um copo de água (cerca de 250 ml) costuma ser suficiente para mim; beber muito líquido perto da hora de dormir pode interromper o sono.
Use esse tempo para desacelerar a mente também. Posso ler um livro leve, escrever um pouco sobre o dia que passou, fazer uma breve meditação ou simples exercícios de respiração.
Seja flexível: nem todo dia será perfeito, e tudo bem. Nos dias em que não der para seguir à risca, pelo menos aproveite o chá por alguns minutos, ainda que seja apenas para inspirar e expirar profundamente.
Percebi que boa parte do relaxamento começa no próprio preparo: só esquentar a água, colocar a camomila e aguardar a infusão já dá tempo para a mente esvaziar um pouco antes de tomar o primeiro gole. Além do chá de camomila, já experimentei outras infusões conhecidas por seu efeito calmante. Tomei chá de hortelã, erva-cidreira e até blends diversos que prometiam relaxar, mas nenhum entrou tanto na minha rotina quanto a camomila. Percebi que, no fim das contas, o que faz diferença é o próprio ritual de desacelerar: pode ser com a bebida que você preferir, desde que haja um momento de autocuidado envolvido. Adapte tudo ao seu gosto — o essencial é ter esse tempo só seu para terminar o dia com mais tranquilidade. Acabei percebendo que, mais do que o chá em si, o verdadeiro segredo é tirar um tempo para cuidar de mim no fim do dia.
No fim das contas, o chá de camomila virou um aliado discreto na minha rotina noturna. Ele não resolve todos os problemas, mas definitivamente me ajuda mesmo a desacelerar e recuperar a paz que realmente preciso para dormir. Ele me lembrou que dedicar um tempo para cuidar de mim mesma no fim do dia faz uma grande diferença. Esse hábito me fez lembrar da importância de desacelerar voluntariamente ao fim do dia. Descansar bem não é sinal de preguiça, mas sim cuidar da saúde mental e do sono — assim posso acordar disposta no dia seguinte e enfrentar melhor as pequenas crises da rotina. Esse pequeno ritual me ajudou muito e espero que inspire você a desacelerar também. Acabou virando meu lembrete diário de que mereço uma trégua ao fim do dia, e isso faz toda a diferença.
E você? Que rituais simples adota para terminar o dia com mais calma e autocuidado? Comente aqui embaixo ou conte sua experiência — vou adorar saber como cada pessoa encontra o seu próprio momento de tranquilidade e autocuidado.





