Eu costumava medir meu sucesso diário pelo número de itens riscados na minha lista de tarefas. Havia uma satisfação quase física em ver uma agenda cheia de “checks”. Responder e-mails? Feito. Organizar pastas no Drive? Feito. Pesquisar referências para uma aula que só daria daqui a três meses? Feito.
Chegava ao final do dia exausta, com aquela sensação de ter corrido uma maratona mental. Mas, ao olhar para os meus grandes objetivos — lançar aquele curso novo, terminar a escrita de um material importante ou escalar meu negócio —, o progresso era nulo. Eu estava andando em círculos, muito rápido, mas sem sair do lugar.
Foi nesse momento de frustração que precisei encarar uma verdade dura: estar ocupada não é o mesmo que ser produtiva.
Olá querida leitora sou Ada e Neste artigo, quero compartilhar com você como saí desse ciclo vicioso adotando o que chamo de método ‘One Thing’ (Uma Única Coisa). Não é uma fórmula mágica que aprendi em um livro e nunca testei. É a estratégia crua e real que uso para garantir que, mesmo nos dias caóticos, o meu negócio e minha vida avancem na direção certa.
A Armadilha da “Produtividade de Manutenção”

Antes de falarmos sobre como focar, precisamos entender por que nos dispersamos.
Há alguns anos, eu vivia o que chamo de “Produtividade de Manutenção”. Eu acordava decidida a fazer meu projeto crescer. Mas, assim que abria o computador, meu cérebro buscava conforto. E onde está o conforto? Nas tarefas pequenas, fáceis e que oferecem recompensa imediata.
Eu lembro claramente de uma terça-feira. Eu tinha bloqueado a manhã inteira para escrever os roteiros de uma nova série de vídeos. Era a tarefa mais importante do mês. O que eu fiz?
Abri o e-mail “só para garantir que não havia emergências”.
Respondi três alunos.
Percebi que a planilha financeira precisava de uma atualização.
Decidi que precisava de um novo design para os slides antes de escrever o roteiro.
Quando dei por mim, era meio-dia. Eu tinha trabalhado quatro horas ininterruptas. Eu estava cansada. Mas o roteiro? A folha continuava em branco.
O Aprendizado: Eu estava usando tarefas periféricas para procrastinar a tarefa principal. O medo de enfrentar o trabalho difícil e criativo (o roteiro) me fez buscar refúgio em tarefas administrativas que, embora necessárias, não moviam o ponteiro do meu negócio.
A “Produtividade de Manutenção” mantém as luzes acesas, mas não constrói o futuro.
O Que Significa “Mover o Ponteiro”?

Mover o ponteiro refere-se àquelas atividades que geram um impacto desproporcional nos seus resultados. É o princípio de Pareto (80/20) levado ao extremo.
No meu contexto, e provavelmente no seu, “mover o ponteiro” geralmente envolve:
Criação de algo novo (que será um ativo no futuro).
Estratégia de vendas ou crescimento.
Resolver um gargalo que está travando todo o resto.
O método ‘One Thing’ não sugere que você fará apenas uma coisa o dia todo — isso seria utópico para quem tem boletos a pagar e filhos para criar. O método propõe que você identifique uma tarefa prioritária que, se concluída, tornará todas as outras mais fáceis ou desnecessárias. E essa tarefa deve ser executada antes de qualquer outra coisa.
Como Identificar a Sua ‘One Thing’
A maior dificuldade que vejo nos meus alunos (e que eu enfrentei) não é a falta de vontade de trabalhar, é a falta de clareza sobre o que é prioridade. Tudo parece urgente quando estamos no olho do furacão.
Para filtrar o ruído, eu uso uma pergunta norteadora todas as manhãs, adaptada do livro de Gary Keller, mas ajustada para minha realidade:
“Qual é a ÚNICA coisa que eu posso fazer agora que, ao fazê-la, fará com que eu me sinta satisfeita com meu dia, mesmo que o resto dê errado?”
O Teste da Ansiedade
Se a pergunta racional não funcionar, eu uso o meu “termômetro emocional”. Olhe para a sua lista de tarefas. Qual delas gera um leve frio na barriga? Qual delas você está “deixando para depois” há três dias?
Geralmente, a tarefa que você mais está evitando é a sua One Thing. Nós evitamos o que é importante porque o que é importante exige energia cognitiva, risco e vulnerabilidade. Responder e-mails é seguro; criar algo novo é arriscado.
A Batalha Matinal: Aplicando na Prática

Saber o conceito é fácil. A aplicação é onde a “mágica” (e o sofrimento) acontece. Vou compartilhar como estruturei minha rotina para garantir que a One Thing aconteça, baseada em muitas tentativas e erros.
1. A Decisão na Noite Anterior
Eu nunca deixo para decidir minha ‘One Thing’ na manhã do próprio dia. Se eu fizer isso, minha força de vontade já estará competindo com as notificações do celular e o cansaço de ter acordado. Antes de encerrar o trabalho hoje, eu defino a prioridade de amanhã. Escrevo em um post-it e colo no teclado do computador. É um compromisso visual.
2. O Bloco Intocável
Aprendi a duras penas que minha criatividade tem prazo de validade. Às 10h da manhã, sou um gênio; às 16h, sou um zumbi capaz apenas de responder mensagens curtas. Por isso, minha ‘One Thing’ acontece no primeiro horário possível.
Não abro e-mail.
Não abro redes sociais.
Celular fica em outro cômodo (modo não perturbe).
Lembro-me da primeira vez que fiz isso consistentemente por uma semana. A ansiedade de “estar perdendo algo” no WhatsApp era real. Meu dedo coçava para dar um Alt-Tab e checar o navegador. Tive que sentar com esse desconforto e continuar escrevendo. O resultado? Em uma semana, produzi mais material estratégico do que nos dois meses anteriores.
3. A Arte de Dizer “Agora Não”
Enquanto você foca na sua tarefa principal, o mundo continuará girando. Pessoas vão te chamar, urgências falsas vão aparecer. A autoridade sobre seu tempo vem da capacidade de dizer: “Eu vejo isso às 11h”. Eu criei “janelas de caos”. Eu me permito lidar com a burocracia, os e-mails e as dúvidas da equipe, mas apenas depois que minha ‘One Thing’ está garantida.
Quando a Vida Real Acontece (O Lado Humano)

Eu seria irresponsável se dissesse que isso funciona 100% dos dias com perfeição. Há dias em que minha mente sai do mundo real. Há dias em que a internet cai. Há dias em que acordo com uma enxaqueca que não me permite pensar estrategicamente.
E aqui entra a confiabilidade deste método: ele é resiliente.
Se hoje foi um caos absoluto e eu não consegui focar na minha tarefa principal, eu não jogo a toalha nem me culpo excessivamente. A culpa é um péssimo combustível para a produtividade. Eu apenas reseto.
Houve uma fase recente em que, por problemas pessoais, minha capacidade de foco estava reduzida a 30 minutos. Em vez de tentar forçar 4 horas de trabalho profundo e falhar, reduzi minha ‘One Thing’ para algo minúsculo.
Expectativa: Escrever um capítulo inteiro.
Ajuste Realista: Escrever dois parágrafos bons.
Ao ajustar a meta para a realidade do meu dia, mantive a consistência sem destruir minha saúde mental. O importante não é a velocidade, é a direção.
Por Que Isso Funciona? (A Neurociência Simplificada)
Quando completamos uma tarefa importante logo cedo, nosso cérebro libera dopamina — o neurotransmissor da recompensa e motivação. Isso cria um “momentum” positivo. Você passa o resto do dia com a sensação de dever cumprido. As urgências menores que surgem à tarde não te estressam tanto, porque o principal já está salvo.
Por outro lado, quando deixamos o principal para o final do dia, carregamos um “peso de fundo” na mente. Aquela voz sussurrando “você ainda precisa fazer aquilo…” drena sua bateria social e sua paciência. Fazer o difícil primeiro é um ato de gentileza com o seu “eu” do final do dia.
Menos Barulho, Mais Música
O método ‘One Thing’ mudou minha vida não porque me fez trabalhar mais, mas porque me permitiu trabalhar menos em coisas inúteis e mais no que constrói meu legado. Ele me tirou da rodinha do hamster e me colocou em uma estrada. Às vezes a estrada é íngreme, às vezes eu ando devagar, mas estou sempre indo para frente.
Se você se sente sobrecarregado hoje, meu convite é simples: pare de tentar fazer tudo. Escolha uma única coisa que, se realizada hoje, te fará dormir com um sorriso no rosto. E faça isso primeiro.
Gostaria de saber de você: Qual é a tarefa que você está evitando hoje, mas que sabe que mudaria seu jogo? Compartilhe nos comentários ou reflita silenciosamente. O primeiro passo é a honestidade.





