Hoje estou num momento da minha vida em que várias amigas vêm me perguntando: como consigo manter o foco tão inabalável? Vou ser sincera, certa vez eu mesma achava que café era meu combustível mágico. Toda manhã, ainda no escritório, eu preparava minha primeira xícara e pensava: “Aí sim! Agora vou conseguir trabalhar até o fim do expediente.” Mas, depois de tantos dias repetindo o ritual do café e vendo pouco resultado real, comecei a perceber que algo ali não fazia sentido. Por que, mesmo com cafeína no sistema, minha mente ainda divagava sobre o fim de semana ou os próximos capítulos da novela? Foi então que descobri um segredo: não era o café que me mantinha focada, era o meu ambiente de trabalho.
Ao longo desse artigo vou contar como cheguei a essa conclusão na minha própria rotina de escritório e, claro, no meu cantinho para escrever aqui no blog. Vou compartilhar histórias verdadeiras da minha vida — os erros que cometi, o que aprendi com eles e as mudanças práticas que fiz. Sem promessas de resultado milagroso, apenas lições reais. Assim, você poderá se inspirar e adaptar as ideias de acordo com a sua realidade. Vamos juntas!
O Engano do Café

Eu me lembro de um daqueles dias comuns no escritório em Curitiba: o relógio marcava 11h e eu já havia tomado três cafés fresquinhos. Ainda assim, a cabeça insistia em viajar. Eu me pegava pensando: será que só isso é a minha vida? A verdade é que, por muito tempo, pensei que a solução era mesmo beber mais café — afinal, todos dizem que é para isso que ele serve. Então eu bebia, uma xícara após a outra, com a esperança de que a concentração chegasse. Mas, na prática, percebi um efeito contrário: depois de uma certa dose, só ficava agitada, ansiosa e até com tremedeira. O café estava virando um vilão disfarçado de salvador.
Aos poucos, caí no erro de depender de estimulantes para trabalhar. E não foi nada fácil admitir isso. Até que um dia, depois de tomar de novo café às 15h e ainda assim me distrair com redes sociais, eu tive um estalo. Percebi que café sozinha não me dava produtividade verdadeira. O que de fato fazia diferença era o ambiente. Eu estava no mesmo local de sempre: luz fluorescente, colegas passando, conversas paralelas. Não havia foco nenhum naquele cenário.
Naquele momento, aprendi algo importante: o foco não vive na xícara. Se o ambiente não ajuda, a mente facilmente se dispersa, por mais café que eu tome. Meu erro foi querer mudar algo externo (a bebida) quando o problema estava no meu redor. Esse aprendizado virou a virada de jogo para mim.
O Desafio do Escritório

Eu trabalhava de CLT num escritório coletivo, sentada numa mesa cheia de papéis e de frente para uma parede sem janela. Olhando ao redor, via colegas indo e vindo, chiado de impressora e o telefone tocando. Era um ambiente funcional, mas pouco inspirador. Lembro de um dia em que precisei elaborar um relatório complexo: fechei a porta da sala de reuniões para tentar me isolar, mas a ansiedade ainda veio. No silêncio forçado, minha cabeça não parava de pensar em outras coisas. Acabei percebendo: mesmo quando tentava bloquear o barulho, o próprio ambiente me pedia mais estímulos.
Descobri que, paradoxalmente, ambientes extremamente silenciosos também não me ajudavam. Ficava olhando pro teto, imaginando coisas. Foi então que uma colega sugeriu algo curioso: “Já tentou um café tranquilo num coworking ou até em casa com um ruído baixinho?” Na hora quase revirei os olhos, mas resolvi tentar. Sair daquele espaço branco de sempre foi o primeiro passo. Saí do trabalho às 16h, peguei o caminho de casa e passei na casa da Alice, minha amiga, para conversar um pouco. Ali, sem a pressão do escritório, conversando e rindo até 18h, eu já me sentia mais leve.
Nesse intervalo, enquanto estávamos fazendo o mais puro colinho (risos) e falando sobre qualquer coisa, uma coisa ficou clara: estar em um ambiente diferente mudava meu humor e disposição. Saí dali pronta para chegar em casa e sentar no meu canto de blog — que, a propósito, é bem diferente daquela sala de escritório. Quando cheguei em casa, organizei meu espaço para escrever: liguei uma música instrumental baixinha, deixei apenas o computador ligado, com meu bloco de notas ao lado e nada mais que pudesse me distrair. Comecei a escrever para vocês sobre um tema profundo, exatamente como estou fazendo agora, e descobri que fluía. Estava focada como nunca, sem nem precisar daquele segundo café da tarde.
Isso me ensinou outra coisa: a gente vive em mundo digital cheio de distrações por qualquer custo. Se o ambiente não ajuda, a gente acaba procurando distrações: dá um Google rápido, abre Instagram, come uma bala. Eu mesma já fiz isso milhões de vezes. Naquele dia, porém, eu não senti vontade. Em vez disso, percebi que precisava perguntar para mim mesma: o que você realmente quer atingir? Quais sonhos ou projetos são importantes para você? Foi conversando com Alice e depois sozinha na minha mesa que vi: o fogo dentro de mim não havia apagado, e estava ali exatamente onde me sentava para escrever.








