O Fim da ‘Busca pelo Perfeito’: Como Aceitar o ‘Bom o Suficiente’ Me Deu Paz.

Se depender da Ada de alguns anos atrás, este texto talvez nunca existiria. Eu era escrava do perfeccionismo, com aquela vozinha na cabeça dizendo que só merecia começar algo se tivesse certeza de que tudo sairia perfeito. Eu procrastinava projetos, adiava planos e vivia frustrada por me sentir incapaz. Era uma cobrança constante que me consumia, sem me deixar aproveitar nada do que eu já tinha.

Eu procrastinava projetos, adiava planos e vivia frustrada por me sentir incapaz. Parecia que nada estava bom o bastante para mim. Era uma cobrança constante que me consumia, sem me deixar aproveitar nada do que eu já tinha.

Por exemplo, eu amava a ideia de criar um blog de receitas fáceis. Mas não fazia nada porque queria que tudo fosse impecável desde o primeiro post. Enquanto eu esperava o ambiente perfeito e o momento exato, o blog continuava vazio. Foi preciso aprender na marra que essa busca por perfeição me deixava longe de ter qualquer paz interior. Vou contar agora como entendi que o “bom o suficiente” me dá muito mais tranquilidade do que o perfeito jamais daria.

Como o perfeccionismo me paralisava

No meu dia a dia, a busca pelo perfeito era constante. Planejava um projeto inteiro na minha mente antes de dar o primeiro passo. Lembro de uma época em que queria muito lançar meu blog de receitas caseiras. Pesquisei cardápio e comprei câmera. Fantasiei um cenário, mas por medo de não acertar nada, acabei esperando o equipamento ideal e o momento certo. Passaram-se meses, e o blog ficava só no papel. Cada vez que abria o editor de texto ou ligava a câmera, a insegurança vinha: “não está perfeito”, “melhor esperar mais um pouco”. Então, eu fechava tudo e desistia mais uma vez.

Esse era o meu padrão: enquanto buscava o momento ideal para iniciar meus projetos, nunca chegava ao ponto de realmente agir. Era como esperar a chuva perfeita antes de regar a planta que eu já tinha em casa. O erro estava claro: eu não estava dando chance pra mim mesma aprender errando. Ficar no “vamos ver” impedia qualquer começo. Foi aí que percebi que, se eu continuasse assim, nunca ia crescer ou sentir que estava fazendo algo legal de verdade. Precisava quebrar esse ciclo, ainda que aos poucos.

Aprendi que eu precisava começar de algum jeito. Me comprometi a escrever um post simples sobre o arroz com feijão que minha avó ensinou. Não tinha as fotos profissionais nem um texto perfeito, mas tinha verdade. Quando cliquei em “publicar”, senti um alívio enorme. Não estava nem de longe perfeito – o título ficou meio estranho, a foto não estava ótima, mas, pra mim, foi o primeiro passo. Esse aprendizado me fez perceber: tudo tem um começo imperfeito, e tudo bem!

No próximo post, em vez de esperar tudo perfeito, decidi que iria melhorar conforme fosse praticando. Usei o blog como laboratório para aprender fazendo. E, surpresa: as visitas começaram a surgir mesmo com posts simples. A confiança cresceu. Entendi na prática: bom o suficiente já era algo a se celebrar, não apenas o resultado impecável.

Aprendendo a aceitar o imperfeito na cozinha (ou nas pequenas ações)

Outro exemplo que ilustra bem para mim essa lição está na cozinha, algo bem cotidiano. Eu sempre quis ser uma cozinheira incrível. Então, quando minha família veio almoçar aqui em casa, decidi preparar um prato especial. Pesquisei uma receita sofisticada (quase de restaurante), comprei ingredientes caros e tentei seguir cada passo milimetricamente. Afinal, em casa de mãe e pai, é preciso impressionar, certo?

No grande dia, na hora H, a coisa já começou a dar errado: esqueci de pré-aquecer o forno, o molho queimou um pouco, faltou um tempero. Eu entrei em desespero! Corri para improvisar, mas parecia que nada dava certo. Era tarde demais para o prato principal ficar digno, e eu comecei a entrar em pânico pensando em servir qualquer coisa. Foi quando minha mãe falou: “Calma, filha, estamos em casa. O importante é estarmos juntos. Se sair arroz e feijão, a gente se vira.” Aquele momento de “desespero” me mostrou algo importante: eu deixei de aproveitar o momento por acreditar que tinha que ser perfeito.

No fim das contas, o arroz e feijão simples que preparei foi suficiente para o almoço. Todos comeram felizes, sem grandes reclamações, e até acharam gostoso. Fiquei surpresa e respirei aliviada ao perceber que aquela refeição simples não arruinava nada. Minha mãe sempre dizia que o que importa é o carinho na comida, não a perfeição da receita, e naquele instante entendi por quê. Esse alívio me deixou mais leve para voltar a cozinhar no dia seguinte sem tanta pressão.

Desde então, sempre que sinto medo de errar em algo simples, lembro desse almoço. Se não está perfeito, que seja sincero. Às vezes substituo o prato elaborado por algo mais prático, só para poder participar sem tensão. O importante é curtir o processo (mesmo bagunçando a cozinha) e aprender com cada erro. Esse episódio me ensinou que abraçar o “bom o suficiente” me deixa mais leve, menos ansiosa. Não preciso provar nada para ninguém toda vez que cozinhar – especialmente aos meus próprios olhos!

Dicas para praticar o “bom o suficiente” no dia a dia

Colocar em prática essa ideia nem sempre é fácil, mas algumas atitudes ajudam bastante:

  • Comece de algum jeito: Em vez de esperar o momento perfeito, dê um passo hoje mesmo. Por exemplo, marque um horário na agenda e escreva um parágrafo ou organize um cantinho da casa que você vinha adiando. No meu caso, eu agendava 15 minutos no domingo para escrever algo simples no blog, sem pensar em deixar perfeito. Isso quebrou meu ciclo de espera e, aos poucos, eu fui melhorando na prática.

  • Divida em pequenos objetivos: Em vez de olhar todo o quadro, foque em partes menores. Quando comecei o blog, coloquei na meta diária só escrever um parágrafo, não editar o site inteiro. Celebrar cada pedacinho pronto me motivava a continuar, mesmo quando o resultado final não era incrível desde o início.

  • Aceite o erro como parte do processo: Todo mundo erra no começo. Na cozinha, queimei tantas coisas antes de aprender certas receitas! Agora eu vejo cada tropeço como uma aula gratuita. Quando você aceita que a falha ensina, fica menos pesado tentar algo novo.

  • Converse sobre seus medos: Falar sobre a pressão que sentimos pode aliviar o peso. Conte para alguém de confiança como você se sente às vezes. Eu descobri que dividir minhas inseguranças com uma amiga me deu coragem. Ela lembrou que é melhor publicar um rascunho do que deixar tudo no papel. Às vezes, só precisamos de um incentivo externo para entender que avançar, mesmo que devagar, já é excelente.

  • Foque no progresso, não na perfeição: Reconheça cada avanço. Se o capítulo do livro ficou meia-boca ou o prato foi diferente do planejado, ainda assim você avançou. No fim do dia, faça um balanço do que conquistou. Eu tiro um momento pra elogiar cada ação concluída, por menor que seja. Isso me faz continuar sem me cobrar demais depois.

  • Seja gentil consigo mesmo: Às vezes a autocobrança é feroz. Trate-se como trataria uma amiga: com compreensão e encorajamento, não com críticas. Lembrar disso me ajuda a ser paciente quando nada sai perfeito de primeira.

  • Reveja suas expectativas: Pergunte-se: esse nível de perfeição precisa mesmo ser padrão? Minha família sempre amou meu arroz com feijão caseiro; eu que achava que precisava ser a MasterChef toda vez. Reavaliar expectativas irreais já me livrou de muita ansiedade.

  • Reconheça suas conquistas: Anote pequenas vitórias do dia, mesmo que pareçam bobas. Eu aprendi que riscar tarefas simples da lista me dá uma sensação de avanço. Com isso, vi quantas coisas já estavam dando certo – e que cada coisinha pronta é motivo de comemoração. Cada progresso, por menor que seja, conta e me dá energia para o próximo passo.

Essas práticas não vão eliminar toda a ansiedade de uma hora para outra, mas transformam a relação com o próprio ritmo. Com o tempo, passei a ver que avançar devagar e constante é melhor do que esperar o momento perfeito.

Os benefícios de ser “bom o suficiente”

Falar que aceitar o “bom o suficiente” me deu paz não é exagero. Antes, eu não descansava nem via filme sem pensar em como podia fazer “mais e melhor” o tempo todo. Hoje, percebo que tenho muito mais tranquilidade para lidar com as coisas. Perd i aquela ansiedade constante. Durmo com a cabeça mais leve e dou risada das minhas falhas. Sei que aprendi muito com cada uma delas.

Também ganhei tempo e energia para outras coisas importantes. Como não gasto horas revisando cada detalhe de um texto ou receita, sobra momento pra dar risada com minha irmã vendo um filme, para cuidar do jardim ou até para ler um bom livro no fim de semana. Em vez de ficar remoendo o que ficou faltando, aprendi a cortar caminho quando posso e viver mais no presente.

Descobri que as pessoas valorizam meu esforço real. Quando publiquei o blog com textos não revisados, recebi elogios por trazer algo verdadeiro e feito com carinho. Quando servi aquele arroz com feijão sem frescuras, minha família percebeu o cuidado por trás do gesto – não se importaram se faltou um detalhe. Isso se repetiu em outras áreas: até no trabalho eu notei o mesmo. Certa vez, enviei um relatório apenas satisfatório em vez de ficar horas retocando números, e meu chefe me elogiou pela iniciativa e pelo resultado final. Naquele momento entendi que agir vale muito mais do que esperar um momento ideal que talvez nunca chegue.

Enfim, aprender a valorizar o “bom o suficiente” me trouxe mais paz porque me libertou da cobrança de “tudo perfeito”. Agora me sinto mais presente na minha própria vida, pois estou vivendo de verdade as experiências e aprendendo no caminho – e não presa a um ideal que só existia na minha cabeça. Tenho mais leveza e gratidão pelas pequenas conquistas diárias, e vejo que cada passo dado, por menor que seja, é um avanço real.

Talvez pareça simples de dizer, mas foi um processo real pra eu internalizar. Não foi uma mudança mágica: às vezes ainda aparece uma vozinha da Ada antiga querendo deixar tudo perfeito, mas hoje eu estou consciente para ouvi-la sem me sabotar. Com paciência e prática, cada pequeno passo imperfeito deu mais confiança para eu seguir. Agora, me sinto mais feliz e em paz sabendo que avançar, mesmo devagar, é muito mais valioso do que esperar pela perfeição.

E você, de que maneira o perfeccionismo tem atrapalhado sua vida? Já pensou em dar um passo imperfeito hoje mesmo? Se esse texto mexeu com você, compartilhe aqui nos comentários sua história ou experiência. Cada um tem seu tempo; o importante é continuar avançando, mesmo que devagar.

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