Um dia desses, conversando com minha melhor amiga Alice, ela soltou: “Ada, como as redes sociais dominaram tudo depois de 2019, tudo mudou!” Eu concordei imediatamente. Passamos horas falando sobre como a vida virtual nos força a buscar aprovação externa – aquele termômetro de curtidas e comentários que muitas vezes guia nosso humor. Na minha rotina, percebo que muita gente vive pelo aplauso alheio: postamos fotos esperando elogios e até nos sentimos perdidos quando o celular não vibra. Eu mesma já troquei momentos verdadeiros de felicidade por horas grudada no feed, esperando alguma manifestação de aprovação.
Nós – eu, a Alice e mais algumas amigas – temos um grupo no Instagram só pra duas coisas: rir de memes e aprender algo novo. É como se aquele cantinho online fosse só diversão e crescimento. Mesmo assim, do lado de fora da nossa conversa, via amigas lindas desesperadas por um “like” a mais, se comparando com fotos perfeitas de outras pessoas. Então, num desses dias de papo, soltei: “Amiga, acorda pra vida real! Desapega dessas redes por uns dias. Faz um teste: três dias sem Instagram, sem celular. Vai viver um pouquinho longe de tudo isso – só você e a vida real!” Nós rimos juntas e falamos: “É isso aí, amiga, viver é isso!”
A pressão por aprovação nas redes sociais

Hoje em dia, a gente vive imersa em redes que vendem a ideia de felicidade instantânea. Somos bombardeadas com fotos de corpos esculturais, viagens paradisíacas e momentos que parecem perfeitos. Inevitavelmente, nossos olhos caem numa estrada de comparação: “Por que aquela garota está com essa roupa incrível e eu não? O que os outros vão achar de mim?”. No meu dia a dia, esse hábito de buscar validação virtual gerava um vazio enorme. Quando recebo poucos likes num post, bate um frio na barriga e vem a sensação de fracasso. Foi aí que entendi algo importante: eu estava dando poder demais ao que os outros pensam.
o jejum das redes sociais e um novo olhar
Minha experiência com o “detox digital” virou um divisor de águas na minha vida. Eu achava que precisava de milhares de curtidas para me sentir viva. Quando entrei nessa zona, resolvi testar: fiquei três dias offline, sem Instagram nem Snapchat. No primeiro dia, senti medo de ter perdido algo importante. Fiquei ansiosa, admito, mas decidi não ceder. Fui para a praia pela manhã, sentei na areia com meu livro favorito, e foi incrível sentir o sol e o vento no rosto. Com o celular desligado, percebi quantos detalhes eu deixava passar: o cheiro do mar, o canto dos passarinhos e até o riso de uma criança distante.
No fim do terceiro dia, quando religuei o celular, havia algumas curtidas e comentários nas minhas fotos, mas eles tinham outro significado. Percebi que aquela janela virtual não definia quem eu sou. Foi como se eu apertasse um botão de pausa na minha busca por aprovação. Sem aquela necessidade de aplausos digitais, minha mente clareou. Ganhei tempo de verdade com minha família e amigos; passei a valorizar um sorriso real mais do que qualquer like. Essa experiência me ensinou que a vida existe muito além do scroll infinito.
Outro aprendizado: valorizando meu próprio caminho

Essa lição não vale só para as redes sociais; vale para todas as áreas da vida. Deixa eu contar outro caso real: quando eu estava na faculdade, era bem insegura. Sempre que entregava um trabalho ou fazia uma apresentação, ficava angustiada esperando elogios pelos meus esforços. Lembro de ter passado noites inteiras preparando um seminário, mas, no dia seguinte, ninguém falou nada sobre o quanto eu tinha me esforçado. Fiquei chateada, parecia que meu esforço não tinha valor. Só depois fui aprendendo (errando aqui e ali) que o valor do meu trabalho não depende de aplausos alheios.
Me desafiei então: em vez de ficar esperando elogios, comecei a me elogiar. Todas as noites, anotava uma coisa de que tinha me orgulhado naquele dia, só para mim. Pode soar bobo, mas funcionou muito bem. Aos poucos, passei a fazer coisas pelo prazer de fazer, e não para impressionar os outros. Voltei a estudar um assunto novo só por aprender, sem precisar mostrar para ninguém. Voltei a cozinhar receitas diferentes só para experimentar. E percebi que, quando a gente se dedica de coração às próprias escolhas, o sentimento de realização vem de dentro.
Aprendi o seguinte: eu não sou uma nota de avaliação que precisa de aprovação externa pra me completar. Hoje, se realizo algo bom (mesmo que pequeno), já vale a pena só por ter dado o meu melhor. Não vou mentir que críticas ou elogios nunca me afetam; o que mudou é que eles chegam sem o poder de derrubar minha confiança. Meu foco é melhorar um pouquinho a cada dia, sem esperar aplausos, porque já entendi que sou suficiente do jeitinho que sou.
Estratégias práticas para viver a aprovação zero

Comecei experimentando algumas atitudes que hoje fazem parte da minha rotina. Cada pessoa vai adaptar do próprio jeito, mas vou listar aqui algumas coisas que funcionaram pra mim e podem ajudar quem quer seguir essa jornada da aprovação zero:
Desintoxicação digital: Defina um período sem redes sociais. Pode ser um fim de semana, três dias ou até uma semana inteira. Durante esse tempo, mantenha o celular no silencioso e procure fazer coisas que você gosta longe das telas – ler um livro, caminhar no parque, praticar um esporte. Foi assim que eu me desconectei do vício de esperar curtidas e descobri outras fontes de satisfação imediata.
Celebração pessoal: Faça como eu: no fim do dia, anote pelo menos uma coisa de que você se orgulhou. Pode ser algo simples, tipo ter ajudado alguém, terminado uma tarefa ou enfrentado um medo. Escreva num caderninho ou num app de notas, mas, acima de tudo, reconheça: você fez aquilo por você, e já merece reconhecimento próprio. Aos poucos, seu olhar vai se voltar para as próprias conquistas em vez de ficar vigiando notificações.
Limite o uso das redes: Pode parecer clichê, mas estabeleça limites de tempo. Use apps que controlam quanto tempo você passa no Instagram, ou programe-se para não entrar antes de resolver tarefas importantes. Aquela primeira curtida da manhã? Respira fundo e toma um café de verdade antes. Com o tempo, ficamos menos dependentes do feedback instantâneo.
Reencontre hobbies offline: Voltei a desenhar – uma atividade que adorava e tinha abandonado pelos estudos e pelas redes sociais. Quando desenho, só penso no prazer de criar, não em mostrar para os outros. Você também pode voltar a escrever à mão, cozinhar, tocar um instrumento, fazer exercícios ao ar livre… Quando o foco volta para o que realmente te dá prazer, sem plateia, a aprovação passa a ser interna.
Cerque-se de gentilezas reais: Passe tempo com quem valoriza você pelo que é, não pelo número de likes que você recebe. Quando alguém elogia algo que você fez, aceite com gratidão, mas não cole nesse elogio como se fosse o ar que você respira. Eu contei pra Alice e pras amigas do nosso grupo sobre minhas dificuldades em ficar longe do celular, e o apoio real delas foi um empurrão fundamental para eu continuar.
Feedback realista: Quando precisar de opinião sincera, procure pessoas de confiança. Em vez de perguntar “gostou do meu post?”, convide uma amiga para comentar seu trabalho ou sua roupa pessoalmente. Um elogio sincero no olho no olho vale infinitamente mais que mil curtidas passageiras.
Cada estratégia exige prática. Você pode escolher uma delas e tentar por alguns dias. No começo, pode soar estranho não sentir aquele friozinho na barriga quando o celular vibra, mas, aos poucos, você vai perceber que a vida real tem surpresas bem mais genuínas do que qualquer tela. Eu garanto: se você der esses primeiros passos, vai descobrir uma sensação incrível de liberdade.
Benefícios e desafios da Regra da Aprovação Zero

Adotar a Regra da Aprovação Zero não é mágica nem transformação de um dia para o outro. É um processo contínuo de autodescoberta. Entre as vantagens que senti, a maior foi a leveza: não carrego mais o peso de tentar impressionar todo mundo. Minha confiança cresceu porque agora ela vem de dentro, não de fora. Com isso, reparei em oportunidades reais – quando deixei de ficar vidrada no feed, ganhei espaço para aprender algo novo, sair com amigos que não via há tempos, ou até pegar aquele livro que estava encostado em casa.
Mas é claro que há desafios. Já tive dias em que, automaticamente, meus dedos iam buscar aprovação no celular. Quando isso acontece, eu não me culpo; apenas lembro que não preciso da validação para me sentir incrível. Às vezes, o verdadeiro desafio é ouvir uma crítica sem me abalar. Nessa hora, eu respiro fundo e relembro meus próprios elogios internos. Falando francamente, não vivo em um conto de fadas da autoconfiança: algumas vezes bate uma pontada de insegurança, mas ela dura cada vez menos.
A chave é ajustar tudo ao seu jeito: talvez a Regra da Aprovação Zero signifique pausar antes de postar algo e se perguntar: “Eu faria isso mesmo se ninguém visse?”. Pode ser conversar com pessoas que já te ajudam a crescer sem julgar. No fim, saber que você é suficiente por si só faz toda a diferença. A jornada da aprovação zero se baseia na confiança de que seus passos são válidos mesmo sem aplausos externos.
Viver sem a necessidade de elogios externos é possível e libertador – mas não é fácil nem rápido. Eu nunca prometi pra mim mesma que estaria livre de qualquer insegurança; o que mudou foi aprender a colocar a opinião dos outros em perspectiva. Se contei essas histórias com sinceridade, é porque elas mostram que, sim, dá pra virar o jogo. Cada passo que você dá sem buscar aplausos é um passo em direção a uma relação mais saudável consigo mesma. Foi assim que eu descobri: quando a gente para de medir tudo em likes, o que resta é a essência – e ela é muito mais bonita do que qualquer crítica ou elogio que alguém possa dar.
E você, amiga? Topa o desafio de ficar alguns dias offline ou, simplesmente, buscar motivação dentro de si mesma? Deixe um comentário com sua experiência pessoal ou reflita sobre como foi o último dia em que você não dependia de curtidas para se sentir bem. Quem sabe, compartilhando nossas histórias, a aprovação zero não se espalhe pelo mundo todo!
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