Meu Conselho para a Minha Versão Mais Jovem: O Que Eu Deveria Ter Aprendido Antes.

Hoje, olhando para trás, percebo que a vida é cheia de aprendizados que só fazem sentido quando já se viveu um pouco. Tenho 24 anos e, muitas vezes, me pego pensando: o que eu gostaria de ter ouvido quando tinha 16 ou 18 anos?
Se eu pudesse dar um conselho para aquela adolescente que fui, falar com a minha versão mais jovem, provavelmente diria coisas simples, mas verdadeiras: valorize sua autenticidade e seja fiel a si mesma.
No entanto, entendo que aprender isso não foi fácil. Nada veio de graça: cada experiência teve seu preço, mas, ao olhar para trás, vejo que aprendi muito com cada tropeço. Por isso, quero compartilhar algumas histórias da minha vida – pequenos erros que cometi e o que aprendi com eles – para dar conselhos práticos e reais à menina que eu era. Não prometo fórmulas mágicas ou soluções fáceis; compartilho só o que vivi, os tropeços e como segui em frente. Neste artigo íntimo e honesto, espero que você se identifique com essas experiências e encontre lições que também possam servir para a sua jornada.

Não tenha medo de ser você mesma

Quando eu tinha 17 anos, tentei de tudo para me encaixar. Cortava meu cabelo do jeito que as outras garotas faziam na escola, seguia as piadas do grupo mesmo quando não achava graça, e fingia gostar de estilos musicais que só me davam desconforto. Eu sabia, lá dentro, que estava negando uma parte de mim, mas tinha medo do que os outros pensariam. A verdade é que, quanto mais tentava agradar todo mundo, mais distante eu ficava de quem eu realmente era.

Lembro de um dia em que uma amiga elogiou uma roupa que eu nem gostava tanto assim, só para me ver usá-la e me sentir parte do grupo. Fiquei desconfortável, mas acabei concordando. Mais tarde percebi que tinha trocado um pouco da minha autenticidade por uma aprovação momentânea. Foi nesse momento que aprendi, da maneira difícil, que não precisamos de permissão para sermos nós mesmos.

Com o tempo, a autenticidade provou ser um dos meus maiores trunfos. Comecei a tomar pequenas atitudes que refletiam minhas escolhas de verdade: passei a usar roupas nas cores que eu realmente amava, a expressar minhas opiniões mesmo quando eram diferentes, e a celebrar as minhas particularidades. Com essas mudanças, notei algo incrível. Numa festa da escola, por exemplo, resolvi usar aquele vestido estampado cheio de cor que eu sempre gostei, mesmo sabendo que era diferente do que minhas amigas usavam. Para minha surpresa, várias pessoas elogiaram a escolha – não apenas pela roupa, mas pela confiança que eu exalava. Foi nesse momento que entendi que ser fiel a mim mesma atraía coisas boas; a insegurança deu lugar ao orgulho de quem eu realmente era.

Dicas para cultivar sua autenticidade:

  • Confie no seu instinto. Se algo não faz sentido para você, não tenha medo de dizer não ou de seguir outro caminho.

  • Faça coisas que te fazem feliz, não só para agradar os outros. Descubra seus próprios gostos e divirta-se com eles.

  • Cerque-se de pessoas que te aceitam como você é. Relações genuínas não precisam de máscara.

Nada disso é fácil o tempo todo. Ainda hoje às vezes fico em dúvida antes de tomar uma decisão só por medo de parecer diferente. Mas aprendi que cada pequeno passo nessa direção traz mais paz. O medo de não ser aceito é, como descobri, um tapa que damos na nossa própria alma – mas quando somos nós mesmos, descobrimos uma liberdade verdadeira.

Aprenda com os erros

Se tem uma coisa que eu gostaria de ter entendido mais cedo, é que errar faz parte do caminho. Quando eu tinha 18 anos, me decepcionei muito por um erro simples. Estava tão desesperada para acertar que não percebi que a maior lição aconteceria justamente daquele tropeço.

Na época, decidi entrar em um curso na faculdade apenas porque todos esperavam isso de mim. Eu não estava preparada e nem tinha tanta afinidade com aquela área. Acabei me sentindo perdida, insegura sobre o meu futuro, e frustrada por não me adequar ao perfil esperado. Foi um erro ouvir só os outros e não me escutar. Achei que tinha fracassado e fiquei arrasada no final do semestre.

Mas olha só: aquele “fracasso” me ensinou algo valioso. Percebi que estava seguindo um caminho que não era o meu. Foi assim que entendi que meus interesses eram outros e que, para dar certo, eu precisaria conhecer melhor minhas paixões. Usei aquele erro para repensar tudo e, finalmente, decidi fazer um curso diferente, algo que sempre gostei mas tinha medo de escolher. Com apoio de amigos e muita pesquisa, encontrei o curso certo. E, no fim das contas, aquela bronca interna (e até a dos outros) foi o impulso que eu precisava para mudar de direção.

Quando comecei as aulas desse novo curso, senti uma mistura de alívio e motivação. Conheci colegas que compartilhavam meus interesses e professores que me inspiravam. Foi como encontrar um lugar onde eu finalmente pertencia, sem precisar fingir quem eu não era.

O que aprendi com as quedas:

  • Errar não me define, mas mostra onde posso melhorar.

  • A importância de refletir: em vez de me culpar, comecei a pensar no que realmente fazia sentido para mim.

  • Pedir ajuda faz parte: conversei com quem entendia do assunto antes de tentar de novo.

Não foi um processo mágico ou rápido, mas aos poucos dei a volta por cima. Encarar cada erro como um professor me ajudou a ver claramente o que precisava mudar. Descobri que quem não tem coragem de errar também não tem de melhorar – isso só aprendi errando mesmo. Hoje sei que ficar parada no erro não ajuda, mas usá-lo para seguir em frente sim.

Ame a si mesma primeiro

Lembro de um período em que coloquei as necessidades de todo mundo na frente das minhas. Tinha uma relação que eu achava perfeita, mas no fundo sentia que estava me perdendo. Eu passava horas preocupada em agradar, no trabalho aceitava tarefas extras para não desapontar, e até esquecia de praticar atividades que me faziam bem. Parecia egoísmo pensar em mim em primeiro lugar. Cheguei a chorar no carro depois de um dia puxado, pensando onde estava minha própria vontade. Foi uma amiga que me enxergou naquele momento exausto e me perguntou, assustada: “E você, tá bem?”. Essas palavras simples abriram meus olhos: percebi que sempre cuidava dos outros e esquecia de mim mesma.

O resultado foi uma exaustão que eu não entendi na hora. Eu chegava em casa exausta, mas nem sabia por quê; foi durante um desses dias que percebi que, se não me conheço e não me respeito, não consigo ser verdadeira nem amar quem está ao meu redor. É como tentar encher outros copos quando o seu próprio está vazio.

Quando finalmente dediquei tempo para cuidar de mim, as coisas mudaram. Comecei com coisas simples: li um livro que queria há tempo, marquei saídas com amigos sem culpa, e até tentei meditar por alguns minutos. Não resolve tudo da noite para o dia, mas fui percebendo uma diferença. Me conhecendo melhor, passei a dizer não quando algo não estava certo para mim. Evitei expectativas irreais em mim mesma. E, aos poucos, aprendi que, uma vez que eu me valorizava, conseguia também dar amor de forma mais saudável para quem estava comigo.

Práticas para se conhecer e se amar:

  • Reserve um tempo para você todos os dias – seja para caminhar, ler ou simplesmente ficar em silêncio.

  • Anote seus sentimentos ou medite: entender o que você sente ajuda a lidar com as emoções.

  • Declare suas necessidades: aprenda a dizer não com gentileza quando precisar.

Não estou dizendo que é fácil. Ainda hoje luto contra a tendência de me culpar por estar cansada ou querer um tempo sozinha. Mas foi praticando aos poucos que me tornei mais forte emocionalmente. Hoje, quando olho para trás, agradeço por ter descoberto que o amor próprio não é egoísmo, e sim um passo necessário para ser feliz. Foi assim que funcionou para mim: cuidando de mim mesma para depois cuidar de quem eu amo.

Tudo tem seu tempo

Quando estava no último ano do ensino médio, olhava em volta e achava que todo mundo já sabia o que queria ser. Alguns colegas falavam de estágio, outros faziam intercâmbio, e eu me sentia perdida, sem ter certeza de nada. Era como se existisse um cronômetro invisível me pressionando. Pensava: “Será que estou atrasada? Deveria ter tudo planejado e estar adiantada na minha vida”.

Mas a verdade é que cada um tem seu próprio ritmo. Ainda que eu quisesse ter meu futuro traçado, as coisas começaram a fazer sentido quando parei de me comparar. Descobri que não precisava correr para crescer — as melhores descobertas aconteceram quando me permiti viver o agora. Em vez de me apavorar com perguntas sem resposta, decidi aproveitar cada fase: dediquei mais atenção aos estudos um dia de cada vez, curti os momentos simples com amigos, e fui colecionando experiências mesmo sem ter um grande plano em mente.

Com o passar do tempo, aquelas pressões externas foram ficando menores. Hoje, olhando para trás, vejo que algumas coisas importantes só aconteceram porque esperei o momento certo. Isso valeu até para o amor: levei mais tempo para ter um namorado sério, mas, quando ele apareceu, era alguém que me respeitava exatamente como eu era, sem querer mudar quem eu era. É verdade, perdi oportunidades antes de entender o que queria, mas tudo bem – cada tropeço serviu para me preparar. Nem sempre segui um plano, mas aprendi que a ansiedade por estar “pronta” só me deixava mais ansiosa.

Lembre-se: cada pessoa cresce no seu ritmo. Não existe idade certa para tudo. Foque no que te faz feliz agora e tenha paciência com o futuro. Valorize as pequenas vitórias do dia a dia em vez de se frustrar por onde ainda não chegou.

Olhar para todas essas experiências me lembra que estou em constante aprendizado. Ainda hoje, erro e aprendo, mas sinto que sou mais forte por causa disso. Minha versão de 24 anos não tem todas as respostas, mas sabe que cada passo dado valeu a pena.

Por mais difíceis que tenham sido alguns momentos, aprendi que as lições vêm no tempo certo. Se eu pudesse falar com a Ada de 16 anos, diria para ter paciência consigo mesma e confiar mais no próprio caminho. Não existe mapa perfeito, mas a gente vai desenhando o nosso aos poucos. Lembre-se de ser paciente e generosa consigo mesma ao longo do caminho que está trilhando. Essa conversa com minha versão mais jovem também é um lembrete para mim mesma: seguir praticando tudo isso no dia a dia.

Você não está sozinha nessa jornada.

E você, que leu até aqui: o que diria para a sua versão mais jovem? Compartilhe sua história ou reflexão nos comentários — afinal, conversar sobre nossas experiências também faz parte do aprendizado.

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