Para mim, a ideia de desaprender não era clara no começo. Cresci acreditando que a vida era sobre aprender cada vez mais – estudar, anotar, descobrir. Mas, com o tempo, percebi que manter certos hábitos, crenças e comportamentos do passado também podia me prender em vez de me ajudar. Em outras palavras, desaprender é abrir espaço deixando para trás o que já não me serve.
Colocar todo mundo à frente de mim era um desses hábitos. Eu me acostumei a ajudar as pessoas, mesmo quando isso significava me esquecer um pouco. Achava que estava sendo legal, mas não via que, assim, estava me tornando uma opção secundária. Só aos 24 anos entendi que precisava mudar isso. Olhar para dentro me mostrou que, para me tornar quem sou hoje, tive de desaprender velhos comportamentos.
Me Colocando em Primeiro Lugar

Durante anos, ajudei todo mundo sem pensar muito em mim mesma. Era comum eu dizer sim para amigos e familiares que precisavam de algo – mesmo que isso significasse cancelar meus próprios planos. Certa vez, me lembro de ter abandonado um encontro com pessoas queridas porque uma amiga passou mal e precisava de ajuda. Naquela noite, enquanto cuidava dela, senti que estava me esgotando. Quando cheguei em casa, exausta, percebi que acabara de pular algo importante para mim sem nem ao menos pensar duas vezes.
Na semana seguinte, uma decepção profissional me fez questionar esse padrão. Eu tinha preparado um projeto no trabalho e, mesmo dando tudo de mim, meu esforço não foi reconhecido – principalmente porque estava sempre priorizando os outros em vez de mostrar minhas ideias. Foi aí que entendi: eu precisava aprender a dizer não quando necessário.
No começo foi estranho. Dizer “não” pra um amigo deu aquele frio na barriga, mas foi libertador. Descobri que, na maior parte das vezes, o mundo não desaba só porque faço minha própria agenda. Aos poucos, fui criando hábitos novos: entendi que descansar não é egoísmo, que pedir ajuda quando preciso faz bem, e que valorizar meu tempo me permitiu ter mais energia para o que realmente importa. Hoje, na minha rotina, incluo momentos só para mim – seja para ler um livro no fim de semana ou só desligar o celular durante um almoço em família. Essas pequenas mudanças me ajudaram a colocar minha felicidade como prioridade sem deixar de ser solidária com os outros.
Aprendendo com os Erros

Sempre fui muito perfeccionista. Desde jovem, qualquer falha me deixava ansiosa, como se um único erro invalidasse todo meu esforço. Lembro de uma vez no trabalho em que precisei elaborar um relatório importante. Passei dias revisando cada frase, evitando até a menor palavra fora do lugar. No fim, mesmo assim, acabei me atrasando e errando o prazo de entrega. Cheguei atrasada, muito além do horário combinado, e percebi que todo aquele cuidado excessivo me atrapalhou mais do que ajudou. Me senti exausta e envergonhada: era minha primeira falha pública no trabalho.
Com o tempo, entendi que essa pressão para ser perfeita era só mais um padrão para desaprender. Conversando com um colega mais experiente, ele me disse algo simples, mas valioso: “Errar faz parte, e você não vai fazer tudo certo na primeira tentativa.” Aquilo ficou na minha mente. Aos poucos, fui me desafiando a não passar noites em claro revisando cada detalhe. Em vez disso, comecei a entregar minhas tarefas um pouco antes do prazo e encarar qualquer erro que surgisse como aprendizado – corrigindo depois. Com o tempo, percebi que erros não são sinal de incompetência, mas sim indício de que estou tentando coisas novas. Esse olhar diferente reduziu minha ansiedade e me ajudou a seguir em frente com menos medo e ganhar confiança aos poucos.
Passos para Desaprender
Para quem quiser iniciar esse processo de desaprender, compartilho algumas atitudes práticas que me ajudaram:
Observe seus pensamentos: perceba quando surgem vozes internas de dúvida ou crítica. Anote-as e reflita: essa voz reflete mesmo a realidade?
Questione as origens: pergunte-se de onde vem cada crença limitante e se ela ainda vale para você hoje.
Defina limites simples: experimente dizer não em situações cotidianas e observe como isso impacta seu tempo e energia.
Veja o erro como aprendizado: quando algo não sair como planejado, pergunte-se o que foi possível aprender de novo com essa experiência.
Cultive a autocompaixão: celebre cada pequeno progresso e trate-se com a gentileza que você ofereceria a um amigo próximo.
Desaprender não foi fácil nem rápido, mas cada passo me deixou mais leve e consciente de quem sou. Escrever sobre isso me mostrou como essas mudanças acontecem devagar, no dia a dia, muitas vezes imperceptíveis até que olhamos para trás. Sinto-me mais autêntica agora, sabendo que posso adaptar minhas crenças e hábitos conforme cresço.
E você, identificou algo que precisa desaprender na sua vida? Se sim, compartilhe sua experiência nos comentários – acredito que nossas histórias podem se tornar inspirações para outras pessoas também.





