Banho de Floresta Urbano: Como eu Encontro a Natureza Mesmo Morando no Caos.

Olá amiga leitora, sou Ada, moro em Curitiba, PR. Eu entendo bem o caos da cidade grande e, por isso, quero compartilhar como escapo um pouco dessa rotina intensa para encontrar momentos de paz na natureza. Neste artigo vou contar como vou para áreas verdes próximas — seja floresta, praia ou jardins — e realizo meu próprio “banho de floresta”, mesmo vivendo cercada de prédios. Vou explicar como o ar puro, o mar, as folhas, o pé na areia e o contato com a terra podem renovar nossa energia.

Já falei sobre isso várias vezes aqui no blog (algumas leitoras já sabem!). Por mim, moraria no mato kkkkk, mas enquanto isso não acontece, aprendi a trazer um pedacinho dessa paz para dentro da cidade.

Por que buscar a natureza no meio da cidade?

A vida urbana pode ser acelerada e estressante. No meu dia a dia corrido em Curitiba, percebo que sinto falta de silêncio e de ar puro. Percebi que, quando estou na natureza, minha ansiedade diminui, meu humor melhora e as energias voltam a fluir.

Eu mesma já passei por fases em que me sentia esgotada no escritório. Lembro de um momento em que precisei ficar em casa por uns dias, sentindo as paredes fechadas, a ansiedade aumentando.

Foi aí que decidi fazer algo diferente: coloquei minha roupa de caminhada e fui ao parque mais próximo para caminhar um pouco. Senti um alívio imediato apenas por pisar na grama e ouvir o barulho das folhas ao vento.

Foi um pequeno banho de floresta urbano: não estava em uma mata profunda, mas aquele instante na sombra das árvores já me fez respirar melhor. A cidade continua lá, mas a natureza ao redor me lembrou que ainda existe calma possível. Percebi que não preciso viajar horas para mudar meu estado de espírito; pequenos momentos verdejantes no meu próprio bairro já fazem diferença.

Como foi meu primeiro banho de floresta

Vou ser sincera: no começo, eu não sabia direito como fazer um “banho de floresta”. Imaginei algo complicado, com muitas regras. Na verdade, era preciso apenas me permitir um tempo de conexão. Uma vez, arrumei tudo para ir a uma trilha e me esqueci de levar água. Depois de meia hora de caminhada, passei mal de sede e acabei tendo que voltar. A lição? Planejamento simples ajuda muito. Levei uma garrafinha d’água nos passeios seguintes e passei a ficar atenta à hidratação.

Em outra ocasião, decidi ir à Ilha do Mel com amigas. A viagem era para relaxar, mas acabei levando preocupações do trabalho comigo. Durante a trilha pela mata atlântica na ilha, notei que a ansiedade continuava lá, mesmo cercada pelo mar e pelas árvores. Então parei de andar, respirei profundamente, e tentei observar tudo com atenção: a brisa do mar, o cheiro da vegetação, o som dos pássaros. Aos poucos, minha mente acalmou. Percebi que parte do “banho de floresta” é treinar nosso foco: desligar o pensamento nas preocupações e prestar atenção ao que temos de belo ao redor.

Esses pequenos erros — esquecer a água, não se desligar das preocupações — ensinaram que a natureza nos guia sem pressa. Hoje, sempre levo uma garrafinha e procuro ir sem grandes expectativas, apenas para sentir as sensações. Às vezes ainda demoro para relaxar, mas é natural: estamos acostumadas ao ritmo frenético da cidade, e nosso corpo leva um tempo para se ajustar ao ritmo calmo da floresta.

Praticando o banho de floresta no dia a dia urbano

 

Se morar em cidade grande te faz parecer distante da natureza, saiba que já existem pedaços de floresta pertinho de muitos bairros. Aqui em Curitiba, há parques, áreas verdes urbanas, até espaços inusitados (como bosques ou jardins comunitários) que são oportunidades de encontro com o verde.

  • Caminhada em parques locais: Uma saída simples é escolher um parque ou praça arborizada, e dedicar 10 ou 15 minutos a caminhar sem pressa. Faço um exercício de andar sem o celular, ou com ele no silencioso, porque é surpreendente como ficamos absorvidos pelas notificações mesmo em lugares verdes. Sem olhar no celular, apenas observando o entorno — as árvores, os pássaros, as pessoas passeando com seus animais. Perceber cada passo e respirar devagar. Essa prática breve já faz meu coração desacelerar. Muitas vezes vou ao Parque Barigui ou ao Bosque do Alemão, que são perto de casa.

  • Parar para sentir a terra: Outro detalhe que comecei a incluir é tirar os sapatos quando posso. Por exemplo, se estou em um jardim tranquilo ou na praia, gosto de pisar na grama, na areia ou na terra úmida. Sentir o contato dos pés me dá uma conexão imediata com o ambiente natural. Lembro de uma tarde de sábado em que sentei no jardim, descalça, sentindo a terra fria. Não fiz nada além disso, apenas fiquei ali sentindo cada detalhe.

  • Momentos de silêncio e observação: Pratico também me sentar embaixo de uma árvore, fechar os olhos e escutar. Posso ouvir o vento nas folhas, algum passarinho cantando ou até a água caindo de uma fonte próxima. Esses segundos de silêncio são preciosos no urbano. Mesmo se o barulho da cidade estiver por perto, percebo que escolho onde focar: se mudo minha atenção para as árvores, aos poucos o resto some de segundo plano.

  • Inclusão da água e do mar: Sempre que possível, vou à praia da Ilha do Mel ou do litoral paranaense nos fins de semana. O cheiro da maresia e sentir os pés na areia têm um efeito restaurador que me lembra de como a natureza é generosa em me ajudar a recarregar. Nessas viagens, eu não gravo o áudio nem posto stories (kkk). Fico ali, só eu e a natureza. Mas sei que nem todo mundo pode viajar para o litoral sempre. Por isso, ter um pequeno aquário em casa, uma fonte de água ou até mesmo sentar próximo a um chafariz ou lagoa no parque já ajuda a trazer essa sensação de frescor e calmaria.

  • Plantas em casa: Para o dia a dia no apartamento, cultivar plantas foi um passo importante. Ter vasos de plantas dentro de casa me dá um pedacinho de verde para cuidar. Quando sinto minha energia caindo no trabalho, me dou uns minutos para regar uma plantinha ou apenas observar seu crescimento. É pouco tempo, mas me conecta com um ciclo de vida diferente do meu contexto urbano acelerado.

Os benefícios que percebi

Não posso prometer um milagre, mas notei diferenças pequenas, porém constantes, ao incluir esses momentos de natureza no meu dia a dia. Eu passo a noite dormindo melhor depois de um passeio em um parque. Me sinto mais atenta no dia seguinte e menos irritada com as coisas pequenas. Em dias difíceis, me lembro daquele som de água ou de folhas e tento levar essa lembrança junto comigo. Claro que ainda tenho dias de estresse, mas o esforço vale a pena: saber que existe sempre um lugar verde para voltar me dá esperança.

Uma amiga certa vez me disse que não sente diferença alguma; que na cidade parece impossível escapar do barulho. Eu entendo: cada pessoa é diferente. Para mim, o truque foi não colocar muita expectativa no começo. Quando comecei a fazer esses passeios, pensava “será que vai adiantar?”. Na maioria das vezes sim, era só uma questão de me permitir o momento. Noutras, nem tanto: teve dia em que achei que seria revigorante ir correndo ao parque, mas estava tão distraída com os problemas de trabalho que nem percebi se tinha ajudado ou não naquele dia.

Quero ser honesta: morar na cidade tem suas limitações. Não é a mesma coisa que ter uma floresta inteira ao redor, mas dá para sentir que a natureza está lá, minando a vida urbana e pronta para ajudar.

Sou uma dessas pessoas que, se pudesse, levantaria e iria viver numa casa no meio do mato. Mas como nem todos podem fazer isso, valorizo cada pedacinho de verde que consigo encontrar perto de mim.

Dicas práticas para o seu banho de floresta urbano

  1. Escolha o horário certo: De manhã cedo ou no final da tarde as cidades costumam ficar mais calmas e o ar mais fresco. Esses horários também são ótimos para observar pássaros que talvez não apareçam de dia.

  2. Use todos os sentidos: Toque nas folhas, sinta a brisa no rosto, feche os olhos por um instante para ouvir os sons ao redor. Quanto mais sentidos você usar, mais completo fica seu banho de floresta.

  3. Respire devagar e profundamente: Mesmo andando, dê umas inspiradas longas e conscientes. Isso ajuda a desacelerar o coração.

  4. Planeje pequenas escapadas: Na correria da semana, marque um tempo no final de semana para lugares com mais natureza – pode ser um parque maior, uma reserva próxima ou uma praia. Eu sempre deixo um fim de semana livre para viajar até a Ilha do Mel, mas você pode adaptar para o que tiver perto.

  5. Seja flexível: Não se culpe se não der para ir a um parque ou praia todos os dias. Às vezes, um minuto parado perto de uma plantinha no trabalho já é um pequeno banho de floresta. O objetivo é incluir aquela pausa consciente, não criar um fardo a mais na rotina.

  6. Inspire-se na natureza local: Conheça as árvores e flores da sua região. Na minha rua tem um ipê amarelo que floresce na primavera; observar suas flores foi um ritual para mim. Descubra o que existe aí perto e se encante com as pequenas mudanças ao longo do ano.

Cada uma dessas dicas veio do meu dia a dia e dos erros que fui cometendo — tipo esquecer de beber água, me cobrar demais para relaxar imediatamente ou querer resultados rápidos. Hoje, digo que o banho de floresta urbano não tem hora marcada: às vezes é no trajeto andando pro trabalho, outras no fim de semana em uma trilha. O importante é lembrar que esse encontro com a natureza pode acontecer em pedaços, em intervalos da vida na cidade, e tudo bem.

Espero que minhas experiências mostrem que sempre dá para trazer mais verde para dentro da nossa rotina, mesmo em meio ao caos urbano. Encontrar a natureza não é um luxo, é uma necessidade para equilibrar corpo e mente. Eu ainda sou uma aprendiz nesse caminho de viver mais em harmonia com as árvores e com o mar, mas cada passo tem sido muito valioso. Experimente dar uma voltinha no parque esta semana ou ficar alguns minutos de olhos fechados perto de um jardim. Você pode se surpreender com a paz que isso traz.

Compartilha nos comentários como você costuma encontrar a natureza no seu dia a dia ou alguma experiência de banho de floresta que já teve. Adoro ler as histórias de quem está passando por algo parecido. 🙂

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