O Ciclo da Lua e Minha Energia: Como Aprendi a Respeitar o Ritmo da Natureza em Mim.

Eu vivia presa na rotina de trabalho do meu escritório, seguindo as regras da CLT e esquecendo de prestar atenção em mim mesma. Todo dia era igual: acordar cedo, reuniões estressantes, sair tarde, voltar para casa cansada. Muitas vezes nem reparava se era de manhã ou noite — o relógio no canto do monitor era o único ciclo que acompanhava. Sentia minha energia oscilar sem entender exatamente por quê — tinha dias em que estava cheia de pique para estudar ou aprender algo novo, e outros em que simplesmente queria me esconder debaixo das cobertas. Continuava empurrando o dia a dia, acreditando que aquele era o único caminho, mas algo dentro de mim começava a reclamar.

Tudo mudou quando desabafei com uma amiga que adora astrologia e natureza. Ela perguntou por que eu não aproveitava os finais de semana para ir à praia ou a um parque, em vez de ficar confinada entre quatro paredes. Fiz uma pausa e notei que era mesmo raro eu colocar meus pés na grama ou sentir a brisa do mar. Numa noite de quarta-feira ela brincou: “Está vindo a Lua Nova. Que tal plantar algumas intenções para este ciclo?” Na hora achei engraçado, mas olhei para o céu — realmente a Lua não estava visível. Aquilo ficou na minha cabeça. Percebi então que há meses eu vinha me sentindo desmotivada justamente nas fases em que a Lua sumia do céu. Será que faz sentido seguir apenas a lógica do escritório e esquecer os próprios ritmos naturais?

Lua Nova – O Plantio

Na primeira história, meu grande erro começou justamente na Lua Nova de um determinado mês. Eu havia decidido escrever um relato sobre a história da minha família, um projeto que adiava há tempos. Quando a Lua ficou escura no céu, lá estava eu com um caderno em branco diante de mim. Eu sabia que queria contar coisas importantes: a infância no sítio dos avós, os conselhos da minha avó, aquele jantar de formatura inesquecível. Queria planejar tudo como se fosse um relatório detalhado para um trabalho do escritório. Mas percebi que, assim como a terra precisa estar preparada para receber a semente, eu precisava de coragem para começar mesmo sem ter tudo sob controle.

Foi na Lua Nova que minha amiga insistiu: “É hora de plantar a semente, mesmo que você não veja o caminho completo agora”, disse ela. Eu entendi, um pouco tarde, que estava esperando pela perfeição em vez de dar o primeiro passo. Numa noite sem lua, decidi mudar. Peguei aquele caderno travado e defini uma intenção muito simples: escrever apenas uma frase sobre um momento feliz da minha infância. Sentei-me à escrivaninha, respirei fundo e comecei. A primeira frase saiu timidamente: descrevi o cheiro do café fresco que a minha avó preparava na cozinha e o sabor das bolachas caseiras que ela servia no café da manhã. Era algo pequeno, mas saía da minha mente para o papel — já era um começo.

Nos dias seguintes, percebi que aquelas pequenas sementes realmente começaram a crescer. A cada noite eu escrevia um pouquinho e, quando me dava conta, meu caderno estava recheado de ideias soltas. Eu não sabia exatamente onde aquilo me levaria, mas sentia algo diferente — havia intuição e curiosidade ali. Descobri que para mim funciona assim: ao respeitar o silêncio produtivo da Lua Nova, eu conseguia definir metas simples e acionar a criatividade que antes estava adormecida. Além disso, notei que escrever um pouco parecia aliviar a tensão que eu sentia no trabalho, como se cada palavra tirasse um pouco daquele peso do dia. Aquela prática diária tornou-se parte da minha rotina, me dando um propósito tranquilo em meio ao caos do trabalho. Cada pequena conquista me motivava — eu percebia que, mesmo sendo textos simples, estava construindo algo real passo a passo.

Na prática, coloquei em minha rotina uma breve sessão de escrita de cinco minutos todos os dias antes de dormir, e fui vendo as ideias tomarem forma sem me sentir sobrecarregada. Mesmo com projetos pequenos, aprendi que é dando o primeiro passo imperfeito que a gente se aproxima do objetivo. Na manhã seguinte ao primeiro texto, acordei mais leve, com a sensação de dever cumprido. Aprendi que ser corajosa para começar era tão importante quanto planejar. Eu me sentia um pouco mais “plantada”, como se aquela pequena ação tivesse sido regada com esperança.

Lua Crescente – A Ação

Com a Lua Crescente, notei que a energia continuava ascendente em mim. As primeiras linhas que anotei no caderno começaram a se transformar em parágrafos mais completos — aos poucos, meu projeto ganhava corpo. Mantive o hábito diário de escrever, mesmo em dias sem inspiração. Quando um parágrafo difícil me bloqueava, eu decidia continuar de qualquer forma. Repetia para mim mesma que cada pequeno texto era um passo adiante, construindo minha confiança aos poucos. Cada vez que concluía uma frase, sentia um alívio — era como regar uma plantinha, em vez de tentar arrancá-la inteira.

Fui aprendendo a valorizar o esforço incremental. Comparei o processo à jardinagem: um pouco de atenção a cada dia e paciência para esperar as flores desabrocharem. Se em algum momento eu errava — um trecho confuso ou uma história sem foco — eu aplicava uma mudança de rota: lia o texto em voz alta para o meu gato (que virou meu crítico literário), fazia uma pequena caminhada para arejar a mente ou tomava um chá quente para relaxar. Tudo isso me permitiu não desistir dos meus objetivos. Aquela prática diária tornou-se parte da minha rotina, me dando um propósito tranquilo em meio ao caos do trabalho. Cada pequena conquista me motivava — eu percebia que, mesmo sendo textos simples, estava construindo algo real passo a passo.

O que aprendi errando foi que persistir mesmo sem motivação total faz diferença. Havia dias em que a vontade era zero, mas eu me forçava a escrever só um parágrafo — e isso se acumulava em progresso.

Houve um dia em particular, durante a Lua Crescente, em que quase desisti de todo o projeto. Era um feriado prolongado e eu imaginei que teria muito tempo livre para escrever. Mas, depois de uma semana intensa de trabalho, me sentia exausta. Tentei forçar uma sessão de escrita no sábado, mas as palavras não saíam. Parei e escutei meu corpo: saí para caminhar no parque e tirei a noite para descansar. No domingo, acordei muito mais descansada e acabei escrevendo três páginas seguidas. Foi ali que percebi outra lição importante: respeitar meu próprio ritmo incluía dosar esforço e descanso. Eu não precisava forçar minha criatividade no cansaço; era melhor recarregar as energias e voltar com clareza.

No final desse ciclo, meu relato familiar já tinha capítulos estruturados, e eu me sentia mais confiante e motivada a continuar. Eu tinha conseguido um progresso que semanas antes parecia impossível. Foi uma vitória silenciosa — um projeto que antes eu empurrava para depois estava finalmente tomando forma, fruto de esforço contínuo e paciência.

Lua Cheia – O Florescimento

Já a Lua Cheia foi um momento de ápice. Eu e alguns amigos planejamos passar um fim de semana na praia. Chegamos cedo para aproveitar: a Lua Cheia brilhava sobre as ondas, iluminando toda a areia com um brilho prateado intenso. A noite estava amena e o vento do mar acariciava meu rosto. Naquele momento, senti minha intuição aflorar: todas as emoções estavam mais intensas e claras.

Sentei-me na areia, olhando para o alto, e percebi algo que vinha evitando: uma amizade antiga que eu mantinha mais por hábito do que por felicidade. Eu dava demais de mim, mas recebia muito pouco em troca. Eu vinha tentando justificar isso na minha cabeça, dizendo que as coisas iam melhorar se eu me esforçasse mais. Mas ali, sob aquela luz intensa, enxerguei a verdade: minha amiga seguia um caminho diferente, e meus esforços não mudariam o curso dela. Foi como se a própria Lua me desse permissão para ser honesta. As ondas batendo suaves pareciam lavar minha alma. Eu me senti estranhamente aliviada ao reconhecer aquilo. Naquele instante senti minhas mãos suarem e quase comecei a chorar — alívio e gratidão se misturaram.

Percebi que merecia amor e respeito tanto quanto eu oferecia, sem precisar forçar nada. Naquela noite, silenciosamente agradeci pelos momentos bons que tive com ela, mas compreendi que não podia continuar naquela mesma dinâmica. Aquela Lua Cheia clareou tudo: eu precisava me valorizar mais e seguir em frente. Foi um momento de autoconhecimento profundo. A luz intensa me mostrou minhas próprias vulnerabilidades e fortalezas escondidas. Vi que aquelas vivências tinham valor e aprendizado. Mas compreendi que, para novas conquistas em minha vida, eu não podia mais manter as expectativas antigas — algumas histórias precisam seguir novos rumos. Na manhã seguinte, acordei com uma sensação de clareza e leveza que eu não sentia há semanas. Aquela experiência de Lua Cheia ficou gravada em mim como um lembrete poderoso de que até os sentimentos mais densos podem ser transformados em energia positiva.

Lua Minguante – O Desapego

Nos dias que se seguiram à Lua Cheia, notei que a Lua começou a minguar. Aproveitei essa fase para praticar o desapego. Cada vez que a lua diminuía, eu sentia que meus problemas também perdiam um pouco do peso. Sentei-me à beira da praia novamente e escrevi num papel todos os sentimentos e expectativas que queria deixar para trás. Depois, rasguei aquela folha e deixei os pedaços voarem com a brisa noturna. Não foi um ritual místico, mas senti um alívio lento no peito, como se cortasse amarras invisíveis que me prendiam a antigas histórias.

Em casa, segui limpando o resto: guardei papéis, fotos e presentes antigos que estavam sobre a mesa havia meses, apaguei de vez conversas antigas do celular e reorganizei a escrivaninha. Cada gesto era um pequeno sinal de que eu me permitia deixar ir. Também ajustei meu ritmo de trabalho: antes eu ficava até tarde tentando dar conta de tudo; agora, estabeleci um horário para desligar o computador e me permiti pausas sem culpa. Até passei a meditar alguns minutos antes de dormir, para acalmar a mente.

Nos dias seguintes, percebi que acordava com menos peso no peito. Eu sentia mais vontade de passear e apreciar coisas simples — o cheiro do café fresco, os primeiros raios de sol pela janela. Até minhas plantas de casa pareciam mais verdes, como se também renovassem suas energias. Foi como se aquela Lua Minguante tivesse levado embora medos antigos. Descobri que, mais do que truques, o aprendizado maior dessa fase é este: para que algo novo cresça na próxima Lua Nova, precisamos dar espaço abrindo mão do que já cresceu e murchou. Em resumo, deixei ir o que não me servia mais, preparando minha alma para o que viria.

Alinhar minha rotina com as fases da Lua me permitiu lidar com meus próprios ciclos de energia de forma suave. Não há promessa de efeito milagroso, mas sim um lembrete gentil: na Lua Nova eu planejo, na Lua Crescente eu ajo com paciência, na Lua Cheia eu reflito com clareza, e na Lua Minguante eu libero o que não faz mais sentido. No meu caso, estabelecer metas modestas e respeitar o descanso fez diferença. Com isso, vi que não adiantava empurrar tudo a qualquer custo — às vezes era melhor colher um pouco de ar puro e dar ao corpo a chance de descansar no momento certo.

Hoje entendo que não preciso lutar incessantemente contra meu próprio ritmo. Não que a Lua tenha respostas para tudo, mas ela me ensinou a reconhecer quando preciso desacelerar e recarregar. Descobri que até uma simples caminhada ao ar livre pode ser suficiente para recarregar minhas energias. Esses pequenos rituais internos mudaram minha relação com o tempo: aprendi que não preciso lutar ferozmente contra meu próprio relógio biológico; o importante é observar e agir conforme ele. Agora sinto que meu calendário interno ficou mais equilibrado, sem a culpa de render menos em determinados dias.

E você? Já reparou se seu humor ou disposição segue algum ciclo parecido? Escreva nos comentários como a natureza influencia seu dia a dia, ou compartilhe uma experiência sua com as fases da Lua. Pode ser o primeiro passo para você aprender algo novo sobre você mesma.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *