Oi amiga leitora, Ada falando aqui! Hoje quero compartilhar um livro que quase me tirou do chão e me fez enxergar a vida de outro jeito. Não sou das mais leitoras, você sabe – se o livro for bom, até eu dou uma chance (kkk) – mas neste fim de ano, nas férias, acabei pegando “O Mundo de Sofia” para passar o tempo. E olha, fiquei deslumbrada: de repente eu estava imersa num curso de filosofia disfarçado de romance! Mergulhei em perguntas cabeludas tipo “Quem é você?” e “De onde vem o mundo?”, exatamente como a personagem Sofia vivencia nas primeiras páginas. Foi um choque de curiosidade: redescobri como é gostoso viver com conhecimento, mesmo que às vezes dê uma tristeza ver tanta gente sem se questionar nem um pouco.
Você conhece a história, né? “O Mundo de Sofia” é um clássico lançado em 1991 pelo norueguês Jostein Gaarder. Ele virou best-seller mundial (vendeu milhões de cópias só na Alemanha e mais de um milhão no Brasil) por um motivo simples: o livro funciona tanto como romance quanto como um guia básico de filosofia. Nele, seguimos Sofia Amundsen, uma garota de 14 anos que passa a receber cartas misteriosas com perguntas profundas. Cada carta dispara nelas uma reflexão nova, enquanto ela aprende história da filosofia – dos pré-socráticos a Sartre – de um jeito leve e acessível.
Mas e daí, você pode perguntar: “Ada, filosofia eu lembro do colégio, mas como é que isso me ajuda a evoluir de verdade?” É aí que entra o pulo do gato. Para mim, esse livro não foi apenas conteúdo teórico: foi um convite para sair do piloto automático. Vou contar como a leitura despertou em mim o espanto das coisas, me ajudou a conhecer melhor quem eu sou, e me desafiou a sair da minha zona de conforto. No fim, trago até uns exercícios práticos inspirados na obra para a gente experimentar esse pensamento no dia a dia. Preparada? Então vamos lá!
Despertar da Curiosidade (o “espanto”)

Você já reparou como nós nos acostumamos a aceitar o mundo como ele é, sem nem piscar? Pois “O Mundo de Sofia” nos lembra do óbvio que esquecemos: a filosofia nasce do espanto. Como lembra Hannah Arendt, “a filosofia começa no espanto e termina com a mudez”. Em outras palavras, tudo começa quando a gente deixa de achar a vida “normal demais” e volta a se encantar como criança. No livro, esse momento mágico acontece logo no início: Sofia recebe no correio perguntas tipo “Quem é você?”. Basta essa pergunta simples para estourar a bolha da rotina dela. Foi assim na minha vida também.
Por exemplo, lembro de uma vez em que fazia uma tarefa óbvia no trabalho há meses, me arrastando no automático. Um colega de time chegou e me perguntou, com naturalidade: “E por que você não faz de outro jeito?”. Fiquei sem reação. Nunca tinha sequer me perguntado o porquê daquilo; estava acomodada. Na hora, me senti igualzinho à Sofia lendo aquela carta de filosofia: deu um frio na espinha, um espanto de perceber que eu mesma não tinha me questionado. Foi constrangedor, mas libertador. A partir daí, comecei a fazer o que o livro ensina na prática: a redescobrir o encanto das primeiras vezes.
Tente pensar assim também: quando foi a última vez que você se sentiu realmente curiosa? Talvez ao olhar as nuvens, à flor na beira do caminho ou até ao reencontrar algo na sua gaveta que havia esquecido. Não por acaso, o texto de Gaarder incentiva exatamente isso – resgatar perguntas simples como “Quem sou eu?” ou “Por que o dia tem sol?”. Na leitura, Sofia percebe que admirar o mundo pela primeira vez é o início de aprender coisas novas (mesmo que sejam perguntas difíceis). Eu mesma comecei a fazer o teste: nas últimas semanas, questionei por que eu tomo café no mesmo horário, por que escolhi aquela rota para o trabalho, o que me faz rir de verdade. Cada mini-pergunta me trouxe uma surpresa, uma conexão diferente com a rotina.
Desafio prático: procure um momento do seu dia para se perguntar “por quê?” algo cotidiano. Pode ser no banho, no carro ou caminhando na rua. Ao invés de aceitar sua rotina como óbvia, pergunte a si mesma o que há por trás. Essas pequenas faíscas de curiosidade são o combustível do espanto!
Autoconhecimento através da História da Filosofia

Ao longo da trama, o professor misterioso de Sofia, Alberto Knox, a leva por um tour que resume toda a filosofia ocidental de um jeito simples. Sinceramente, eu me senti parte dessa aula ambulante. Conforme Sofia aprende sobre Tales, Platão, Descartes, Kant, Sartre e tantos outros, eu mesma fui percebendo reflexos das minhas próprias dúvidas nas ideias deles. Cada grande corrente filosófica tocava num ponto que eu já havia sentido na pele.
Vou te dar um exemplo prático: em certo capítulo do livro, Sofia estuda Descartes e seu famoso “penso, logo existo”. Na vida real, eu atravessei uma fase de muita insegurança, dando atenção até para dúvida do Descartes – mas percebi que estava me perguntando tanto “será que estou agindo certo?” que quase me esqueci de agir. Ler sobre ele me fez entender que é normal duvidar (até mesmo de você mesma!), mas que não dá para ficar só nisso. Decidi então encarar cada preocupação com mais leveza – se algo me incomoda de verdade, vou questionar, mas sem paralisar meu dia.
Outro momento legal: quando Sofia descobre a filosofia existencialista (Sartre, Beauvoir), a ideia de que a gente faz o próprio sentido na vida caiu como uma luva. Eu estava construindo um projeto novo na minha rotina (algo totalmente fora da minha “zona segura”), e li sobre “criarmos a nós mesmos” com Sartre e quase pulei de alegria. Pensei: “Caramba, é exatamente essa coragem que eu estou tentando ter agora”. Sem ter estudado filosofia antes, percebi que, inconscientemente, cada fase da minha vida tinha sido como experimentar um autor diferente – às vezes sendo estoica tipo Montaigne, outras mais analítica tipo Kant (rsrs).
Essa mistura de história com introspecção me ajudou a traçar quem eu sou em cada momento. Por isso uma dica para você: ao ler trechos sobre um filósofo, pare para pensar qual visão de mundo combina com você hoje. A Sofia olha para cada pensador e decide que perguntas são válidas pra ela. Na prática, depois de ler sobre vários deles eu sentia: “puxa, eu sou mais pragmática como Aristóteles, ou sou mais do tipo indagadora rebelde como Nietzsche?” Não precisa saber as respostas de cara, mas refletir sobre suas concordâncias e discordâncias fortalece sua identidade.
Exemplo de aplicação: escolha uma ideia filosófica simples do livro (como “o bem supremo” de Platão, ou a dúvida de Descartes) e reflita se isso ressoa em você agora. Anote ou converse com alguém: descobrir com qual visão da vida você mais se identifica pode ser um exercício de autoconhecimento poderoso.
Sair da Cartola do Mágico: Desafiando a Zona de Conforto

Agora, amiga, vem um dos pontos mais chocantes do livro: a famosa metáfora do coelho e da cartola. Gaarder compara o universo a um truque de mágica em que um coelho enorme sai de dentro de uma cartola. No começo, todos nos sentimos na ponta dos pelos do coelho, maravilhados. Mas, à medida que envelhecemos, vamos descendo cada vez mais até a base da cartola – e lá é tão confortável que nem queremos mais subir. No fundo, ficamos deitados na pelagem macia, distraídos, e nem percebemos que um mágico está lá trabalhando. Apenas o filósofo ousa escalar pelos pelos até encarar o mágico no olho, tentando entender como tudo funciona de verdade.
Quando entendi isso, dei um tapa na testa! Quantas vezes já fui a coelhinha lá embaixo? Eu, por exemplo, estava fazendo um projeto pessoal todo automático e confortável — recebia elogios, tinha estabilidade — mas por dentro reclamava da monotonia. Eu era aquele bichinho no fundo da cartola, dormindo enquanto o truque acontecia. O livro me fez rir de mim mesma: percebi que estava vivendo no piloto automático, sem ver o “mágico” (minha própria vida acontecendo). Ao invés de questionar e protagonizar minha história, eu preferia ficar na zona de conforto: ganhando um troféuzinho de “comodismo” sem nem querer saber o que havia além da cena.
Daí eu pensei: está na hora de subir nos pelos, amiga! Foi quando decidi agir diferente. Por exemplo, eu resolvi encarar aquele medo antigo de trocar de área profissional – saí da segurança do meu emprego “ok” e comecei um projeto que sempre quis fazer. Claro que deu frio na barriga, mas senti que estava realmente vivendo meu papel de “filósofa” da minha vida. Viram como a metáfora entra na prática? Em vez de só curtir a almofada debaixo, levantei e vi o artista atrás da cortina.
Reflexão prática: se alguma parte da sua vida estiver “aconchegante demais” (mesmo que segura), pergunte a si mesma se é acomodação. O que você deixaria de confortável se pudesse fazer outra coisa que te desafia? Talvez aprender algo novo, mudar um hábito ou até falar um pouco mais. Cada passo pequeno para subir um pouco é sair da pelagem do coelho e começar a encarar o mágico no olho. É assim que a gente vira protagonista da própria história.
Exercícios Práticos para Colocar em Ação

Beleza, falamos de curiosidade, autoconhecimento e zona de conforto. Agora, como levar tudo isso pro dia a dia? Separei algumas dinâmicas inspiradas pelo livro que podemos fazer na nossa comunidade de leitoras (ou até sozinhas) para praticar filosofia no cotidiano:
Pergunta do Dia: Use as perguntas que Sofia recebe como meditação diária. Por exemplo, hoje proponho: “Quem é você?” (tente responder sem mencionar profissão ou status social). Amanhã pode ser “O que é necessário para uma vida boa?”. Coloque no Instagram ou no seu diário pessoal, reflita e, se quiser, troque ideias com amigas nos comentários. Esse exercício simples força a gente a pensar fora da caixinha – e o legal é que dá pra fazer qualquer hora, do café da manhã à hora de dormir.
Clube de Leitura Filosófico: Que tal formar um mini clube de leitura? O livro é denso em conteúdo, mas leve de ler, então podemos juntar umas amigas, cada semana discutir um filósofo aprendido por Sofia. Por exemplo, Semana 1: debatemos Platão e a caverna; Semana 2: falamos de Descartes; e por aí vai. Pode ser num café ou até por mensagem. A ideia é encarar a leitura como conversa íntima. Cada pessoa conta como aquele filósofo faz sentido (ou não) no seu dia a dia. No final, cada um sai com insights pessoais. Eu mesma montei algo parecido com umas colegas, e rolaram conversas super profundas – foi quase um terapia filosófica em grupo!
Aplicando uma Ideia: Escolha um conceito simples do livro e tente vivê-lo por um dia. Por exemplo, Sofia recebe o exemplo da Lego (“por que o Lego é o brinquedo mais inteligente do mundo?”). Que tal você inventar uma versão disso? Pode ser algo divertido: responda mentalmente perguntas bobas que te desafiem a pensar de outro jeito. Um dia desses, inventei “por que o café que bebo é especial?” e me peguei pensando no ritual, no sabor, em como poderia mudar meus hábitos matinais. Não espere perfeição – o objetivo é sacudir o pensamento um pouco.
Essas atividades podem parecer bobas à primeira vista, mas garanto: elas vão impulsionar aquela fagulha de curiosidade. No fim das contas, “O Mundo de Sofia” é assim – vai além de teoria e te faz agir, pouco a pouco, questionando e refletindo no dia a dia.
Para mim, “O Mundo de Sofia” não é um manual mágico para resolver a vida, mas foi o gatilho de que eu precisava para começar a olhar para minhas próprias perguntas. Não existe fórmula de milagre – mas descobrir o espanto nas pequenas coisas, revisitar antigas certezas com filosofia e sair um pouquinho da zona de conforto mudou como eu encaro cada dia. Eu não virei filósofa da noite para o dia, claro, mas agora caminho pensando: “Tá, e essa experiência, o que me ensina?”
E você, amiga leitora? Ficou com alguma pergunta na cabeça depois dessa conversa? Que tal compartilhar nos comentários qual grande dúvida ou reflexão este livro (ou outro!) despertou em você? Comenta aí: qual a maior pergunta que você quer responder sobre a sua vida? Vamos juntas trocar uma ideia e continuar essa jornada de autoconhecimento. 😉





