Quando percebi que começar o dia já ansiosa não era normal, soube que algo precisava mudar. Eu, Ada, me encontrava presa num ciclo vicioso de notícias ruins e comparações intermináveis nas redes sociais. Logo ao abrir os olhos pela manhã, já rolava meu feed, sendo bombardeada por tragédias e vidas perfeitas. Era como acordar com um peso no peito. Nesse ritmo, não tinha paz e acordar parecia um desafio.
Um dia, uma amiga comentou que eu parecia sempre tão preocupada, e aquilo foi o estalo final de que algo precisava mudar. Fiquei pensando: eu dava tanto poder à internet sobre o meu humor, que parecia estar no controle dela. Felizmente, entendi que não dava para controlar tudo lá fora, mas que eu podia regular o que deixava entrar na minha mente. Foi assim que nasceu a minha Dieta do Pensamento. Nesse processo, adotei a ideia de uma verdadeira “dieta mental”: assim como escolhemos o que comer para nutrir o corpo, passei a selecionar o que consumia para alimentar minha mente de forma saudável.
O Ciclo de Notícias Negativas (Doomscrolling)

Antes, cada manhã era uma corrida pelo pior das notícias: conflitos, desastres e tragédias pipocavam na minha tela. Lembro de um fim de semana em que passei horas rolando feeds de notícias internacionais enquanto tomava café, cada manchete aumentando meu nervosismo. Acabei o dia com o coração acelerado e a cabeça cheia de medos. Até sonhei com um desastre qualquer e acordei no meio da noite com o coração ainda acelerado. Foi quando percebi: esse costume me deixava em estado de alerta permanente, como se eu esperasse que uma catástrofe pessoal acontecesse a qualquer momento.
Decidi mudar. Aos poucos, desativei as notificações em tempo real e troquei o hábito de visitar portais de notícias constantemente por fontes mais ponderadas. Comecei a assinar algumas newsletters semanais de jornalismo de qualidade, que fazem um resumo dos acontecimentos sem sensacionalismo. Também experimentei podcasts diários de notícias em versões curtas – eles me davam informação suficiente e atualizada, mas em doses menores. Não foi uma solução milagrosa, mas ajudou a reduzir bastante minha ansiedade matinal. Quando algo realmente importante acontecia, eu já ficava sabendo pelas minhas fontes selecionadas, sem precisar mergulhar na avalanche diária de más notícias. Dessa forma, consegui recuperar um pouco da paz nas manhãs, começando o dia com mais leveza.
O Estilo de Vida Aspiracional Irreal

Há um tempo, me peguei invejando a vida de outras pessoas nas redes sociais. Seguia influenciadoras que mostravam viagens incríveis e rotinas impecáveis, e isso me deixava mal. Lembro de uma tarde vendo fotos de uma amiga de infância que tinha mudado para o litoral e parecia feliz o tempo todo; de repente, senti que minha rotina era vazia em comparação. O famoso FOMO – aquele medo de estar perdendo algo – me deixava com a sensação de que minha vida era insuficiente.
Percebi que esse estilo de vida aspiracional muitas vezes não passa de ilusão. Por trás daquela foto perfeita da praia, talvez tivesse horas de esforço e momentos difíceis que eu não via. Para quebrar esse círculo, comecei a deixar de seguir quem me fazia sentir assim.
Aos poucos, desfiz-me de alguns perfis que só exibiam luxo e perfeição. Em vez deles, passei a seguir pessoas que ensinam habilidades úteis, compartilham projetos criativos e reflexões de autoconhecimento, ou simplesmente mostram a realidade sem filtros.
Essa mudança teve um efeito enorme no meu dia a dia. Em vez de me sentir para baixo, agora acordo inspirada por imagens e textos positivos e reais. Por exemplo, passei a acompanhar uma artista que faz trabalhos artesanais lindos – e isso me faz querer criar algo com minhas próprias mãos, em vez de sonhar com viagens tão distantes. Sem perceber, comecei a investir meu tempo em aprender coisas novas (como cursos online gratuitos) ao invés de invejar vidas que não me pertencem. Cada vez que dominava algo novo, sentia uma satisfação real que nenhuma imagem perfeita na internet jamais poderia me trazer.
Debates Estéreis e “Cultura do Cancelamento”

Eu sempre fui curiosa e acabava lendo comentários em qualquer discussão acalorada que encontrasse na internet. Polêmicas sobre política, questões sociais, celebridades – parecia que em todo lugar havia briga. Uma vez, me vi debatendo horas em uma thread sobre um assunto que nem me interessava de verdade. Eu rebatia argumentos, me estressava, e no fim nada mudava. Saía desses debates me sentindo exausta e até com raiva gratuita – a sensação de que tinha jogado energia fora.
Percebi que esse tipo de conteúdo tóxico não traz solução nenhuma, só cansa quem participa. Comecei então a aplicar duas táticas simples: silenciar e me afastar. Na prática, bloqueei e deixei de seguir perfis e hashtags que só inflamavam discussões raivosas. Passei a usar as configurações das redes sociais para silenciar palavras-chave negativas (como “ódio”, “briga”, “cancelado”, por exemplo). Quando via um debate pesado, em vez de responder, eu optava pelo silêncio – muitas vezes saía do app e fazia outra coisa. De forma surpreendente, esse silêncio acabou me poupando de muito estresse; percebi que eu não precisava provar nada para ninguém.
Além disso, substituí o tempo gasto em discussões por interesses mais saudáveis. Agora participo de grupos online focados em hobbies meus, como fotografia ou leitura, onde as conversas são inspiradoras. Em vez de me envolver na cultura do cancelamento virtual, estou investindo meu tempo em coisas que me fazem bem. Ainda me informo sobre o que acontece no mundo, mas procuro fontes mais confiáveis e uso filtros: evito fóruns tóxicos e escolho participar de comunidades que agregam positividade à minha vida.
Algoritmos de “Gratificação Rápida”

Os vídeos curtos e infinitos foram meu vício sem perceber. Experimente uma tarde em que eu só planejava ver um único Reels no Instagram e acabei vendo vídeo atrás de vídeo durante horas. A tela do celular acabava me hipnotizando com novidades sem parar, e minha vontade de fazer qualquer outra coisa ia embora. Quando percebi, tinha perdido quase uma tarde inteira me sentindo vazia de propósito. Meu foco e até meu sono ficaram prejudicados: sentia dificuldade para concentrar até em uma simples conversa ou até mesmo ler um livro que antes eu amava.
Para recobrar o controle, fiz alguns ajustes práticos. Primeiro, passei a limitar o tempo no aplicativo: estabeleci um cronômetro de uso de 30 minutos diários para esses vídeos curtos. Quando o tempo acabava, eu fechava o app sem dó. Também experimentei tirar aqueles apps da tela inicial do celular, deixando-os escondidos em outra página, para que fosse mais difícil acessá-los de olhos fechados.
Em vez de gastar horas rolando sem parar, busquei conteúdo mais extenso e enriquecedor. Passei a assistir documentários curtos que me devolviam aprendizado, não somente dopamina instantânea. Também comecei a fazer cursos online gratuitos sobre assuntos que sempre tive vontade de aprender, o que deixava cada hora online com um gostinho de conquista.
Essas novas escolhas não me transformaram milagrosamente em uma pessoa zen, mas fizeram diferença. Minha mente tem agora momentos para descansar e outros para aprender profundamente. A cada dia, sinto meu cérebro reagir menos à tentação de um vídeo sem fim. Colocar limites de verdade foi o que me trouxe de volta a capacidade de me concentrar em coisas importantes, além de permitir que eu me desconectasse sem culpa. Hoje posso, finalmente, terminar um livro sem abrir o Instagram a cada cinco páginas – algo que antes era impossível para mim.
Comparações Estéticas e Filtros Excessivos

Era normal me sentir mal depois de percorrer um feed cheio de corpos perfeitos e maquiagens impecáveis. Cheguei a tirar fotos minhas diversas vezes para tentar alcançar aquela selfie ensaiada de algum perfil glamouroso – só para me sentir frustrada quando comparava. Meu espelho não mentia: a luz do banheiro não era um estúdio, meu corpo não era esculpido nem o cabelo tinha filtros. A autoestima ficava lá embaixo, e todo dia era uma batalha contra sentimentos de insuficiência.
Diante disso, resolvi mudar de rota. Em vez de seguir contas que aumentavam minha insegurança, passei a buscar perfis que celebravam a diversidade do corpo e a saúde real. Descobri o movimento “body neutrality”, onde a ideia é aceitar o corpo como ele é, sem tornar a aparência algo positivo ou negativo demais – apenas natural. Comecei a acompanhar blogueiras e modelos que mostravam seus corpos reais, com estrias, celulite e tudo mais, e falavam sobre se sentir bem no próprio corpo.
Também usei o Pinterest de um jeito mais construtivo. Em vez de deixar a imagem de mulheres perfeitas me trazer para baixo, salvei fotos inspiradoras de projetos manuais, receitas saudáveis e ideias de decoração. Assim, quando abria o app, em vez de me comparar, eu recebia ideias criativas para ocupar a cabeça. Aos poucos, a obsessão com filtros perdeu espaço para a criatividade. O resultado? Ainda estou longe de me sentir perfeita todos os dias – afinal, quem está? –, mas estou aprendendo a olhar no espelho com mais gentileza. Quando me flagro me comparando, respiro fundo e lembro que nem tudo que vejo ali é real – e sigo em frente.
No fim das contas, entendi que ter paz na internet não é sobre se isolar do mundo, mas sobre escolher quem você deixa entrar na sua casa mental. Cada pequena mudança me deu mais controle da minha própria história. Eu não estou prometendo um milagre – ainda sou humana e às vezes escorrego nas velhas armadilhas –, mas sei que estou em um caminho muito mais leve e verdadeiro para mim. Mesmo sabendo que ainda deslizo de vez em quando, sinto que cada passo dessa “dieta mental” me aproxima de uma rotina digital mais tranquila.
E você, amiga leitora, o que pretende cortar do seu dia a dia digital? Compartilhe aqui nos comentários sua experiência ou o próximo passo que vai dar. Será um prazer trocar ideias e aprendizados juntas.
Para resumir, aqui estão algumas estratégias práticas da Dieta do Pensamento:
Limitei a exposição diária às notícias: agora leio apenas newsletters ou podcasts curtos, evitando o bombardeio de portais em tempo real.
Parei de seguir perfis que me faziam sentir mal e passei a acompanhar conteúdos reais e inspiradores – de habilidades, autoconhecimento ou diversão criativa.
Silenciei palavras e hashtags negativas no meu perfil e escolho não entrar em debates improdutivos. O silêncio salva energia.
Coloquei limites no tempo de vídeos curtos (Reels, TikTok) e busquei conteúdos mais longos, como documentários ou cursos online, que oferecem aprendizado em vez de dopamina instantânea.
Valorizei a diversidade do corpo: sigo perfis autênticos (body neutrality) e uso o Pinterest para projetos criativos, não para me comparar.
Eu, Ada, estou nessa também (se eu pudesse evitar todas essas coisas, amiga leitora, kkkk).





