Algumas semanas atrás me peguei no espelho pensando: “Tenho que vencer!”. Era quase um mantra interno, aquela voz acelerada dizendo que descansar era um luxo que eu não podia me dar. Porém, a outra parte de mim sussurrou com mais sabedoria: “Ada, o que adianta vencer algo se quando você chegar lá não tiver saúde mental?”.
Foi como enxergar um preconceito interno bem diante dos meus olhos – a crença de que parar, relaxar ou desacelerar significava fracassar. Foi um momento decisivo onde precisei aplicar a psicologia que me ajudou a entender meus limites, reconhecendo que essa cobrança excessiva nada mais era do que uma mentalidade tóxica.
“Vivemos em uma era que glorifica a ocupação e confunde estar sempre ocupado com ser produtivo.” — Ada
Essa pressão nos adoece; a culpa por descansar era o reflexo de um viés que eu precisava desaprender. Nesse bate-papo, quero compartilhar o que descobri sobre quebrar velhos padrões e ajudar você a encarar os seus.
Por que “Desaprender” é o Caminho

Ao contrário de simplesmente aprender algo novo, desaprender exige coragem. É admitir que nossa antiga maneira de pensar pode estar nos limitando. Eu percebi que estava segurando crenças que nem sabia ter, tipo achar que meu valor dependia de não parar.
Reconhecer esses padrões mentais foi um choque. O teste de Harvard chamado Implicit Association Test (IAT) revelou associações que eu nem percebia ter. Descobrir isso foi o gatilho para mudar: primeiro precisamos identificar o que estamos sentindo no fundo.
Aceitar isso foi libertador. Precisei revisitar lições antigas, como aquelas d’o livro que me fez entender por que cuidar de mim não é egoísmo, para aceitar que o descanso não é sinal de preguiça, mas uma necessidade biológica. Para fazer isso valer na prática, hoje sou rígida com minhas fronteiras digitais para desligar o modo trabalho quando o sol se põe. Afinal, assim como um músculo só cresce após o período de recuperação, nossa criatividade e foco se renovam quando damos uma pausa real ao cérebro.
Vieses Inconscientes: O que os testes não mentem

Por muito tempo, repetia sem pensar certos estereótipos — de gênero, de cultura, de idade — sem notar. O IAT mede a força de associações que fazemos rapidamente e revelou vieses que eu não admitia ter. Perceber isso foi duro, mas essencial. Se até grandes líderes fazem treinamentos para conscientizar sobre atalhos mentais, entendi que nenhuma de nós está imune.
O erro do julgamento precipitado
O Erro: Imaginei que um colega mais velho teria dificuldade com novas tecnologias. Cometi o erro de tirar conclusões antes de ouvir.
A Percepção: Ele assumiu o projetor na reunião e explicou tudo com propriedade. Tive que engolir meu próprio preconceito.
O Ajuste: Perguntei a ele sobre seus desafios e aprendi muito.
A Aplicação Prática: Antes de concluir algo sobre alguém, faço perguntas e tento entender o contexto. A “realidade alheia” pode ser bem diferente da minha.
Ouvir ativamente significa suspender o julgamento. Passei a ouvir para entender, e não para responder ou provar meu ponto. Esse exercício de empatia radical tem sido um aprendizado constante: quando ouvimos sem preconceito, construímos pontes, não barreiras.
Flexibilidade Cognitiva e a Tal da Empatia

A jornada de desaprender me ensinou que, para acolher novas ideias, preciso ser flexível. Essa flexibilidade cognitiva — a capacidade de mudar de ideia diante de novas informações — reforça a empatia.
Cada um de nós carrega um “mapa mental” influenciado por experiências pessoais. Eu já projetei a ideia de que “idosos não entendem de tecnologia” até questionar essa suposição. O ponto de virada foi: em vez de supor, passei a perguntar.
Em uma atividade voluntária em uma escola, interagi com as crianças com curiosidade. Entendi suas motivações não pelo que eu achava que elas queriam, mas observando seus gestos e silêncios. Essa paciência para observar os detalhes eu treinei com a observação de pássaros, um hobby lento que me ensinou muito sobre atenção plena. Hoje, lembro sempre: escutar e observar são tão importantes quanto falar.
Evolução: Diversidade como motor de inovação

No cenário atual, questionar velhos padrões é uma demanda global. Com a rapidez das inteligências artificiais e a hiperconexão, nossos vieses ganham nova dimensão. A tecnologia funciona como um “espelho” das nossas tendências; ajustar nossas percepções é tão urgente quanto entender a máquina.
A diversidade virou combustível para a criatividade. Empresas com equipes diversificadas performam melhor porque enxergam soluções que passariam batidas por olhares homogêneos.
A armadilha dos algoritmos
Nossas redes sociais são alimentadas por algoritmos que geram bolhas de filtro. Se eu só sigo o que reflete minhas ideias, meu feed me isola. Para romper isso, é fundamental buscar deliberadamente novos pontos de vista e expandir o horizonte — algo tão simples e profundo quanto olhar o céu azul para pensar mais na vida fora da tela.
Guia Prático: Passos para sua Jornada

Diversifique seu feed: Siga pessoas e canais fora da sua bolha habitual. Busque perfis com vivências opostas às suas: um amigo de cultura diferente ou especialistas em assuntos que você ignorava.
Pratique a escuta ativa: Da próxima vez que alguém compartilhar uma experiência distinta, não tente dar conselho ou corrigir. Ouça, valide os sentimentos e reflita antes de responder.
Consumo consciente de conteúdo: Escolha fontes que amplifiquem vozes sub-representadas (como o Instituto Geledés). Dedique tempo a seguir pessoas negras, LGBTQIA+ ou de outras minorias. Essas perspectivas expandem seu repertório social.
Um passo de cada vez
Não tem mágica: às vezes a gente se engasga com as próprias ideias antigas, mas sempre dá para engolir um pouco de humildade e aprender de novo. É um músculo que se fortalece devagar.
Minha amiga, compartilhar essa jornada tem sido transformador. Ninguém vai virar outra pessoa num passe de mágica, mas o importante é continuar ajustando rotas, sem pressa nem culpa. Cada vez que questiono um velho pensamento, avanço mais um pouquinho.
Agora quero saber de você: qual preconceito você já reconheceu em si mesma? Como foi começar a repensar isso no seu dia a dia? Deixe seu comentário e vamos seguir essa conversa! 🚀





