A Lição de Autocuidado Que Aprendi Depois de Ficar Doente.

Era uma tarde de outubro de 2018 e eu Ada, com apenas 17 anos, estava determinada a passar em uma prova importante da escola. Passava horas e horas mergulhada nos livros e apostilas, ignorando o sono, a fome e até mesmo os amigos que me convidavam para conversar. Enquanto minhas amigas falavam sobre namoro e festas, eu repetia para mim mesma: “Eu preciso passar nesta prova!”. Com esse pensamento fixo, passei dias estudando sem parar — os olhos grudados nas páginas, café como combustível e as meias noites transformadas em madrugadas em claro.

Em pouco tempo, percebi que havia deixado minha vida pessoal de lado. Não saía para passear, não aceitava convites e chegava a ignorar até minha própria família. Eu estava tão obcecada por vencer aquele desafio escolar que transformei a saúde em segundo plano. Meu corpo começou a dar sinais de alerta que eu ignorava: sentia uma fadiga estranha, uma dificuldade de concentração e, aos poucos, começava a não lembrar direito do que lia. Mas eu acreditava que era só cansaço passageiro. Continuei forçando a barra, certa de que estava mais forte do que qualquer necessidade de descanso.

Até que, depois de três dias sem dormir direito, tudo desmoronou. Eu estava sozinha no quarto durante a madrugada, rabiscando o mesmo conteúdo pela terceira vez, quando de repente senti o coração disparar, a visão ficou embaçada e comecei a ver sombras estranhas no canto dos olhos. O quarto girou e percebi que eu não estava entendendo mais nada. Num instante, minha cabeça deixou de obedecer: as letras nas páginas se embaralhavam, eu suava frio e sentia tremores nas mãos. Nessa hora, eu já não me reconhecia — estava em um lugar escuro dentro da minha própria mente.

O choque da realidade no hospital

Acordei em uma cama de hospital. Tudo estava branco, cheio de sons monótonos de máquinas e vozes preocupadas falando do meu caso. A princípio, não entendia bem onde estava e o que havia acontecido. Aos poucos, os últimos dias violentos de estudos foram voltando à memória: o esforço exagerado, as noites sem dormir e a obsessão em conseguir aquela aprovação. Foram necessários exames, soro e várias perguntas sobre meu estado. Eu, por fim, admiti que não me lembrava de muita coisa — só que, de repente, havia perdido o controle do meu corpo e da minha mente.

Lá, deitada no leito de hospital, tive tempo de sobra para pensar. O que foi que eu estava fazendo comigo mesma? Eu, Ada, sempre tão esperta e decidida, havia levado tudo ao extremo. Por um instante, ninguém ficaria feliz em saber que quase acabou comigo por causa de uma prova. Sozinha no quarto, comecei a chorar. Não de dor física, mas de alívio por estar viva e de vergonha por ter ignorado meu próprio corpo. As enfermeiras me olhavam com preocupação, mas eu olhava para o teto e pensava: “Por um papel, eu quase paguei com a minha vida!”.

Naquele silêncio forçado, um estalo aconteceu na minha cabeça: valeu a pena? O que eu ganharia passando naquela prova se chegasse ali? A resposta foi clara e dolorosa: não valeu nada. Eu havia colocado um objetivo – que até poderia ser importante – acima da minha própria saúde. Mais do que isso, entendi que tinha cometido um erro grave ao achar que nada era mais importante do que aquele resultado. A minha vida, minha sanidade, tudo aquilo que realmente importava, passou a ser secundário diante de uma pontuação.

O aprendizado que ficou

Quando me recuperei, voltei para casa cansada, mas determinada a tirar algo bom daquela experiência. Eu podia jurar que jamais repetiria aquele erro. Aquela situação foi um sinal claro: o autocuidado não era um privilégio para alguns momentos de lazer, mas sim uma necessidade diária. Percebi que, da mesma forma como a escola ou o trabalho são importantes, o meu bem-estar deveria receber atenção igual — senão maior.

Com o tempo, passei a me perguntar: como equilibrar a vontade de conquistar meus objetivos e, ao mesmo tempo, cuidar de mim? A resposta veio das pequenas mudanças. Primeiro, estabeleci um novo limite para o meu corpo: de nada adiantava passar dias inteiros estudando se, no fim, eu acabasse esquecendo tudo ou pior, desmaiando. Entendi que estudar de forma eficiente exigia descanso e períodos de distração para o cérebro processar o conhecimento. Assim, fiz uma coisa simples: comecei a programar pausas regulares. A cada duas horas de estudo, levantava-me para beber água, alongar ou apenas encostar a cabeça por alguns minutos. Era como dar ao meu corpo uma lembrança de que eu estava ali, e ele importava tanto quanto meus livros.

Outra lição valiosa foi perceber que não preciso ser perfeita o tempo inteiro. Eu descobri que, na minha rotina, dizer “não” era um ato de amor-próprio. Logo depois da recuperação, cheguei na escola dizendo sinceramente que precisava de repouso e acabou um pouco do medo de enfrentar o que havia acontecido. Algumas pessoas ficaram preocupadas, mas muitas amigas confidenciaram ter passado por algo parecido. Isso me ensinou que não estou sozinha e que ser honesta sobre meus limites não me faz fracassar. Pelo contrário, faz de mim alguém mais forte para lidar com os desafios que ainda vão aparecer, porque assumo minha fragilidade sem negação.

Como aplico o autocuidado na prática

Hoje, anos depois daquele dia, olho para o meu reflexo na janela pela manhã e me lembro dos alívios que a vida me deu. A experiência serviu de lição, mas não acabou ali. Continuo aprendendo a cada dia o que significa cuidar de mim mesma. Para não voltar aos velhos hábitos, adotei práticas que podem parecer básicas, mas fazem toda diferença:

  • Priorizar o sono: Estabeleci horários para dormir e para acordar. Desligo as telas pelo menos uma hora antes de me deitar e leio um livro leve ou ouço música relaxante. Já vi o quanto uma boa noite de sono faz meu humor melhorar e meu rendimento aumentar no dia seguinte.

  • Fazer pausas saudáveis: Não fico mais horas seguidas batendo cabeça. Às vezes, faço uma caminhada curta pelo bairro, olho o céu e respiro fundo. Outras vezes, vejo um episódio de série curta, brinco com meu pet ou preparo um lanche gostoso. Esses momentos de descanso me ajudam a voltar aos estudos ou ao trabalho com a cabeça mais fresca.

  • Ouvir meu corpo: Aprendi a reconhecer os sinais de cansaço físico e emocional. Quando sinto dor de cabeça frequente, irritação sem motivo ou simples desânimo, levo a sério: paro, respiro fundo e baixo o ritmo. Às vezes, um banho morno, uma massagem ou uma noite de sono extra resolvem. Se for algo mais sério, procuro um médico ou terapeuta. Hoje sei que ignorar sintomas não me torna mais forte, apenas me prejudica.

  • Valorizar o equilíbrio: Toda semana, reservo pelo menos um dia para ficar longe de obrigações. Posso sair com as amigas, ir ao parque, meditar ou ficar em silêncio me recuperando. Tento manter hábitos saudáveis, como exercícios físicos regulares e alimentação balanceada. Não porque acredito em fórmulas mágicas, mas porque quero dar nutrientes reais ao meu corpo e não prejudicar mais a minha saúde. Esses cuidados diários me mantêm mais resistente aos imprevistos da vida.

Não foi fácil encarar tudo isso e falar sobre o assunto. Ainda assim, hoje eu sei que contar essa história pode ajudar outras mulheres que, assim como eu, às vezes se cobram demais. Espero que você não precise dar de cara com a realidade como eu dei para entender que nossa saúde é nosso bem mais precioso. E quando eu digo saúde, não é só o físico – é cuidar da cabeça, do coração e de cada parte da gente.

Cada vez que olho para trás e vejo onde eu cheguei, sinto orgulho de ter aprendido essa lição. Sei também que sempre haverão novos desafios, mas descobri que dá pra encará-los de forma diferente: ouvindo o próprio corpo e respeitando o tempo necessário para descansar. Não precisa esperar uma crise para se importar consigo mesma.

Se algo da minha história fez sentido para você ou mexeu com suas lembranças, compartilhe nos comentários. Me conta: o que você faz para se cuidar? Sua experiência pode inspirar outras amigas. Vamos juntas, uma ajudando a outra a nunca mais repetir os mesmos erros e a valorizar a vida acima de tudo.

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