Oi amiga, tudo bem? Aqui é a Ada, e hoje eu quero compartilhar algo muito pessoal e verdadeiro com você. Sabe aquele sentimento estranho de vulnerabilidade que às vezes bate no peito sem avisar? Eu vivi algo assim em um sábado comum, mas que acabou me ensinando muito sobre empatia e humanidade.
Quando saí do trabalho naquele dia de sábado, por volta das 15 horas, a tarde já estava meio cinza. Eu trabalhava até as 16 horas e estava organizando minhas coisas com as colegas, animada para um fim de semana relaxante. De repente, recebi uma ligação da Alice, minha melhor amiga. Ela me disse: “Ada, chega aqui rapidinho! Quero te mostrar algo do trabalho!” Claro que eu topei na hora. Combinei de ir até lá assim que pudesse.
Enquanto isso, olhei pela janela da empresa. Para o meu espanto, o céu que estava claro no início da tarde agora tinha se fechado em nuvens carregadas, e de repente uma chuva forte começou a cair. Gotas de água batiam no vidro, criando filetes que escorriam pela janela. Relâmpagos surgiam ao longe, iluminando as ruas molhadas que refletiam as luzes alaranjadas dos postes. O vento frio fazia as árvores balançarem, e o aroma da terra molhada subiu pelo ar. Meu estômago deu um frio. Pensei: “Como vou para casa assim? Jesus!”
Levantei-me, peguei minha bolsa e segui as últimas pendências dentro do escritório. Cada passo parecia mais difícil com o som da chuva crescendo do lado de fora. De repente, uma ventania sacudiu a porta, fazendo o guarda-chuva que eu carregava tremer em minhas mãos. Conforto nenhum, só aquele frio me lembrando da chuva torrencial que caía. Fui até a calçada, alcancei o guarda-chuva, que parecia pequeno e frágil diante do temporal. Olhei o preço do Uber no celular e quase tive um infarto: era muito caro, impossível naquele momento. Além disso, eu não sou rica, tenho uma vida normal. Resolvi então esperar a chuva diminuir e pegar um ônibus qualquer.

Fiquei parada na parada de ônibus, me protegendo do aguaceiro com o guarda-chuva que mal dava conta. As folhas das árvores das avenidas brilhavam molhadas e os paralelepípedos refletiam o mundo alaranjado da rua. Quando olhei para as luzes amarelas que se acendiam ao entardecer, notei algo do outro lado da rua, em frente a um posto de gasolina. Havia um garotinho parado sozinho na calçada, completamente encharcado da cabeça aos pés, segurando um copo simples e pedindo alguma coisa. Ao lado dele, havia um carro grande, de luxo, e um homem bem vestido abastecendo no posto.
Aproximei-me devagar do garoto. Quando ele me viu atravessando a rua, ficou um pouco assustado. Fez uma reverência tímida e disse baixinho: “Desculpe, senhora… Eu não quero atrapalhar seu caminho.” Ele parecia tão envergonhado em pedir ajuda que meu coração deu um aperto. No rosto molhado, ele segurava um leve sorriso trêmulo. Por um momento, pensei em continuar meu caminho sem olhar para trás. Mas então uma voz dentro de mim disse que eu não podia simplesmente ignorá-lo. Decidi agir.
— Fica aí, meu bem — disse eu com um sorriso gentil. — Eu já volto com algo pra você, tá bom?
O menino assentiu em silêncio, surpreso. Enquanto esperava ali, meu coração acelerou de emoção. Peguei o guarda-chuva com as duas mãos, dei mais alguns passos, depois voltei. Usei o dinheiro do Uber que eu tinha guardado para mim para comprar algo para ele. Entrei no mercadinho do posto e escolhi um lanchinho simples: um pacote de bolacha recheada e uma garrafa de suco. Enquanto pegava os itens, pensei no contraste da situação: eu gastaria o mesmo valor em um Uber, mas ali aquele valor compraria um gesto de carinho e compaixão.
Entreguei a ele um dos sanduíches de bolacha recheada e a garrafa de suco, dizendo com um sorriso: “Está aqui, meu bem, pra você.” O menino deixou escapar um largo sorriso de alívio. Seus olhos brilhavam enquanto ele agradecia baixinho: “Muito obrigado, senhora…” Ele abriu a garrafa e tomou alguns goles de suco antes mesmo de tocar na bolacha, mostrando o quanto estava faminto. Aquele momento simples me invadiu com uma mistura de emoções. Eu estava emocionada por ver o impacto que meu gesto tinha na vida daquele pequeno estranho.
Enquanto o garotinho se deliciava com o lanche, eu observei de longe. Ele estava encolhido um pouco para se aquecer, mas com os olhos atentos em cada movimento que eu fazia. Eu também tremia levemente, mas por outros motivos: senti minhas mãos trêmulas de um jeito bom, um misto de adrenalina e compaixão. Ele perguntou como eu sabia que ele gostava de bolacha recheada, e rimos juntas da minha escolha. Por um instante, dois estranhos ali sob a chuva torrencial se conectaram de uma forma linda e inesperada.
Aquele garotinho me ensinou uma lição de humanidade. Percebi que eu não sou dona da verdade nem melhor que ninguém, mas entendi que com pouco podemos gerar grandes gestos. Eu, que às vezes me comparo com outras pessoas e fico orgulhosa de economizar cada centavo, naquele momento entendi que ficar na minha posição confortável nem sempre é a melhor escolha. Eu podia muito bem ter seguido meu caminho, mas escolhi agir. Quando ele me agradeceu, minha alma se aqueceu de uma forma que eu não sabia que era possível.
Essa experiência me tocou de forma tão profunda que me fez perceber: mesmo gestos pequenos podem criar grandes lições. Aprendi sobre generosidade e empatia de um jeito que palavras não alcançariam. Naquele dia, descobri que estar vulnerável e aberta ao momento me conectou de maneira humana com aquele estranho. Desde então, aquela imagem do sorriso tímido do menino ficou guardada em mim como um lembrete de que somos capazes de muita bondade.
Outras lições da vida real
Esse encontro na chuva foi só o começo. Minha vida, assim como a da maioria das pessoas, está cheia de momentos simples que me ensinaram sobre vulnerabilidade e sobre o que nos torna humanos.
Quando perdi o meu primeiro emprego

Um ano antes desse episódio, eu estava passando por um daqueles momentos difíceis. Eu ainda era nova em uma empresa e achava que minha carreira estava decolando, até que de repente fui chamada pelo meu chefe em uma reunião. Ele me disse que, por cortes, meu contrato seria encerrado. Foi um choque tão grande quanto um soco no peito. Saí daquela sala sentindo o chão mudar debaixo dos meus pés.
Lembro nitidamente da sensação de atravessar o estacionamento do prédio, com o céu cinza acima e o vento frio na pele. Eu me sentia tão fracassada, tão vulnerável. Cheguei em casa com a cabeça baixa, sem saber como contar para meus pais. Fui direto para o quarto e chorei escondida, enquanto meus batimentos aceleravam e meu peito doía. Foi a primeira vez que admiti pra mim mesma o quanto estava perdida e assustada. Eu me permiti chorar, e naquela noite percebi que não sou de ferro. Não precisava fingir força o tempo todo.
Nos dias seguintes, enquanto procurava outro emprego, conversei honestamente com minha mãe e meus amigos mais próximos sobre o que eu sentia. Minha mãe me abraçou forte e me falou que errar faz parte da vida, que ela também sentiu o mesmo quando tinha a minha idade. Ela sentou ao meu lado no sofá, segurou minha mão e me ouviu desabafar sem julgamentos. Naquela conversa, eu percebi que pedir ajuda emocional não era sinal de fraqueza, mas de coragem.
Alguns dias depois, comecei a pensar em alternativas, arrumei outro serviço em uma empresa menor, mas bem acolhedora. Descobri habilidades que eu nem sabia ter enquanto buscava novas oportunidades: escrevi currículos, pratiquei entrevistas, me reinventei. Perdi o emprego e ganhei algo valioso: a certeza de que tropeços fazem parte da jornada. Hoje vejo que a insegurança que senti naquela época me ensinou muito sobre resiliência e me preparou para enfrentar novos desafios com confiança.
Quando pedi ajuda para uma amiga

Outra situação em que percebi o poder da vulnerabilidade foi num dia de ansiedade forte. Eu estava lidando com muitos problemas pessoais e me sentia sobrecarregada, como se estivesse sozinha naquele turbilhão de emoções. Sempre fui orgulhosa de não querer atrapalhar ninguém com meus problemas, achando que tinha que resolver tudo sozinha. Mas naquele dia eu senti que não dava mais, que não conseguiria sustentar aquela solidão.
Então resolvi ligar para a Bia, minha melhor amiga desde os 16 anos. Tirei coragem e disse: “Bia, não estou nada bem hoje, posso passar aí na sua casa para conversar?” Ela imediatamente me acolheu, reforçando que sempre haveria um lugar seguro comigo. Na casa dela, a sala estava aconchegante, iluminada por uma luz suave. Eu me sentei e, antes que pudesse segurar, desabei a contar tudo: o quanto eu estava ansiosa no trabalho, as brigas que tive em casa, a sensação de que nada estava dando certo.
Bia me ouviu atentamente, com empatia nos olhos. Ela preparou um chá de camomila e serviu em uma caneca simples. O aroma suave do chá logo me envolveu, deixando a sala ainda mais aconchegante. Ela colocou uma manta sobre os nossos joelhos e me deixou falar sem interrupções. Enquanto falava, sentia um peso saindo do meu peito a cada palavra dita. Ela gentilmente apertou minha mão e disse: “Amiga, eu estou aqui com você.” Naquela sala acolhedora, percebi algo importante: ao me mostrar vulnerável com alguém de confiança, eu não estava fraca; pelo contrário, ganhei apoio e força naquele abraço apertado.
Depois daquela conversa, comecei a encarar a vulnerabilidade de maneira diferente. Eu entendi que abrir meu coração para os outros não era um fardo, mas um alívio. Hoje, converso com a Bia regularmente sobre o que sinto – seja alegria ou tristeza – e percebi que falar dos meus sentimentos, ao invés de engolir tudo, me torna mais leve e mais conectada com quem amo. Aprendi que todos precisamos de apoio em certos momentos, e admitir isso é um ato de coragem que fortalece nossas relações.
Quando compartilhei algo nas redes sociais

Outra vez, lembrei de quando decidi compartilhar minhas inseguranças num vídeo que publiquei online. Na época, eu tinha acabado de começar meu canal como criadora de conteúdo e achava que precisava mostrar uma imagem perfeita. Era uma noite tranquila: a luz suave do computador iluminava o quarto, e a única companhia era uma caneca de chá ao lado do teclado. Mas um dia, sentindo que algo estava faltando, gravei um vídeo contando minhas dúvidas sobre a autoestima e o medo do futuro. Meu coração batia rápido enquanto eu editava o vídeo, imaginando quem veria aquilo.
Publiquei o vídeo com as mãos trêmulas. Nas primeiras horas, eu quase não dormi esperando comentários. Para minha surpresa, começaram a chegar mensagens lindas de pessoas que se identificaram comigo. Uma garota escreveu dizendo que, por ter me visto chorando no vídeo, sentiu coragem para falar sobre seus próprios medos. Ler aquilo fez meu peito se encher de gratidão. Eu chamei minha irmã para assistir comigo, e até ela disse que me viu de um jeito mais verdadeiro.
Aquela experiência me ensinou que compartilhar a minha verdade, mesmo que dolorosa, não me enfraquecia — na verdade, me humanizava e tornava minha mensagem mais autêntica. Percebi que, ao ser vulnerável na internet, eu não apenas ajudava outras pessoas, mas também me sentia mais livre, porque não precisava fingir ser perfeita. Cada elogio que recebi me mostrou que minha voz podia inspirar e confortar quem passava por situações semelhantes. Foi um lembrete de que ser autêntica é uma forma poderosa de conexão humana.
Dicas práticas para abraçar a vulnerabilidade

A gente falou sobre algumas histórias da minha vida. Agora, quero compartilhar com você algumas dicas práticas que me ajudam a lidar com a vulnerabilidade no dia a dia, sem precisar de mudanças drásticas ou dinheiro. São coisas que você pode começar a fazer amanhã mesmo, para se sentir mais conectada e corajosa:
Converse com alguém de confiança: Escolha uma amiga, um familiar ou até alguém no trabalho que já conheça bem. Abra seu coração sem medo de ser julgada. Quando você fala sobre o que sente, o alívio é enorme. Depois que eu contei tudo para a Bia, senti minhas preocupações mais leves. Às vezes só pedir um café com alguém querido já ajuda muito.
Escreva num caderno ou diário: Colocar no papel os sentimentos, mesmo que ninguém vá ler, ajuda a organizar o coração. Pode ser só uma frase solta ou um desabafo inteiro. Eu, por exemplo, escrevo antes de dormir sobre o meu dia e como me senti. Isso me ajuda a entender o que está acontecendo dentro de mim e dá sentido às emoções.
Pratique pequenos atos de gentileza: Ajudar alguém, mesmo que seja com um sorriso ou um elogio, reforça o quanto somos humanos. Como no caso do menino na chuva, percebi que um ato simples de bondade me encheu de alegria. Experimente segurar a porta para alguém, fazer um elogio sincero ou doar roupas que não usa mais. Esses pequenos gestos aquecem o coração de quem recebe e de quem pratica.
Aceite suas imperfeições: Todo mundo falha em algum momento. Se algo não sair como você esperava, observe o que aprendeu. Ninguém nasceu sabendo de tudo. Eu me recordo de como fiquei triste quando perdi meu emprego, mas hoje vejo que aquela experiência me fez mais forte. Abraçar a ideia de que é normal tropeçar pode trazer mais leveza aos dias.
Reserve um tempo só para você: Faça algo que te faça bem, mesmo que seja simples. Pode ser caminhar no parque, preparar um café especial ou ouvir sua música favorita. Quando cuidamos da nossa mente e do nosso corpo, ficamos mais preparados para lidar com momentos difíceis. Nos dias mais cinzentos, um banho quente e uma música preferida salvam o meu astral.
Coloque-se em novos desafios aos poucos: Fazer algo novo, como falar em público ou participar de um curso, deixa a gente vulnerável no início. Por isso, vá devagar. Comemore cada passo. Por exemplo, se você tem vontade de desenhar mas tem vergonha, comece fazendo um traço por dia. Cada avanço, por menor que seja, dá confiança para o próximo desafio.
Permita-se sentir e valorize isso: Se estiver triste, chore. Se estiver feliz, ria alto. Sinta cada emoção sem fingir que tudo está sempre bem. Às vezes estamos passando por algo difícil, e fingir que está tudo bem só aumenta o peso no coração. Eu descobri que dar um tempo para minhas emoções fluírem — chorando no travesseiro ou comemorando uma pequena vitória sozinha — me faz entender melhor quem eu sou e me deixa mais leve.
Faça pausas e respire fundo: Em momentos difíceis, permita-se parar um instante. Feche os olhos e faça respirações profundas: inspire pelo nariz contando até quatro, segure o ar por um segundo, e depois solte devagar contando até quatro. Esse exercício simples ajuda a acalmar o coração e a clarear a mente. Eu mesma uso essa técnica sempre que me sinto sobrecarregada, e sinto uma diferença enorme na minha calma depois.
Pratique a gratidão: Ao final de cada dia, lembre-se de agradecer por três coisas boas que aconteceram, por menores que sejam. Pode ser o sorriso de alguém na rua, uma refeição gostosa ou uma mensagem carinhosa. Focar no positivo ajuda a treinar o coração a ver beleza e aprendizado até nos dias mais difíceis.
Cuide do seu corpo: Exercícios simples como caminhar no quarteirão ou alongar-se ajudam a equilibrar as emoções. Quando me sinto pra baixo, uma voltinha ou dançar a minha música favorita sempre melhora meu humor. Mover o corpo faz bem e mostra que cuidar de mim também é um jeito de ser forte.
Seguindo essas dicas, amiga, você vai ver que se abrir faz parte de ser forte. A vulnerabilidade, quando encarada com carinho, vira aliada da nossa coragem e da conexão que construímos com os outros.
A importância de sermos humanos
No fim das contas, ser humano significa sentir, errar, chorar e, às vezes, ter coragem de mostrar tudo isso. Cada história que contei aqui faz parte de quem eu sou hoje. Não tem nada de errado em ser vulnerável. Ao contrário: isso me ensinou a viver com mais empatia, a valorizar os pequenos gestos e a entender que, no fundo, todos queremos ser vistos e ouvidos.
Por isso, quero te deixar uma mensagem inspiradora: abrace sua vulnerabilidade, amiga. Permita-se sentir e a compartilhar o que tem no coração. Você vai descobrir que, assim, todos nós nos tornamos mais fortes e mais unidos. A vulnerabilidade transforma medos em força e solidão em conexão.
Eu espero que minha história tenha tocado seu coração assim como tocou o meu. Se ela te inspirou de alguma forma, compartilhe nos comentários uma experiência em que você tenha sido vulnerável ou ajudado alguém. Adoro saber das histórias de vocês e aprender com cada experiência real. Realmente adoraria muito saber o que você achou dessa história, amiga. Compartilhe também nos comentários a sua experiência ou opinião. Até o próximo capítulo da nossa vida! Nos vemos!





