A Regra do ‘Encontro Comigo Mesma’: Por Que o Autocuidado É Meu Primeiro Compromisso.

Quando acaba o expediente e eu volto para casa exausta, só quero um tempo silencioso para mim. Já aconteceu com você? Eu, Ada, percebi que esse momento de calma diária se tornou uma espécie de regra pessoal – quase um “encontro comigo mesma” obrigatório. Descobri isso sem querer, num dia comum no trabalho. Enquanto conversava com colegas sobre o corre-corre do dia, minha amiga Alice me ligou animada: “Ada, quer vir aqui em casa depois do serviço? Quero te mostrar uma coisa!” Ao chegar lá, ela apontou algo curiosíssimo – o assunto era exatamente o mesmo que eu discutira com as meninas da firma: nossos rituais de autocuidado depois de um dia estressante. Cada uma contou o seu: uma tomou um banho gelado relaxante, outra fez alongamentos ouvindo música, outra se jogou na cama para ver série, e todas tinham aquele momento “só meu”. Na hora eu ri: como é que todas nós já praticamos sem nem pensar esse dever silencioso de cuidar de nós mesmas? Até aquele momento eu não tinha parado pra pensar que o meu ritual também era importante. A partir daí, comecei a prestar atenção nas minhas próprias práticas.

Foi aí que percebi um aprendizado poderoso: todas precisamos de um ritual de autocuidado, mesmo sem saber. No meu caso, depois daquele “encontro inesperado” percebi que meu ritual de fato existe: é escrever aqui no meu diário (ou no blog) e alongar o corpo antes de dormir. Escrutar em palavras os pensamentos do dia e esticar os músculos virou parte sagrada da minha noite. Para mim, pegar o caderno e escrever é uma forma de colocar para fora as preocupações e libertar a mente. Os especialistas chamam isso de journaling, e há estudos mostrando que escrever sobre nossos medos e frustrações ajuda a liberar tensões e reduzir o cortisol, aquele hormônio do estresse. Depois de uns minutos colocando tudo no papel, minha cabeça já fica mais leve.

Também descobri que alongar antes de dormir faz uma diferença incrível. Basta alguns minutos de movimentos suaves para o corpo perceber que o dia acabou. Sempre gostava de sentir minhas costas e ombros se soltando na hora do alongamento – é o sinal para o meu organismo de que é hora de relaxar. Pesquisas confirmam esse efeito: alongamentos leves ativam o sistema nervoso parassimpático (aquele do relaxamento) e até cinco minutos já são suficientes para ajudar o corpo a entender que vai descansar. Até a Harvard Health Publishing reforça: alongar os músculos à noite reduz tensões acumuladas e melhora a qualidade do sono. Hoje, antes de dormir, eu simplesmente inclino o corpo para frente, estendo as pernas e respiro fundo, como se estivesse “dizendo” para cada parte do meu corpo que está tudo bem. É meu momento de agradecer ao corpo pelo dia e deixá-lo pronto para descansar.

Entendi, então, que ignorar esses sinais de cansaço nunca funciona bem. Certa vez tentei pular meu ritual: cheguei em casa tão cansada que joguei meu caderno de lado e fui direto deitar, achando que dormir imediatamente resolveria tudo. A noite, no entanto, foi difícil – acordei várias vezes com a mente acelerada. Aquilo foi um sinal de alerta. Percebi que, quando negligencio meu autocuidado, fico ainda mais ansiosa no dia seguinte. Foi aprendendo “na prática” que passei a dar prioridade a esse cuidado comigo mesma. Hoje procuro nem sempre seguir à risca tudo o que planejo – afinal, alguns dias o tempo falta – mas tento garantir pelo menos algo: se não dá para escrever, dedico dois minutos à respiração profunda; se não consigo meditar, dou um alongamento simples.

Seguindo esse aprendizado, adotei outra prática que funciona comigo: meditação guiada de 5 minutos antes de dormir. Mesmo sendo curta, ela desacelera meu coração. Estudos apontam que a meditação ajuda a reduzir o estresse e melhorar a qualidade do sono. Em outras palavras, respirar com atenção e acalmar a mente é tão eficaz quanto os meus alongamentos. Notei que, quando faço isso constantemente, fico menos irritada e durmo mais profundamente. Aliás, não é só impressão: quem pratica o autocuidado com frequência costuma ter níveis muito menores de ansiedade e depressão. Cada pequena pausa de cuidado só com a gente contribui para um equilíbrio emocional maior. Por isso, mesmo sem milagres instantâneos, percebo que esse primeiro compromisso comigo mesma faz com que eu acorde no outro dia com mais disposição e menos peso emocional.

Benefícios comprovados do encontro consigo mesma

O que experimentei na prática tem respaldo científico. Vários estudos e especialistas reforçam que cuidar de si tem efeitos reais na saúde. Por exemplo, pessoas que reservam tempo para o autocuidado diariamente tendem a ter menos ansiedade, menos depressão e mais autoestima. Um relatório acadêmico lembra que uma rotina de autocuidado promove hábitos saudáveis e melhora a qualidade de vida, a produtividade no trabalho, os relacionamentos e a confiança em si mesmo.

  • Menos estresse e mais calma: Parar para respirar fundo, alongar ou escrever diminui o nervosismo acumulado. Pesquisas mostram que movimentos leves para relaxar ajudam a liberar tensões do dia e preparam o corpo para um sono tranquilo. Da mesma forma, estudos da Harvard Medical School confirmam que a meditação diária reduz o cortisol (hormônio do estresse) e melhora o descanso. Assim, fazer uma pausa consciente ativa o sistema de relaxamento do corpo e dá aquela sensação de alívio imediato.

  • Sono de melhor qualidade: Transformar a preparação para dormir num ritual sinaliza para o cérebro que chegou a hora de descansar. Segundo especialistas, criar um pequeno ritual noturno (como alongar junto com respirações lentas) cria uma “associação positiva” entre o fim do dia e o relaxamento. O resultado é uma transição mais suave da rotina agitada para o sono. Inclusive a Harvard Health destaca que alongar à noite reduz tensão muscular e “contribui para um descanso mais eficiente”, o que significa acordar no outro dia mais renovada.

  • Mais autoconhecimento e autoestima: Fazer algo só para você reforça o amor-próprio. Quando damos atenção às necessidades do próprio corpo e da mente, ficamos mais conscientes dos nossos limites e prioridades. Isso se reflete em decisões mais equilibradas no dia a dia. Guardar uns minutos antes de dormir para anotar conquistas do dia (mesmo as pequenas) aumenta a gratidão e a perspectiva positiva; estudos de psicologia mostram que anotar coisas boas pelas quais somos gratas reduz sintomas de ansiedade e depressão. Eu mesmo passei a perceber até sorrisos em situações corriqueiras, só por valorizar o que acontece de bom em cada dia.

  • Bem-estar geral: Em resumo, investir naquele tempinho só seu traz benefícios cumulativos. Especialistas lembram que uma rotina de autocuidado regular colabora para saúde física, mental e emocional – e consequentemente melhora nossa produtividade, relacionamentos e autoestima. Cada pequeno hábito (mesmo um banho rápido, um alongamento ou alguns suspiros no silêncio) pavimenta uma base mais sólida para enfrentar os desafios. Em vez de ser egoísmo, o autocuidado é auto-observação: um carinho que aprendemos a dar à pessoa mais importante da nossa vida – nós mesmas.

Como criar seu próprio ritual pessoal

Nada disso significa que exista apenas uma receita ou uma “receita milagrosa”. Cada pessoa é única, e o importante é encontrar algo que funcione para você. Aqui vão algumas sugestões práticas para você começar hoje mesmo o seu encontro pessoal:

  • Desconecte-se para reconectar: Reserve de 5 a 15 minutos só para você no fim do dia. Desligue o celular ou dê uma distância das telas pelo menos meia hora antes de dormir. Esse tempo longe de notícias e redes sociais ajuda a mente a desacelerar e ficar mais presente consigo mesma.

  • Invista no relaxamento físico: Um banho morno ou alongamentos leves são poderosos. Alongar braços, pernas e costas enquanto respira fundo, por exemplo, libera os nós do dia. Não precisa ser nada difícil — cinco minutos já bastam para o corpo entender que vai descansar Eu, por exemplo, deito no colchonete, toco cada parte do corpo e sinto o peso do dia escorrendo.

  • Coloque seus pensamentos no papel: Escrever num diário é uma forma de conversar consigo mesma. Não importa se é um bilhete rápido ou um texto descontraído: anotar o que sente ou as três coisas boas do dia muda muito a cabeça. Essa prática de gratidão e expressão diminui a ansiedade. No começo posso até parecer estranho, mas aos poucos fica instintivo anotar um alívio ou um sorriso daquele dia – e você vai perceber que passa a dormir pensando em coisas positivas.

  • Respiração consciente ou meditação: Se desejar, use técnicas simples de respiração para acalmar a mente. Sente-se confortavelmente, feche os olhos por alguns minutos e concentre-se no ar entrando e saindo. Mesmo sem experiência, colocar a atenção na própria respiração é um “reset” rápido para a cabeça. Existem áudios guiados e vídeos de 5 minutos que podem ajudar. Eu mesma gosto de acompanhar uma meditação leve antes de apagar a luz; experimente e veja se não melhora seu humor para dormir.

  • Ambiente tranquilo: Tente criar um clima suave no seu espaço. Pode ser baixando a luz, acendendo uma vela perfumada ou colocando uma música calma ao fundo. O importante é sinalizar ao corpo que acabou a correria. E lembre-se: não precisa seguir tudo certinho todos os dias. O objetivo é flexibilizar esse compromisso pessoal, não transformá-lo em mais um item da to-do list doida.

Cada ritual é único. Talvez o seu seja tomar um chá quentinho, fazer um skincare rápido ou simplesmente sentar em silêncio na janela. O fundamental é cumprir esse compromisso diário consigo mesma, nem que sejam cinco minutos. Com o tempo, você sentirá que esse encontro vira uma parte essencial da rotina – assim como se tornou para mim.

O “Encontro Comigo Mesma” não é uma moda nem uma lista de tarefas; é um lembrete de que você é sua prioridade. Cada um de nós merece esse carinho diário, por mais simples que seja. Não vou prometer que a vida muda da noite para o dia, mas garanto que acumular esses momentos de autocuidado faz muita diferença. Se por acaso você descumprir o ritual de vez em quando, tudo bem – o importante é sempre poder voltar a ele sem culpa.

Então, me conte: qual é o seu pequeno ritual noturno? Reserve um tempo hoje para refletir nisso ou até começar um novo hábito. Se quiser compartilhar, deixo o convite: comente aqui como você gosta de se encontrar consigo mesma. ‪Você vai se surpreender como esse primeiro compromisso consigo dá força para encarar o amanhã com mais leveza.‬

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