Eu me lembro de quando, no escritório, eu silenciava a minha própria opinião para me encaixar no grupo. Aquilo me incomodava profundamente, porque eu sentia que não era a Ada verdadeira falando, mas sim uma pessoa inventada – séria, contida, até meio chata. Na vida pessoal, eu era exatamente o oposto: sorridente, espontânea e cheia de brilho. Só que, dentro daquele prédio, eu não conseguia mostrar isso. Foi só depois de uma conversa franca com a colega Sandra que percebi que precisava retomar quem eu realmente era. Mais tarde, descobri que autenticidade significa, em essência, “ser fiel a si mesmo”. E ali entendi o que tinha se perdido: a minha voz.
Por que é difícil ser você mesma no trabalho

No dia a dia do trabalho, muitas vezes acaba parecendo mais “seguro” sair do modo natural. Achei que precisava misturar meu jeito com o dos outros, até para dar certo no emprego. Mas nem sempre funciona assim. Pesquisas mostram que não estou sozinha: uma grande parte das pessoas também esconde quem são de verdade no ambiente profissional. Um estudo da Deloitte descobriu que três quartos de nós encobrem parte da própria identidade no trabalho para tentar se encaixar. Eu mesma via que fingir era algo comum e, por isso, cheguei a achar que era “normal” deixar meu brilho de lado.
Mas essa cobertura tem um custo. Manter uma “máscara profissional” cansa – e não só a alma, mas o corpo. A conclusão de um grupo de pesquisadores de Cambridge foi clara: reprimir seu comportamento natural está ligado a problemas de saúde, como a diminuição da função imunológica. Ou seja, forçar um personagem no trabalho pode deixar seu coração acelerado e os ombros tensos, aumentando o estresse. Da minha parte, eu sentia cada dia de falsidade como um peso extra – energia gasta sendo quem eu não era.
Deixar uma imagem falsa no rosto para os colegas pode até parecer inofensivo, mas logo percebemos que nem sempre funciona. Semanas antes da conversa com a Sandra, eu tentava sorrir o tempo todo enquanto um turbilhão de ideias sinceras se perdia. Foi só parar por um momento e refletir que vi o estrago: eu quase tinha apagado o meu próprio brilho. Percebi então que continuar desse jeito me afastava cada vez mais da pessoa que sou de verdade. Não era só impressão minha: fingir durante muito tempo mina nossa energia e confiança. Decidi que era hora de buscar uma mudança.
O puxão de orelha que despertou minha voz

A virada veio em um dia comum de trabalho. Eu descia para almoçar em uma lanchonete perto do prédio, comendo silenciosamente, quando Dona Sandra – uma colega veterana de mais de 20 anos – perguntou o que eu tanto guardava. Ela era experiente, percebia o que eu escondia. Já preocupada com meu semblante cabisbaixo, ela me encarou e disse, com carinho:
“Ada, eu sei que você anda se diminuindo pra agradar todo mundo. Posso ser sincera? Para com isso, menina! Esse negócio de fingir vai matar o seu verdadeiro eu.”
Naquele instante, meu coração disparou. Eu estava explicando a ela o que se passava na minha cabeça, mas sem perceber o impacto: minha voz dava sinais de cansaço. Ela me puxou para um abraço e completou: “Eu gosto da Ada que sempre ri, que faz graça, não dessa Ada séria aqui. Fala como você é!” A partir desse abraço, algo mudou dentro de mim. Era como se eu tivesse acordado de um torpor. Aquela voz interna que eu silenciava finalmente voltava a falar comigo.
Lá estavam os meus erros: diminuir minhas ideias, contar só piadas sem graça alheia, falar com aquele tom sisudo demais. Aprendi a lição de forma inesperada: não adianta imitar um estilo que não é seu, porque no fim nem você acredita no que está dizendo. Sentir o apoio de alguém que me conhecia bem me deu coragem. Decidi naquele dia que não ia mais matar a Ada alegre que existe em mim.
Como reconstruí minha voz

No início, voltar a ser autêntica no trabalho foi um desafio. Eu confesso que fiquei com medo de ser rejeitada ou de não ser levada a sério. Mas decidi tentar aos poucos. No dia seguinte à conversa com Sandra, propus falar em uma reunião de equipe sem filtrar minhas ideias. Respirei fundo, deixei de lado o tom rígido que vinha usando e expus meu ponto de vista do meu jeito – com um pouco de humor e um sorriso genuíno no rosto. Para minha surpresa, as pessoas reagiram bem. Eles viam que eu estava sendo eu mesma, com clareza e paixão pelo que falava.
Cada pequena vitória reforçava minha confiança: descobri que quando falo de um jeito natural, entrego mais da minha energia para o trabalho. Aprendi errando e fazendo ajustes. Tive que lembrar de não repetir o que os outros falavam, por mais convincentes que fossem. Fui reprogramando meu comportamento: se eu ria de algo no fim de semana, começava o dia seguinte no escritório dando uma risada, em vez de segurar. Se me vinha na cabeça um comentário carinhoso que eu daria a um amigo, eu dizia para um colega – sem medo de parecer informal. Aos poucos, ficar com a aparência “engessada” ficou para trás.
Não foi uma mudança de um dia para o outro. Levei um tempo para me acostumar a não me importar tanto com a opinião alheia. Sem falsa modéstia, tive que lembrar todos os dias: eu posso me sentir feliz falando do meu jeito, sim. A Sandra me mostrou que isso era essencial. Eu percebi que, quanto mais eu exercitava essa liberdade, mais segurança sentia. E não precisava exagerar na espontaneidade nem nas piadas – era questão de encontrar o equilíbrio entre ser eu mesma e falar do assunto com propriedade. Assim, cada passo concreto – cada frase dita com meu tom natural, cada ideia defendida com confiança – foi moldando o novo caminho.
Estratégias práticas para encontrar sua própria voz

Para não voltar aos velhos hábitos, adotei algumas estratégias simples que podem ajudar qualquer pessoa:
Reconheça sua autenticidade: escreva em um papel o que você realmente pensa antes de compartilhar em reunião. Faça a autoafirmação diária: “vou falar do meu jeito”. Afinal, cultivar autenticidade é se libertar da opinião dos outros. Eu me lembro de Sandra dizendo exatamente isso: parar de me preocupar tanto com “o que vão pensar”. Focando na minha essência, percebi que não preciso validar meu humor ou sotaque; posso, sim, valorizar minhas ideias únicas.
Busque um canal de confiança: tenha alguém para lhe dar feedback honesto, como fiz com a Sandra. Pode ser um mentor, um amigo de trabalho ou até um parente. Converse sobre suas inseguranças e peça que aquela pessoa lhe diga quando você está sendo verdadeira ou não. Um olhar externo de quem já confia em você evita recaídas. Eu combinava de fazer pequenas “filmagens” mentais: será que minha conversa está parecendo forçada? Com o tempo, ouvi elogios sinceros – como quando um colega comentou que gostava da energia genuína que eu levava às discussões. Isso me motivou ainda mais.
Pratique no cotidiano: trate cada reunião ou apresentação como um palco para ser você. No começo, poderá sentir frio na barriga. Escolha um colega amigo e compartilhe suas primeiras ideias, seja leve nas explicações, conte um exemplo pessoal. Com prática, fica natural. Pesquisas confirmam que isso dá resultado: profissionais que se sentem autênticos no trabalho relatam níveis muito mais altos de confiança (71%) e engajamento (60%)inclusiveleadership.com. Em outras palavras, quanto mais me permitia ser eu mesma, mais confiante e engajada me sentia no dia a dia.
Reserve tempo para “tirar a máscara”: cuide de você também fora do horário de trabalho. Siga o conselho dos especialistas: se não der para ser autêntica 100% no expediente, pelo menos permita um momento de descarga emocionalinc.com. Faça algo que energize seu verdadeiro eu – seja um almoço divertido, um hobby rápido ou simplesmente rir com um amigo. Eu adotei sair um pouco da mesa e caminhar para espantar nervosismo. Esses intervalos curtos me ajudam a resetar o estresse e voltar mais leve. Dessa forma, não acumulo a pressão de “estar sempre perfeita” e consigo gradualmente mostrar mais do meu jeito natural.
Os benefícios de ser você mesma

Seguir esse caminho foi recompensador. Hoje, sinto que finalmente construí uma rotina de trabalho que reflete quem sou de verdade. As reuniões se tornaram mais leves e produtivas. Eu mesmo noto quando alguém ri das minhas piadas, não porque soem estranhas, mas porque são minhas. Me sinto mais satisfeita nas tarefas diárias, menos ansiosa quando preciso falar em público e mais criativa nas soluções – afinal, sem a pressão de me comparar, ideias novas fluem naturalmente (como diz um texto inspirador, “cultivar a criatividade é se libertar da comparação”).
Também pude comprovar o que as estatísticas já apontavam: ser autêntica traz resultados concretos. Hoje sou muito mais confiante e engajada no meu trabalho – a sensação de que meu trabalho vale e que minhas ideias têm valor. Isso não é promessa milagrosa; foi construído aos poucos. Mas, ao contrário de antes, agora sei que minha voz conta, e isso fortaleceu a minha presença profissional. Pesquisas mostram que colaboradores que se sentem à vontade sendo eles mesmos relatam muito mais confiança e felicidade no trabalho, exatamente o que vivi.
Por fim, encontrei o meu glow — o meu brilho interior — ao aceitar que ele era o que verdadeiramente me destacava. Percebo que não preciso imitar ninguém para gerar impacto. A originalidade da minha voz é, na verdade, o que ilumina o meu caminho no trabalho.
Convido você a fazer o mesmo: não deixe sua luz apagar. Compartilhe aqui nos comentários se você já viveu algo parecido ou o que descobriu sobre ser você mesma. Seu relato pode ajudar outra pessoa a reencontrar a própria voz. Afinal, cada uma de nós tem um brilho único para revelar.





