A Cura que Vem da Terra: Por que Andar Descalça na Grama é Meu Melhor Ansiolítico.

Eu sou a Ada e, como muita gente, enfrento o sufoco da rotina pesada de CLT numa cidade grande. Em Curitiba, o barulho do trânsito e a pressão do trabalho às vezes me deixam à beira de um ataque de nervos. Numa dessas semanas insanas, liguei para a Alice, minha melhor amiga, e pedi pra mãe dela nos levar até Balsa Nova, no Paraná. Ao chegar lá, senti que precisava realmente me conectar com algo maior: descalcei os pés e fui para a grama. A sensação de pisar na terra úmida foi imediata – foi como se todo o peso no peito tivesse sido parcialmente arrancado. Respirar o ar fresco, sentir a brisa e o frescor da grama entre meus dedos dos pés renovou o ânimo para a nova semana. Essa experiência me mostrou que existe um caminho simples para aliviar a ansiedade: o aterramento, ou “earthing” – como alguns chamam. Hoje quero compartilhar com você o que descobri sobre essa prática e por que ela pode funcionar como um ansiolítico natural na sua vida.

O que é o aterramento

Pisar descalço na grama ou na terra é o cerne do que se chama aterramento. Em outras palavras, trata-se de ter contato direto da pele com a superfície natural da Terra. Estudos e relatos de praticantes partem de uma ideia central: a Terra possui carga elétrica negativa, rica em elétrons livres, e quando nossos pés tocam o solo, nosso corpo absorve parte dessa carga. Esses elétrons teriam efeito antioxidante no organismo, neutralizando radicais livres e até afinar o sangue, melhorando sua fluidez e circulação. Na prática, ao caminhar descalço na grama ou sentar com os pés tocando o chão, nosso corpo “drena” um excesso de cargas positivas (associadas ao estresse) e passa a ficar numa espécie de estado neutro e mais equilibrado.

A teoria pode soar estranha, mas vale notar que ideias parecidas existem há muito tempo em culturas tradicionais. Hoje, mesmo a psicóloga Susan Albers, da Cleveland Clinic, comenta que “o aterramento envolve ter contato direto da pele com a superfície da Terra”. Isso não quer dizer que sapatos com solado de borracha devam ser o vilão do filme, mas sim que, ao eliminarmos essa barreira sintética, podemos nos reconectar com algo fundamental.

Benefícios para a saúde mental

Para mim, o benefício mais imediato foi sobre o estresse e o humor. Eu me sentia totalmente esgotada no escritório – mente agitada, coração acelerado, dificuldade de concentração. Num primeiro momento em Balsa Nova, sentei na grama sem tirar os tênis e não vi diferença real. Foi só quando tirei os sapatos e toquei o solo com a sola dos pés que percebi uma queda na tensão que me dominava. Aprendi ali uma lição importante: estar ao ar livre não é o mesmo que aterramento completo.

Essa mudança de sensação tem respaldo em relatos científicos e experiências de outras pessoas. Proponentes do aterramento afirmam que ele pode melhorar o humor e reduzir o estresse. Em estudos (ainda pequenos), massageadores profissionais que praticaram grounding relataram níveis menores de estresse e dor após alguns dias de terapia. Em uma pesquisa, 16 massoterapeutas passaram a ficar algumas horas ao dia descalços ou em tapetes condutores, e logo perceberam diminuição do estresse físico e emocional, além de queda na dor e na fadiga.

No meu caso, sentir os pés na terra funcionou quase como uma meditação ativa. A mente parava de martelar: em vez de mil pensamentos sobre e-mails e boletos, vinha a percepção simples do corpo relaxando. É como se o sistema nervoso “desligasse” o modo luta/fuga e entrasse num estado de segurança. Até mesmo a química do corpo indica mudanças: um dos efeitos mais documentados do aterramento é a regulação do cortisol (hormônio do estresse). Estudos sugerem que, ao ajustar melhor o ritmo dia/noite do cortisol, o corpo entende que está seguro para descansar – e isso facilita pegar no sono e dormir de forma mais tranquila. Em outras palavras, ao pisar na grama, muitos experimentam uma sensação de paz e relaxamento que dificilmente encontram em ambientes urbanos.

Mas é importante ser realista: eu não estou dizendo que deixar de tomar remédio ou terapia fará o problema sumir. A própria Cleveland Clinic alerta que as evidências científicas sobre o aterramento ainda são iniciais e que a prática não substitui tratamentos convencionais. Em resumo, andar descalço na grama pode complementar nosso autocuidado, mas não é uma cura milagrosa. Pensar assim foi outro aprendizado para mim: não vou depender só da Terra para resolver tudo, mas incluí-la na minha rotina.

Benefícios para o corpo e o sono

Andar descalço também trouxe ganhos que fui descobrindo aos poucos no corpo. Naquela mesma viagem, percebi que dormi melhor. Normalmente, mesmo cansada, meu sono era irregular – acordava diversas vezes durante a noite. Experimentei algo simples: antes de dormir, fiquei 15 minutos com os pés na grama do quintal. Depois daquela noite, notei que havia acordado menos vezes. Lembro de pensar: “Será impressão minha?”. Pesquisas ajudam a esclarecer isso: estudos (embora pequenos) encontraram que o grounding auxilia a sincronizar os ritmos circadianos do corpo. Em termos práticos, o sistema de “alarme interno” desacelera à noite, permitindo entrar no sono profundo com mais facilidade. Vários relatos apontam exatamente para esse resultado – menos dificuldade para adormecer e menos despertares noturnos.

Também senti uma melhora em dores musculares e no corpo. Um dia, após um longo passeio de bicicleta, meus pés e pernas doíam como nunca. Lembrei do aterramento e resolvi sentar na grama, com a sola do pé apoiada na terra. Pouco depois, a dor começou a ceder. Cientistas já observaram algo semelhante: reduzir inflamação é um dos primeiros benefícios relatados por quem pratica grounding. A ideia é que os elétrons extra da Terra agem como antioxidantes, atacando as moléculas inflamatórias que causam dor crônica. Em um estudo de 2018, pessoas que passaram a praticar aterramento notaram diminuição significativa de marcadores inflamatórios após algumas semanas. Mesmo sem entrar em detalhes técnicos, posso afirmar que senti o corpo “desinchando” e o ritmo sanguíneo melhorando. Em resumo, os praticantes de aterramento relatam alívio de dores no corpo, melhora da circulação e recuperação muscular mais rápida. No meu caso, após vários passeios de fim de semana seguidos, meu corpo mostrava-se mais descansado do que antes.

Além disso, uma psiquiatra de medicina integrativa, Tracy Latz, também observa esses efeitos no sono e sintomas gerais dos pacientes. Ela relata que cerca de 65–75% das pessoas que usa aterramento percebem melhora na qualidade do sono e na disposição ao longo do dia. É importante lembrar que cada corpo reage de um jeito, mas todos esses indícios — pessoais e de terceiros — me deram confiança de que essa simples prática fazia algo real em mim.

Como praticar o aterramento no dia a dia

Não é preciso morar na floresta para experimentar o aterramento. Nos parques, jardins e até no quintal de casa já dá pra começar. A dica básica é trocar a sola de sapato pelo toque da pele no solo natural. Veja algumas orientações práticas, baseadas em recomendações de especialistas:

  • Escolha superfícies condutoras: Grama (especialmente quando úmida pela manhã ou depois da chuva), terra batida, areia de praia ou até concreto sem pintura podem conduzir bem a carga elétrica da Terra. Experimente sentar ou deitar nesses locais também, para maximizar o contato pele-chão.

  • Evite materiais isolantes: Pisos sintéticos como asfalto, madeira, plástico e borracha bloqueiam a condução elétrica. Calçados esportivos e meias comuns também impedem o contato (a não ser que tenham solado condutor). Portanto, se quiser resultados, tire os sapatos e meias de longe do “campo elétrico” da natureza.

  • Tempo de contato: Procure ficar pelo menos 20 a 30 minutos com os pés (ou mãos) em contato direto com o solo por sessão. Pode ser logo cedo, ao chegar em casa, ou no fim do dia, antes de dormir. Você pode ir aumentando gradualmente esse tempo conforme for se sentindo à vontade.

  • Combine com atenção plena: Caminhar descalço já é por si só um exercício de atenção, pois é preciso sentir cada passo. Eu gosto de combinar com respirações profundas e aproveitar o momento. Isso transforma o aterramento em um breve exercício de meditação ao ar livre.

Entretanto, alguns cuidados devem ser levados em conta. Embora a prática seja simples, recomenda-se atenção à segurança: observe onde pisa para não cortar os pés com pedras ou galhos, e escolha locais livres de lixo ou esgotos abertos. Se você tiver condições médicas específicas (como diabetes ou feridas nos pés), consulte um médico antes de andar descalço em ambientes não controlados. A Cleveland Clinic lembra que, apesar de o aterramento ser de baixo risco, é preciso precaução: o uso prolongado de tapetes condutores dentro de casa, por exemplo, requer cuidado elétrico, e ninguém deve encostar em objetos metálicos durante tempestades. Em síntese, use o bom senso: proteger os pés de arranhões e insetos, manter-se hidratado ao fazer caminhadas ao ar livre e perceber como o corpo responde.

Por fim, não espere um milagre imediato: algumas pessoas relatam sentir piora temporária (como se o corpo “desintoxicando”) antes de melhorar. Se isso acontecer, dê um tempo e tente de novo no dia seguinte. O que podemos dizer com certeza é que passar tempo ao ar livre já traz benefícios conhecidos pela ciência – do simples ato de caminhar na natureza à redução de tensão arterial sob o sol – e o aterramento parece apenas potencializar essa reconexão natural.

Como pude aprender com a prática, andar descalço na grama é mais do que uma nostalgia de infância; é um convite para desacelerar a mente, hidratar o corpo de bons sinais elétricos e lembrar que somos parte de algo maior. Não prometo resultados mirabolantes, mas afirmo com convicção: sempre me sinto mais leve após pisar na terra. Se você tem se sentido ansioso ou esgotado, talvez valha a pena experimentar essa “dose de natureza grátis”. Na próxima saída ao ar livre, tire os sapatos, feche os olhos e respire fundo por alguns minutos. Se sentir aquela paz inesperada, não hesite em compartilhar sua experiência. Vamos nos ajudar a espalhar pequenos rituais de bem-estar — afinal, o que perdemos tentando algo tão simples?

E você? Já sentiu o efeito de caminhar descalço na grama? Compartilhe nos comentários como foi a sua experiência! Espero que este relato inspirador ajude a encontrar novas formas de cuidar da saúde mental e física de modo natural, honesto e acessível.

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