A Incerteza de Escolhas Importantes
Lembro até hoje daquele abril de 2020 como se fosse ontem. Eu tinha 19 anos e estava prestes a entrar na faculdade de Direito, mas algo tremia no meu coração. Eu, Ada, não queria mesmo cursar Direito, sabe? Peguei aquele envelope da universidade com o coração apertado, sentindo uma mistura de ansiedade e dúvida. Em volta, todo mundo parecia feliz com o futuro certo: medicina, engenharia, advocacia, e eu só pensava comigo mesma: “Isso não é pra mim!”
Minha mãe, minha companheira de todas as horas, percebeu meu dilema. Ela me acolheu num abraço e disse com toda calma: “Filha, sou sua mãe. Siga o que seu coração quer. Cada pessoa tem sua jornada e um chamado diferente.” Na cozinha, enquanto tomávamos café, ela me dava força e aquecia meu peito com palavras gentis. Eu olhava para o céu da manhã pela janela e sentia a certeza dela dentro de mim. Mas eu ainda me sentia confusa: gostava de agradar, mas aquela vozinha interior não me deixava em paz. Queria ouvir o sussurro interno, mas não sabia como silenciar a mente.
O Desafio do “Siga Seu Coração”

E foi aí que meu celular tocou. Do outro lado da linha estava minha amiga de infância, a Alice — aquela que me acompanhou em todas as fases, desde risadas bobas até confidências de madrugada. Ela estava radiante: “Ada, amiga! Fechei uma vaga numa empresa de marketing! É só trabalho de escritório, papel e planilha, e quero você comigo!” Meu coração deu um salto. Um emprego prático, seguro, parecia abrir uma janela para um dia ensolarado cheio de novas possibilidades.
Respirei fundo. As mãos tremiam. Queria dizer sim na hora, mas senti um nó se formando no peito. Saí andando em círculos pela sala, perguntando a mim mesma: “Será que eu consigo? Será que é o certo?” Todo mundo parecia empurrar para aceitar — meus pais sorriam aliviados com a notícia, minha amiga insistia que eu seria ótima na equipe —, mas meu coração pedia tempo. Ainda hesitante, respondi: “Alice, me dá uns três dias pra pensar, tá?” Ela sorriu do outro lado, compreensiva: “Claro, amiga. Segunda-feira quero saber sua resposta.”
Desliguei o telefone com o coração acelerado e fiquei parado ali no meio da sala. A televisão iluminava as paredes com imagens de pessoas relaxando; um comercial mostrava gente meditando, gente sorrindo. Parecia um aviso silencioso. Eu sabia que precisava de silêncio para ouvir a mim mesma de verdade. Foi nesse instante que decidi que sairia de casa. Peguei o carro com as mãos firmes no volante e fui atrás da paz que faltava para pensar com clareza, sem pressa.
Encontrando a Paz na Natureza

No domingo seguinte, de manhã bem cedo, acordei com os primeiros raios de sol entrando pela janela. Arrumei uma mochila com água, um lanche leve, um caderno pequeno e um cobertor confortável. Liguei para minha mãe, que sempre ficava preocupada: “Vai ficar tudo bem, mãe. Só vou dar uma volta pra clarear a cabeça.” Ela sorriu e me deu uma piscadela de apoio. Coloquei uma música instrumental suave no celular — só piano lento — e parti com destino à natureza.
Dirigi por cerca de uma hora até encontrar uma praia perto de uma mata preservada. Estacionei o carro na sombra de uma árvore antiga e caminhei até a areia macia. Tirei os chinelos e senti o chão frio sob meus pés. O cenário era incrível: uma faixa de areia dourada se estendia diante de um mar calmo de azul profundo, enquanto a mata verde se misturava com o céu claro no horizonte. Pássaros cantavam suavemente e o vento trazia o cheiro do mar misturado com o perfume fresco das folhas molhadas. O sol matinal brilhava sem nuvens, tocando tudo com uma luz gentil.
Sentei-me na areia, apoiando as costas numa pedra coberta de musgo. Coloquei o cobertor no chão e logo vi que não precisava escrever nada ainda. Fechei os olhos e inspirei profundamente, sentindo o ar salgado do mar encher meu peito. O calor gentil do sol me dava coragem: ali era seguro ser quem eu era, sem falsa vergonha. Lembrei das palavras da minha mãe e cada raio de sol parecia sussurrar: “É hora de ouvir seu coração, Ada.” Com o celular desligado, sem notificações para interromper, só restava o som calmo das ondas batendo nas pedras e a brisa reconfortante envolvendo tudo. Parecia que a natureza inteira me abraçava de leve, encorajando meu coração a falar alto.
A Prática da Meditação

Então decidi meditar de verdade. Cruzei as pernas na canga, mantive as costas eretas e coloquei as mãos no colo, palmas viradas para cima — num gesto de entrega. Fechei os olhos e levei toda a atenção para a respiração. Inspirei contando até quatro, senti o ar fresco enchendo a barriga, e depois soltei lentamente também contando até quatro, como se soltasse cada preocupação com cada expiração. Logo no começo, muitos pensamentos rodavam na minha mente feito nuvens dispersas no céu: a sala de aula, a planilha de trabalho, a voz da Alice falando comigo.
Aos poucos, meu corpo foi ficando mais solto. Meus ombros, que eu nem percebia que estavam tensos, relaxaram quase como um bocejo. O som calmo das ondas servia de trilha sonora para cada batida do meu coração, e eu me sentia cada vez mais presente ali: sentindo a areia quente nos pés, o calor do sol nos braços. Cada respiração me ancorava mais naquele instante de paz, deixando o futuro e o passado lá longe. Naquele ritmo tranquilo, percebi que algo dentro de mim começava a clarear.
A Magia da Escuta Interior

Dentro desse silêncio protetor, pensamentos começaram a se organizar por si. Vi flashes de momentos bonitos: eu escrevendo de madrugada no meu blog com o café ainda quente ao lado, o sorriso no meu rosto quando terminava um texto inspirador. Lembrei das mensagens carinhosas que chegavam pelo computador: alguém contando que meu post ajudou a passar por uma noite difícil, outra dizendo que minhas palavras deram coragem. Essas lembranças vinham coloridas: o vermelho do pôr do sol que eu admirava da janela do quarto, o azul-turquesa do mar em sonhos que eu mal conhecia.
Então surgiu uma cena que doeu um pouquinho: eu sentada na escrivaninha, lendo um livro de Direito numa tarde chuvosa de inverno, enquanto do outro lado da janela crianças brincavam de bola colorida no parque. Naquele momento eu me sentia cinza por dentro. Mas, de repente, a imagem da praia em que eu estava voltou com força: o azul-céu claro no alto, o dourado do sol refletido nas ondas. Naquele instante entendi: eu comparava duas realidades que não se misturavam bem, e claramente minha energia vibrava na direção do que era mais colorido e leve. A meditação me mostrou qual delas eu realmente preferia para mim.
Foi então que, num instante de clareza, senti como se uma voz suave sussurrasse bem baixinho dentro de mim: “Siga o que faz seu coração cantar.” Não foi um pensamento forçado, foi uma certeza docinha, que me encheu de confiança. Meu coração já sabia qual caminho queria trilhar — eu só precisava escutá-lo com calma. Sorri silenciosamente. Uma paz gostosa percorreu meu corpo como água morna num banho relaxante. Ali, naquele exato momento, tudo fez sentido: eu sabia que queria aceitar o convite da Alice e seguir meu próprio caminho, mesmo que fosse um pouco diferente do esperado.
O Poder da Escolha Autêntica

Abri os olhos devagar. O mar continuava seu vai e vem suave, indiferente ao meu drama, mas parecia apoiar meu momento de alegria. Levantei-me, enrolei a canga e peguei o celular que estava desligado. Disquei o número da Alice. Quando ela atendeu, eu disse com a voz tremendo de emoção: “Amiga, me coloca na lista do seu time! Eu vou trabalhar com você!” Ela gritou de felicidade do outro lado e eu ri alto, quase chorando de alívio. Meu domingo tinha sido transformador: ao pôr do sol, senti que um peso enorme foi tirado dos meus ombros.
Naquela noite, de volta em casa, sentei no sofá sentindo uma calma extraordinária. Havia feito a minha escolha. Não virei rica da noite para o dia (rsrs), mas acordava contente todos os dias. O emprego novo me ensinou muito sobre planilhas, reuniões e criatividade nos negócios, mas de forma leve, porque eu fazia tudo aquilo ao lado de uma amiga de confiança. E o meu blog floresceu como nunca: passei a escrever sobre minhas experiências verdadeiras, sobre como segui o meu coração, e as leitoras chegavam e se emocionavam com minhas histórias reais. Foi incrível ver quantas mulheres e meninas acabaram também encontrando inspiração nas minhas palavras.
Hoje, quando olho para trás, agradeço aquele momento de coragem. Sei que não sou pouca coisa por querer algo diferente do esperado. Vivo meus dias com uma segurança emocional que não tinha antes: sei que posso tomar decisões ouvindo a minha intuição, porque ela nunca mais me falhou. Meu blog deixou de ser só um diário virtual e virou uma ponte de conexão entre corações com histórias reais. E por meio dele, ajudo tantas outras mulheres e meninas a acreditarem que também podem ser fiéis a si mesmas, do jeito que são.
Outros Momentos da Minha Vida

Aquela decisão de abril de 2020 foi, sem dúvida, a mais difícil que já tomei. Mas a meditação entrou na minha vida em muitos outros momentos também. Vou contar algumas situações simples para você entender como ela me ajudou nas batalhas diárias:
1. A Noite Antes de um Festival de Escrita
Certa vez me inscrevi como palestrante em um festival de escrita online para compartilhar minhas experiências como criadora de conteúdo. O problema é que eu sempre fui muito tímida falando em público, então a noite anterior foi um caos no meu coração. Eu fiquei acordada na cama até tarde, repetindo frases confusas na cabeça, imaginando mil coisas que poderiam dar errado.
No outro dia de manhã, acordei exausta, com o peito palpitando de nervosismo. Decidi fazer algo diferente: sentei na cama, cruzei as pernas, fechei os olhos e respirei devagar por alguns minutos. Concentrei-me na respiração: inspirei contando até três, expirei contando até três, repetindo isso enquanto a ansiedade diminuía. Aos poucos, aquela tensão enorme foi se dissolvendo como açúcar na água. Meu corpo relaxou e minha mente clareou.
Quando chegou a hora de abrir a transmissão ao vivo, percebi que a empolgação tinha tomado o lugar do medo. A apresentação fluiu como uma conversa entre amigas, descontraída e espontânea. As palavras saíram naturais, sem aquela voz trêmula de antes. Descobri que só precisava de um momento de silêncio para recuperar minha confiança. No final, recebi várias mensagens elogiando meu jeito autêntico de falar, sem papas na língua, e dizendo que se inspiraram no meu jeito de ser. Fiquei muito feliz ao perceber que, mesmo tímida, eu tinha algo verdadeiro para compartilhar.
2. Superando um Desencontro Amoroso
Em outra fase da minha vida, um namoro que eu achava que duraria para sempre terminou de repente. Eu fiquei arrasada. Me sentia perdida, repetindo pra mim mesma: “Será que eu fiz algo errado? Será que não sou suficiente?” Uma tristeza profunda e culpa apertava meu peito.
Em vez de sufocar esses sentimentos, decidi subir ao terraço de casa com uma manta e o coração pesado. Fechei os olhos, sentei-me confortavelmente e comecei a respirar fundo várias vezes. O sol da manhã batia gentil no meu rosto como um abraço silencioso da vida. Aos poucos, percebi algo importante: eu estava me culpando injustamente. No silêncio da meditação, me fiz uma pergunta suave: “O que eu preciso agora?” Naquele instante, a resposta veio clara: eu precisava cuidar de mim e ser gentil comigo mesma. A meditação me ajudou a aceitar que tudo bem sentir dor, mas que eu merecia amor próprio acima de tudo. Respirei fundo mais uma vez, sentindo uma leveza nova me invadir. Eu entendi que não precisava carregar a culpa por algo que não era apenas minha responsabilidade. Respirei fundo de novo e sorri para mim mesma, pronta para recomeçar.
3. Mudanças de Hábito que Me Surpreenderam
A meditação também virou um hábito simples no meu dia a dia. Comecei a acordar alguns minutinhos mais cedo só para respirar um pouco antes de sair da cama. Logo percebi que minhas noites ficaram mais tranquilas, porque quando chegava a hora de dormir minha mente já não corria em mil pensamentos. No trabalho, também fiquei mais focada: em vez de surtar com cada e-mail, eu inspirava, expirava e resolvia uma coisa de cada vez com muito mais calma. Até o trânsito caótico de cada manhã ficou menos estressante: eu lembrava de soltar um pouquinho da tensão enquanto esperava o sinal abrir, e percebia que nem preciso acelerar o coração por nada.
Uma coisa interessante: meu humor e o clima ao meu redor melhoraram sem que eu percebesse. Se alguém fazia uma piada sem querer ou um comentário meio sem graça, eu só respirava fundo e seguia em frente, sem deixar isso me abalar. A paz que eu encontrava dentro de mim acabava contagiando também quem estava perto. E o melhor de tudo: as ideias criativas para o blog surgiam como pipoca na panela nos dias em que eu meditava de manhã. Era como se, ao equilibrar minha própria energia, um canal direto se abrisse para novos pensamentos brilhantes.
Cada um desses momentos me mostrou que a meditação não é algo difícil ou inacessível — ela é simples, só requer um pequeno espaço na sua rotina. Basta fechar os olhos e ouvir a si mesma. E sabe do melhor? Você pode começar agora, com o tempo que tiver. Não precisa nem de um tapete especial ou oração mirabolante. Qualquer cantinho tranquilo pode virar um ponto de paz.
Dicas Práticas para Você que Quer Tentar

Se você está curiosa para experimentar a meditação no seu dia a dia, aqui vão algumas dicas simples que sempre usei:
Encontre um cantinho especial: Não precisa de um altar ou lugar caro. Pode ser sua cama, uma cadeira confortável ou até um cantinho do jardim. O importante é um lugar onde você se sinta protegida, com algumas almofadas ou algo que deixe você à vontade.
Defina um horário fixo: Se conseguir, escolha um momento do dia para meditar. Eu, por exemplo, gosto de acordar cinco minutinhos mais cedo para sentar na cama e respirar antes de começar as tarefas. Assim, começo o dia ouvindo a mim mesma.
Comece pequeno: Se nunca meditou, tente só dois ou três minutos primeiro. Pode parecer pouco, mas já ajuda a aliviar a ansiedade. Com o tempo, você pode aumentar gradualmente para cinco, dez minutos.
Use a respiração: Foque no ar entrando e saindo. Inspire contando até quatro e expire contando até quatro. Sinta o ar gelado entrando no nariz e saindo devagar pela boca. Se algum pensamento vier, tudo bem — reconheça e deixe passar, como nuvens no céu.
Tenha paciência consigo mesma: No começo, sua mente vai dar voltas sem parar, e isso é normal. Não fique tentando “controlar” tudo. Pense na meditação como um treino diário. Cada vez você fica melhor em encontrar aquele momentinho de silêncio.
Defina uma intenção: Antes de começar, pense num objetivo simples, tipo “calma”, “clareza” ou “confiança”. Você pode até escrever numa notinha e ler antes de fechar os olhos. Essa palavra ajuda a manter o foco durante a prática. Além disso, experimente meditação guiada: existem muitos aplicativos ou vídeos gratuitos de meditação guiada, mesmo de 3 a 5 minutos. Siga uma voz calma no fone e deixe-se levar. É um jeito fácil de começar e ajuda a manter o foco no início.
Observe as pequenas vitórias: A cada dia de prática, repare nas mudanças. Se, por exemplo, você meditou e conseguiu ficar mais calma numa reunião ou dormiu melhor, celebre internamente isso. Essas pequenas conquistas vão motivar você a continuar.
Lembre-se: a meditação não exige nenhum equipamento especial nem gastos. Basta você se permitir esse tempo de cuidado consigo mesma. Assim como aconteceu comigo, no seu ritmo e com paciência ela vai se tornar parte do seu dia, trazendo mais leveza na rotina.
Se você chegou até aqui, saiba que não está sozinha na sua dúvida. Talvez você também esteja enfrentando um grande dilema: mudar de carreira, encarar um novo desafio ou simplesmente valorizar mais a si mesma. O caminho pode parecer incerto, mas lembre-se: dentro de você já existe todo o conhecimento que precisa. Só falta criar um espaço de silêncio para escutá-lo.
Minha história mostra que às vezes encontramos muito mais do que esperávamos quando paramos para respirar e ouvir a nós mesmas. No fim daquele domingo de maio de 2020, sentir o sol e o mar me ajudou a escolher um caminho que fez meu coração cantar. Vivo dias mais leves agora porque tive coragem de seguir minha verdade.
E agora eu quero ouvir você: qual foi a decisão mais difícil que você já tomou? Como você lidou com ela? Compartilhe sua experiência nos comentários! Vamos juntas criar uma corrente de apoio e inspiração. Cada história de superação pode iluminar o caminho de outras mulheres. ✨
Não esqueça de respirar, amiga. Ouça seu coração e siga em frente, um passo de cada vez. Você nunca está sozinha. Acredite na sua força, pois cada passo vale a pena. Você é incrível e corajosa sempre. 💖





