Eu ainda consigo fechar os olhos e sentir o cheiro: manjericão fresco, arruda e um toque de alecrim que parecia preencher toda a cozinha da minha avó. Ela não chamava de “self-care” ou “skincare holístico”. Para ela, era apenas “tirar o peso do corpo”. O ritual envolvia colher as ervas no quintal, ferver a água em um fogão à lenha e deixar o vapor limpar não só o ar, mas o espírito.
Cresci vendo essa alquimia natural, mas, conforme a vida adulta e o caos da cidade grande me atropelaram, acabei deixando essa prática guardada em uma gaveta da memória. Eu achava que, para fazer um “verdadeiro” banho de ervas, eu precisava de um jardim imenso e de horas de silêncio — coisas que meu apartamento de 40 metros quadrados e minha agenda lotada raramente ofereciam.
Foi em um momento de esgotamento total que percebi que a essência daquele ritual não estava no fogão à lenha, mas na intenção e nas plantas. Entendi que eu precisava criar meu próprio banho de floresta urbano para encontrar a natureza mesmo morando no caos. Decidi resgatar o que aprendi com ela, mas precisei de alguns ajustes para que o banho de ervas fizesse sentido na minha rotina moderna. O que descobri foi um caminho de retorno para mim mesma.
Como fazer um banho de ervas para relaxar e renovar as energias?

Essa é a pergunta que eu me fiz quando decidi recomeçar. Muitas pessoas acham que banho de ervas é algo místico ou complexo demais para uma terça-feira comum, mas, na minha rotina, ele funciona como uma ferramenta terapêutica de bem-estar profundo. Já explorei antes a magia do banho terapêutico e como transformo 15 minutos em uma sessão de cura, e as ervas são as protagonistas desse processo.
O princípio é simples: usar as propriedades aromáticas e fitoquímicas das plantas para acalmar o sistema nervoso. Existem dois caminhos principais: a infusão e o cozimento. Para folhas delicadas como o manjericão e a camomila, apenas jogamos água quente por cima e abafamos. Para raízes ou cascas, como o gengibre ou a canela, precisamos ferver.
Foi assim que funcionou para mim: o banho de ervas não substitui o banho de higiene, mas o complementa. Ele é o momento de “pausa”. Se eu estou sentindo que o cansaço é sistêmico, o banho de ervas age nesse lugar onde o cosmético sozinho não chega.
Do caldeirão da vovó para o entupimento do ralo: O erro que me ensinou a praticidade

No início da minha jornada de adaptação, cometi um erro clássico: tentei replicar exatamente o cenário que minha avó criava. Joguei as folhas inteiras de alecrim e arruda em uma panela, levei para o banheiro e despejei tudo sobre o corpo dentro do box.
A percepção veio minutos depois: além da sujeira imensa, as folhas de alecrim grudaram em cada milímetro do meu corpo e, pior, entupiram completamente o ralo do meu chuveiro moderno. O que era para ser relaxante virou um estresse de limpeza.
O ajuste foi imediato e prático. Na minha rotina, precisei entender que a tecnologia das plantas não precisa da sujeira das folhas. Passei a usar infusores de chá gigantes ou pequenos sacos de algodão cru. A aplicação prática agora é limpa: coloco as ervas no saquinho, deixo em infusão na água quente e uso apenas o líquido. Sem folhas grudadas, sem ralo entupido e com todo o aroma preservado.
Minha adaptação: Como o ritual se encaixa na rotina moderna

Para que esse ritual fosse sustentável, eu precisei testar até entender quais ervas funcionavam para a minha pele e para o meu estado emocional. Há dias em que o cansaço é tão grande que mal consigo pensar na rotina de rosto, então foco no skincare no banho e em como me cuido quando estou sem energia. O banho de ervas se tornou meu atalho favorito para esse autocuidado “preguiçoso”, porém potente.
A preparação do ambiente
Antes de começar o ritual com as ervas, gosto de preparar a pele. O uso de um bom esfoliante ajuda a remover as células mortas e permite que a sensação do banho de ervas seja ainda mais tátil e envolvente. Recentemente, testei o esfoliante corporal que transforma o banho em um spa e dei minha opinião detalhada sobre ele. Com a pele renovada, o líquido das ervas parece abraçar o corpo de forma diferente.
Escolha das Ervas: Para relaxar à noite, uso Lavanda e Camomila. Para foco pela manhã, Alecrim e Hortelã.
Temperatura da Água: Nunca uso água fervendo diretamente na pele. O ideal é que esteja em uma temperatura morna e confortável.
O Ritual do Despeje: Eu sempre despejo do pescoço para baixo, respirando fundo o vapor que sobe.
Durante esse processo, notei que algumas ervas e o sal grosso podem ser ressecantes. Se você já lida com o dilema da pele desidratada, cuidado com o excesso. Hoje, eu equilibro o ritual sempre com uma hidratação potente logo após sair do box.
Guia prático: O que realmente faz diferença na proteção da sua energia e pele

Ao longo de meses adaptando esse ritual, percebi que a autoridade sobre o que seu corpo precisa vem da sua própria observação diária. Aqui está um resumo do que realmente importa para que seu banho de ervas seja seguro e eficaz:
Ervas Frescas vs. Secas: As frescas têm um aroma mais vibrante, mas as secas são mais fáceis de armazenar e funcionam perfeitamente.
Tempo de Infusão: Deixe as ervas na água quente por pelo menos 10 a 15 minutos (abafado) para liberar as propriedades.
O “Pós-Banho”: Não se enxágue imediatamente. Deixe a pele absorver o líquido naturalmente por alguns instantes antes de se secar.
Checklist: Meu passo a passo para o Banho de Ervas Moderno
Montei este guia para que você possa começar hoje mesmo, com o que tiver na cozinha:
Escolher a intenção: O que você precisa hoje? (Paz, energia, limpeza).
Preparar o sachê: Use um filtro de papel ou saquinho de tecido para evitar sujeira.
Aquecer sem ferver: Deixe a água atingir o ponto de fervura, desligue e adicione o sachê.
Banho de limpeza primeiro: Lave o corpo e, se possível, esfolie para preparar a pele.
O momento da infusão: Despeje o banho de ervas devagar do pescoço para baixo.
Hidratação final: Finalize com um óleo corporal ou hidratante para selar a umidade e o aroma.
Trazer o banho de ervas da minha avó para o meu banheiro de apartamento foi uma das melhores decisões de autocuidado que tomei. Ele me reconecta com minhas raízes e me lembra que, mesmo na velocidade do mundo atual, a natureza ainda tem um ritmo que cura.
Não espere ter o cenário perfeito para começar. Use o que você tem e sinta a diferença que dez minutos de intenção podem fazer no seu dia.
E você, já teve alguma experiência com banhos de ervas ou tem alguma receita de família que nunca esqueceu? Me conta aqui embaixo, adoraria saber se você também tem esses rituais de herança!





