Conviver com muitas pessoas no dia a dia pode ser intenso: cada amizade ou relação exige de nós um entendimento mútuo. Eu percebi que, quando eu não me conhecia bem, acabava me perdendo nesse caminho. Sentia-me confusa sobre por que certos conflitos aconteciam – às vezes parecia que os outros faziam algo de propósito comigo. Só depois descobri que esse “algo” vinha das minhas próprias inseguranças. Foi aí que o diário de emoções surgiu na minha vida. Comecei a escrever tudo o que estava sentindo, sem filtro. No dia seguinte, relia aquelas páginas e me surpreendia: “Eu escrevi isso? Isso não parece comigo!” – eu pensava. Ler o que eu mesma escrevia foi um choque curioso. Aquele diário virou um espelho: ele refletia sentimentos que eu mal havia notado. Sentar-me com caneta e caderno, com uma xícara de café ao lado, tornou-se um pequeno ritual íntimo. Escrevia sem medo, como se falasse comigo mesma no silêncio da madrugada. Aos poucos, percebi que existia uma conexão com o meu “eu” de hoje e o meu “eu” do futuro: era como se meu futuro me dissesse algo que eu ainda não sabia. Por exemplo, numa manhã, li uma anotação minha sobre uma discussão com uma amiga e pensei: “Não posso acreditar que eu tinha tanto medo de perdê-la!”. Esse tipo de descoberta só foi possível porque coloquei minhas emoções no papel.
Reconhecendo inseguranças na amizade

Foi num momento de crise que o diário me salvou. Eu havia brigado com uma amiga próxima depois de um mal-entendido bobo. Na hora, achei que ela tinha agido de forma egoísta – e guardei tudo pra mim, ressentida. À noite, sozinha no meu quarto, abri meu caderno e comecei a escrever o que sentia. No papel, minha raiva começou a dar lugar a uma angústia diferente: percebi que, na verdade, eu estava com medo de perdê-la. O erro não era da minha amiga, mas meu, por não ter confiança.
No dia seguinte, relendo o trecho que escrevi, fiquei surpresa. Via ali: “E se ela estiver me evitando mesmo e eu nem percebi?”, “Por que fico tão nervosa quando falamos?”, “Sinto falta da nossa amizade como se algo estivesse faltando em mim.” – palavras que eu não havia dito para ninguém, nem para mim mesma antes de escrever. Foi então que entendi meu padrão: em vez de conversar, eu criava histórias na minha cabeça. Aprendi errando – aprendi que guardar angústia só cria mais sofrimento interno.
A partir disso, resolvi agir. Em vez de ignorar o que senti, sentei-me e falei abertamente com minha amiga. Com voz sincera, expliquei o que me incomodava e até compartilhei um pouco do que havia escrito no meu diário (não todas as partes, claro, mas o essencial). Para minha surpresa, ela também tinha guardado dúvidas sobre mim. Percebi que nossos desencontros foram criados pelas minhas inseguranças, e não por maldade dela. Conversamos olhando nos olhos uma da outra – um daqueles olhares profundos em que a gente diz “eu entendo” sem falar nada. A amizade virou um espaço de confiança. Não foi um passe de mágica: tive que admitir meus erros e aprender a ouvir. Mas o diário de emoções foi o primeiro passo. Ele funcionou para mim como um alerta amistoso: antes de apontar o dedo, eu aprendi a reconhecer minhas próprias falhas.







