Quando eu tinha uns 20 anos, achava que bastava passar uma gotinha de protetor solar de manhã e estava salva para o dia inteiro. Como muita gente, me pegava inventando desculpas (“Ih, só chove hoje”, “vou ficar pouco tempo no sol”) e acabava nem usando a quantidade certa. Só fui entender direito tudo isso já nos meus 24, quando descobri, do jeito difícil, que muitos dos truques que acreditava eram justamente os erros que a ciência alerta. Neste texto íntimo, conto minhas histórias de erro→aprendizado sobre filtro solar e tiro lições práticas para você não repetir o mesmo. Vem comigo, amiga leitora!
Passei pouco protetor e me queimei: aprendi na marra a dose certa

Eu lembro bem do meu primeiro encontro sério com o sol. Era um dia de céu aberto e eu, cheia de vontade de ficar bronzeada, passei só um pouquinho de protetor (e de FPS bem alto, pra me sentir protegida). Fui para a praia achando que estava fazendo a coisa certa. Resultado? Voltei com os ombros vermelhos, tipo “pesca-vivo”, e ardendo. Que lição foi aquela! Aí fiquei sabendo que o que eu passava dava talvez 25% ou 50% da quantidade necessária. A ciência até comprova isso: estudos mostram que a maioria das pessoas acaba aplicando metade – ou menos – do que deveria. Ou seja, aquele FPS 60 maravilhoso do rótulo, na prática, vira um FPS bem menor quando não usamos quantidade suficiente.
O que devia ter sido feito: profissionais recomendam usar cerca de duas colheres de sopa de protetor (equivalente a um copinho de shot) para cobrir o corpo inteiro e um “montinho” do tamanho de uma moeda para o rosto. Eu jamais tive essa disciplina. Aprendi da pior forma que “protetor em dose enoooorme” não é frescura – é o mínimo para ter a proteção que o FPS promete. Hoje eu olho para meu frasco com calma: comento sozinha “uma onça serve pro corpo todo”, só para reforçar o número e não economizar no produto.
Além de usar pouco, eu ainda achava que, aplicando de manhã cedo no rosto, estaria segura o dia inteiro. Grande erro: aprendi que reaplicar é parte obrigatória da proteção. Entendi que o protetor vai saindo com suor, com roupa ou até só por tempo decorrido. Por isso, os dermatologistas reforçam: reaplique pelo menos a cada duas horas, especialmente se você suar ou entrar na água. Eu mesma só passei a reaplicar quando quase desmaiei de calor, depois de suar horrores na rua e sentir meu rosto queimando. Hoje, mantenho um frasco no carro e no escritório para não esquecer essa etapa. No fim das contas, o erro de dose + de não reaplicar me mostrou que não basta escolher o produto certo: ele só funciona se usarmos o suficiente e repetimos no tempo certo.
Ignorar dias nublados e lugares fechados: o sol invisível me pegou desprevenida

Outro vacilo que eu cometia era pensar “se está nublado ou eu nem vou sair, não preciso de protetor”. Achava que filtro solar era coisa de fim de semana de praia, ou no mínimo de dia ensolarado. Ledo engano. Tem um dado impressionante: as nuvens conseguem bloquear apenas cerca de 10% da radiação UV. Ou seja, mais de 90% dos raios continuam passando, mesmo no dia cinza. Eu descobri isso do pior jeito, num fim de tarde trabalhando no escritório. O sol da janela bateu no meu pescoço e parte do rosto, e acabei de novo com a pele ardendo. Fiquei vermelha achando que tinha alergia, até entender que, na verdade, fui queimadura solar.
Da mesma forma, aprendi que nem colocar o ar-condicionado significa total segurança. A luz UVA pode atravessar o vidro das janelas tranquilamente. Uma amiga do trabalho colocou cortina e continuou com pescoço rosado; outra, que dirige sem protetor, percebeu manchas de bronzeado só de ficar horas no carro. Aí não tem milagre: a proteção é diária, todo dia mesmo, até dentro de casa. A ciência é clara: por mais que o céu esteja fechado, a intensidade de UV pode ser “praticamente a mesma de um dia megaensolarado”. Portanto, hoje levo meu protetor na bolsa sempre – mesmo em dias cinzas, passo no rosto e no colo antes de sair, e reaplico antes de encontrar o sol (nem que ele esteja tímido).
Esquecer áreas esquecidas: meu próprio corpo ensinou o que não notaríamos

A gente tende a passar protetor só no rosto e nos braços, mas ignorar outras partes que queimam facilmente. Eu já tive queimadura forte em lugares inesperados, porque esqueci de cobrir tudo direito. Por exemplo, certa vez saí para caminhar e achei que bastava protetor no rosto… mas acabei achando queimar a pele fina do pescoço e até um pouquinho atrás da orelha. Hoje sei que a nuca e as orelhas são “pontos cegos” comuns: a pele ali é fininha e várias superfícies (areia, água do mar, chão claro) refletem raio UV de baixo para cima. Ah, e nem preciso dizer que uso protetor labial; já aprendi que os lábios têm pele fininha e praticamente sem oleosidade natural, e o câncer de pele lá pode acontecer – por isso existe até filtro solar específico para os lábios.
Quando li um conselho médico, caiu a ficha: “não esqueça as áreas comumente esquecidas, como couro cabeludo, linha do cabelo, orelhas, pálpebras, lábios, pés e costas das mãos”. Tudo isso eu já tinha pecado sem saber. Uma vez peguei solão nas costas dos pés (não era praia, só andando pela rua com sandália), e agora não esqueço de passar nem ali nem na sola do pé de leve. O cotovelo e atrás do joelho também não ficam de fora, viu? Além disso, nunca mais me atrevi a sair sem chapéu em dia de sol – as orelhas são atraídas pelo sol, juro! Umedeci eles com protetor mesmo. No fim, a lição foi gravada: protetor solar é para todo lugar exposto, inclusive onde o espelho (ou minha preguiça) não alcançam facilmente.
Produtinho velho não salva: a importância de checar a validade

Outra besteira que fiz sem pensar foi pegar um protetor que estava meio esquecido no armário. Achava que “pra que vale a data?”. Só fui saber que isso é furada depois de usar um tubo antigo numa viagem de fim de semana. Aí bati palma: o filtro não estava fazendo efeito algum. A pele queimou igual – e eu nem percebi na hora, só quando vi que estava me esfolando depois. Depois disso, descobri que filtro solar estraga com o tempo. Ele perde a eficácia e não vale a pena usar além da validade. Dermatologistas confirmam: é preciso respeitar a data de validade porque, depois dela, o produto simplesmente não garante a proteção anunciada. Um especialista viu pacientes queimados por aprenderem tarde demais que o protetor tinha vencido. A dica é simples: ou use um protetor logo que abre, ou anote o mês da compra e considere-o válido por três anos a partir daí.
Aprendi também que guardar protetor no carro não é bom (calor demais estraga). Agora guardo na geladeira o quanto posso – parece exagero, mas faz diferença na estabilidade do produto. Ou levo sempre na bolsa, dentro de uma necessaire, pra não ficar no sol. Conclusão: validade é coisa séria. Hoje retiro imediatamente da minha bolsa qualquer filtro solar que tenha mais de dois anos ou sem data clara. Eu não quero nem saber do que acontece após o vencimento – prefiro jogar fora e comprar outro, do que arriscar queimar.
aprendizados que levarei para sempre
Olha, amiga, todos esses erros que contei são comuns – e saiba que você não é a única que fez algo parecido. Eu também me sentia “meia-burrrra” às vezes por não ter prestado atenção antes (KKK, desculpa pela sinceridade!). Mas a verdade é que a gente vive na correria, aprende na marra e só depois se cobra. O importante é que não dá pra ficar se lamentando pelo que já aconteceu. O que importa agora é usar tudo o que aprendemos: dose generosa de protetor, reaplicação frequente, proteção mesmo em dias nublados e cuidado com cada cantinho do corpo. Não existe atalho nem milagre, mas existe consciência.
Eu mesmo descobri que proteção solar é parte da minha rotina de cuidados, como escovar os dentes: passou batom, passo filtro; fui pra rua, reapliquei; passei no rosto, lembrei do pescoço e das orelhas. Cada detalhe faz diferença. E você, já cometeu algum desses deslizes? Conte nos comentários sua experiência e me diga o que aprendeu – quem sabe nossa conversa ajude outras amigas leitoras a cuidar melhor da pele. No fim das contas, todo erro foi só mais um professor para a gente. Sigamos em frente mais protegidas e bem-humoradas!





