Eu, Ada, sempre quis abraçar o mundo de uma vez. Trabalhava o dia todo em um escritório de CLT, dedicava a noite ao meu blog e ainda corria para as aulas da faculdade. No começo, achava que dava conta de tudo, mas a verdade é que essa correria estava acabando comigo. Foi preciso um susto para eu entender que fazer cada coisa na sua hora podia ser um alívio – e, de quebra, muito mais produtivo do que tentar fazer mil coisas ao mesmo tempo.
A armadilha de querer fazer tudo
É meio óbvio, mas nem sempre a gente percebe: quando você vira multitarefa, parece que está ganhando tempo, mas, na verdade, é o contrário. Eu mesma achava que conseguiria entregar posts, trabalhos da faculdade e ainda mandar bem no emprego, tudo no mesmo dia. Acabei criando a ilusão de que só valia descansar depois de “terminar tudo” – mas, na real, nada ficava realmente concluído. Cada tarefa que eu começava acabava pela metade, porque eu já estava pensando na próxima.
O resultado? Cansaço, ansiedade e uma sensação de não dar conta de nada. Eu vivia num looping de tarefas inacabadas. Foi quando percebi: assim não dava para continuar. Precisava encontrar outro jeito de trabalhar. Percebi que a chave não era correr mais rápido, mas desacelerar. Foi aí que entendi algo importante: ser produtiva de verdade não está em fazer tudo ao mesmo tempo, mas em fazer cada coisa bem feita. Foi essa virada de chave que começou a dar resultado na minha rotina.
Quando eu quis fazer tudo de uma vez

Na prática, minha vida chegou a esse ponto: acordava cedo, passava o dia no serviço, voltava pra casa pensando no blog, depois me jogava nos livros da faculdade até tarde. Não tinha fim de semana liberado nem tempo pra nada além de estudar e produzir. Eu juro que tentava ser herói nessa maratona, mas a cabeça já não aguentava mais. O corpo começou a pedir pausa – sono bagunçado, dores de cabeça, até as notas começaram a cair porque eu mal prestava atenção. Fui longe demais até entender que, na verdade, eu era a minha pior inimiga.
Um dia, depois de perder um prazo no blog e ficar devendo um trabalho na faculdade, me peguei pensando: “isso não pode ficar assim”. Marquei horário na coordenação da faculdade e tranquei o curso. Achei que ia sofrer por largar o estudo, mas foi como tirar um peso das costas. Na rotina nova, passei a focar em apenas duas coisas por vez: dar meu melhor no emprego e cuidar com calma do blog. Nada de mil tarefas misturadas. E olha: foi libertador.
O blog ganhou qualidade, minhas horas livres renderam de verdade. Por exemplo, até consegui voltar a ler aqueles livros que estavam parados há meses e até me programei para malhar um pouco — tudo sem culpa por estar deixando outras tarefas de lado. Descobri que, surpreendentemente, meu dia rendia muito mais assim. Percebi também que descansar de verdade virou parte do processo. Passei a reservar um dia do fim de semana só para mim, sem pendências: assisto filmes, passeio no parque ou coloco a série em dia. Essa pausa consciente recarrega minha energia para a semana seguinte.
O jantar multitarefa que deu errado
Não foi só no trabalho que aprendi essa lição. Um dia desses, em casa, o desastre foi completo: eu ia cozinhar o jantar, responder mensagens do trabalho e dar uma olhada num post para o blog simultaneamente. Enquanto a água fervia, tentei digitar a mensagem e cuidar do molho ao mesmo tempo. Spoiler: a comida queimou, a mensagem ficou sem sentido e o post ficou pela metade. Naquela hora me senti meio boba. Parecia bobagem passar por isso de novo, mas foi um sinal claro: precisava desacelerar de verdade.
Respirei fundo, desliguei as notificações do celular e esperei a panela esfriar antes de tentar de novo. Fui fazendo o jantar passo a passo, sem pressa, e só depois voltei para as mensagens do trabalho. O resultado foi surpreendente: o risoto ficou saboroso e ainda me sobrou cabeça para responder tudo sem confusão. Percebi que todo aquele caos poderia ter sido evitado se eu tivesse dado atenção completa a cada tarefa. Desde então, estabeleci que cada atividade teria seu momento único: quando vou cozinhar, por exemplo, desligo as notificações do mundo e só penso na receita. Foi surpreendente ver como pequenos rituais assim me trouxeram mais tranquilidade no fim do dia.
O poder de focar em uma coisa só
Depois dessas experiências, comecei a notar como meu cérebro agradece quando dou foco total a uma atividade. Quando concentro 100% numa tarefa, entro num ritmo de “flow”: as ideias fluem melhor, termino o que comecei e sinto satisfação a cada passo dado. Em compensação, quando pulo de uma atividade para outra, parece que minha mente nunca descansa — e o trabalho fica corrido e incompleto.
Percebi que multitarefa não é sinônimo de superpoder: pelo contrário, cada vez que eu abria outra janela na cabeça, precisava de tempo para voltar ao que fazia, e no fim do dia rendia muito pouco. Depois do aprendizado, tratei de desacelerar de verdade e apostar em uma coisa de cada vez. Claro que nem sempre é fácil: às vezes aparece uma emergência, outras vezes vem a tentação de “dar conta de um pouco de tudo”. Uma regrinha que criei foi começar cada dia com calma: tomo meu café da manhã sem olhar o celular, por exemplo. Isso ajudou a começar o dia com mais calma e foco. Aos poucos, entendi que produtividade de verdade não é sobre quantidade, mas qualidade do que faço.
Dicas práticas para focar em uma tarefa de cada vez

Eu sei que mudar velhos hábitos leva tempo. Mas existem alguns truques que me ajudaram a aplicar essa ideia na vida real:
Escolha poucas tarefas-chave por dia: Em vez de listar dez compromissos, anote só 2 ou 3 tarefas realmente importantes. Eu percebi que cumprir duas coisas bem feitas é mais valioso do que fazer dez de qualquer jeito. Quando termino cada uma, sinto que meu dia rendeu e posso descansar com a consciência tranquila.
Crie um ambiente sem distrações: Desligue notificações, feche abas que não precisa e deixe o celular em modo silencioso. Sério, quando o telefone não fica pulando na minha frente, minha mente dá conta do recado sem se perder. Num momento de foco assim, tudo rende muito mais rápido.
Trabalhe em blocos de tempo: Reserve períodos definidos para cada tarefa. Eu uso algo parecido com Pomodoro (por exemplo, 25 minutos focada, 5 de pausa). Pode parecer pouco, mas dá para fazer muito quando a gente liga o modo “concentração total” durante esses minutos. Além disso, as pausas breves dão aquele respiro para voltar com energia renovada.
Agrupe atividades parecidas: Em vez de alternar entre e-mails, ligações e relatórios o dia todo, deixe tudo de um tipo só para o mesmo período. Por exemplo, respondo todos os e-mails de uma vez só ou faço todas as ligações num bloco. Eu notei que, quando faço assim, gasto bem menos tempo no que precisa de atenção similar e fico menos cansada mentalmente.
Evite micro-multitarefas: Às vezes parece que dá para “ganhar tempo” fazendo várias coisinhas simples junto, como lavar a louça enquanto fala no telefone. Mas aprendi na marra que esses pequenos multitasks me atrapalham: é melhor concentrar no almoço e só depois encostar na tela. Com cada tarefa feita inteirinha, tudo acaba mais rápido.
Monitore seu progresso: Use listas ou quadros de tarefas que possam ser marcados. Riscando cada item concluído, você vê na prática o quanto já fez. Eu até tiro prints do “antes e depois” dos meus textos ou projetos: ver esses resultados concretos dá ânimo para avançar para a próxima tarefa.
Aprenda a dizer não (ou a pedir ajuda): A vida não precisa ser um malabarismo constante. Eu comecei a recusar convites extras e a pedir ajuda com tarefas de casa. Até brinco que meus filhos agora competem para escapar de lavar louça — isso me obriga a delegar cada vez mais. Falando sério, dividir as responsabilidades em casa me deu espaço para focar no que realmente importa sem me sentir sobrecarregada.
Respeite seus limites: Se bater aquele cansaço no meio da tarefa, dê um tempo. Não adianta brigar com o relógio: às vezes o cérebro precisa de uma pausa para voltar mais produtivo. Dormir bem, comer direito e beber água também faz parte. Não se trata de ser perfeito, mas de ser realista com o próprio ritmo.
O que mudou na minha rotina

Não vou mentir: não foi do dia para a noite. Passei algumas semanas tropeçando, esquecendo de pausar o celular ou deixando um pensamento solto que me levava pra outra aba. Mas, aos poucos, fui percebendo benefícios reais. Primeiro, comecei a terminar mais tarefas de verdade. Em vez de arrastar coisas pela metade, via cada item riscado na lista. Isso, no fim do dia, dá uma sensação de vitória que eu não sentia há muito tempo.
Também notei que minha ansiedade reduziu. Não sinto mais aquele friozinho na barriga que tinha quando o dia amanhecia lotado. Até meus amigos notaram a diferença: uma colega falou outro dia que estou parecendo uma nova pessoa. Isso me deixou ainda mais confiante de que o método funciona. Meu sono melhorou porque minha mente não fica pulando de pensamento em pensamento à noite. Até nos projetos do blog deu para notar: consigo escrever textos mais bem-feitos e publico com mais frequência, porque finalmente dedico atenção completa às minhas ideias. Uma amiga ainda comentou que pareço muito mais calma e equilibrada, como se esse foco me devolvesse o controle das minhas escolhas.
Claro que nenhum método é perfeito. Ainda tenho dias em que abro mais abas do que devia, mas aí lembro das lições e volto para o meu plano. Cada vez que aparece uma dificuldade, percebo que conheço melhor o meu jeito de trabalhar. Aprendi a celebrar os pequenos progressos e a ser gentil comigo quando escorrego — afinal, qualquer mudança grande leva tempo. Celebrar cada tarefa concluída virou parte do processo: eu até marco em um calendário quantos dias seguidos fico disciplinada, e esses quadradinhos verdes me dão ânimo para seguir.
Por fim, entendi que não se trata de bater metas impossíveis, e sim de respeitar meu próprio tempo. Aos poucos, fazendo cada coisa de cada vez, a rotina virou algo que me dá confiança em vez de medo. Hoje acredito que, para qualquer pessoa que, como eu, quer realizar sonhos sem pirar, fazer menos é realmente mais. Incrível perceber que, fazendo uma coisa de cada vez, eu rendia muito mais. Não é mágica, mas foi assim que funcionou pra mim: focando em cada tarefa, consegui resultados que não vinham na correria.
Gostaria de saber, amiga leitora, qual é a maior lição que a multitarefa já ensinou pra você? Conte nos comentários o que você vai fazer primeiro agora. Estou torcendo para que essa mudança te ajude tanto quanto me ajudou. Vamos conversando por aqui!





