Chega o fim do mês e, para mim, é como um sinal de parada: eu, Ada, paro tudo e reservo um momento só meu para refletir. Nas últimas semanas, corri de um lado para o outro — escrevi posts no blog, cumpri meus compromissos como funcionária e cuidei da minha família. Mas quando o calendário vira, sinto que preciso de um tempo para avaliar de verdade o que aconteceu. Foi assim que criei o meu ritual de fechamento mensal. Sem cerimônias grandiosas, é um hábito simples que me dá clareza sobre o mês que passou.
Antes desse ritual, eu costumava chegar no final de cada mês exausta e até frustrada sem entender bem por quê. Por exemplo, certa vez cheguei em casa numa sexta-feira desanimada, achando que não tinha conseguido nada importante. Só depois de dias percebi que, na verdade, tinha entregado vários artigos ótimos no blog e ajudado uma colega de trabalho com um projeto difícil. Eu tinha feito, mas não havia parado para comemorar ou mesmo reconhecer isso. Foi o momento em que percebi: preciso desse ritual de fechamento do mês para encerrar cada etapa com consciência do que fiz e do que posso melhorar. Essa constatação me levou a criar o hábito de separar um dia no fim de cada mês só para essa revisão pessoal. Agora, em vez de deixar o mês simplesmente acabar, prefiro encerrá-lo com propósito e gratidão.
Por que ter um ritual de fechamento do mês

A vida está sempre acelerada, não é? Se a gente não parar um instante para olhar para trás, perde o que ganhou e repete o que prejudica. No meu caso, fazer essa avaliação mensal se tornou um remédio contra a sensação de que tudo escapa pelos meus dedos. Desde que adotei esse hábito, consigo evitar cair sempre nos mesmos erros.
Autoconhecimento: Ao revisar o mês, me reconheço melhor. Percebo, por exemplo, que passei horas demais procrastinando nas redes sociais, ou que finalmente voltei a praticar exercícios.
Clareza: Pergunto a mim mesma o que deu certo e o que não deu. Quando reflito sobre cada tarefa entregue ou desafio enfrentado, vejo padrões que me mostram se estou no caminho certo.
Motivação: Ver listadas pequenas vitórias do dia a dia me enche de ânimo. Às vezes são detalhes, mas fazer isso me lembra que evoluí, mesmo em meses difíceis.
Planejamento: A reflexão aponta ajustes necessários. Se identifiquei um hábito ruim, penso em ações concretas para mudá-lo no próximo mês.
Autocuidado: Observar meu próprio ritmo também me ajuda a me cuidar melhor. Quando percebo no papel que estou me sobrecarregando, aprendo a incluir pausas e descanso no próximo mês. Isso torna todo o processo mais sustentável.
Além disso, esse momento de revisão mensal me dá perspectiva para ver minha trajetória com mais compaixão. Esse olhar cuidadoso também me ensinou sobre minhas limitações. Nem todo mês dá para ganhar o prêmio da produtividade: algumas vezes estou cansada, doente ou mais inspirada para outras coisas, e tudo bem. Lembro de um mês em que comecei a todo vapor no trabalho, mas depois peguei uma gripe forte e precisei pausar. Quando revi isso no meu ritual, entendi que esperar a mesma performance era irreal. Reconhecer esses limites me tirou a culpa de cima e tornou meus objetivos mais realistas. Não há promessas mágicas aqui, mas posso dizer que cada mês em que fiz o ritual foi melhor do que aqueles em que o pulei.
Como eu faço: meu ritual passo a passo

Para mim, a parte prática do ritual inclui respostas escritas às perguntas certas. Gosto de usar um caderno físico, mas você pode escolher o que tiver à mão: um aplicativo de notas ou uma planilha no computador. O importante é ter um espaço para escrever livremente. Meu ritual costuma ter estas etapas:
Revisão das metas e tarefas: Faço uma lista rápida do que planejei para aquele mês. Depois, vejo o que foi realizado de fato. Anoto tudo o que terminei: posts publicados, reuniões feitas, projetos entregues, amizades cultivadas. Isso me dá a sensação de dever cumprido.
Autoavaliação sincera: Pergunto para mim mesma: Em que eu melhorei neste mês? Quais hábitos positivos mantive ou quais maus hábitos deixei de lado? O que mais pratiquei (seja algo bom, como ler um livro, ou algo que quero evitar, como passar horas nas redes sociais)? Anoto brevemente as respostas em tópicos. Este passo foi um dos mais difíceis de aprender, mas me ajuda a crescer.
Celebrando pequenas conquistas: Aqui eu paro para reconhecer cada vitória, por menor que seja. Às vezes agradeço a mim mesma por ter sido persistente em algo; outras vezes celebro me dando um mimo: ouvir minha música favorita, tomar um banho mais demorado ou sair para jantar com amigas. Citar conquistas no papel já me faz feliz por antecipação, como quando vejo um item riscado da lista de tarefas concluídas. Celebrar cada passo também fortalece minha confiança e me incentiva a seguir em frente. Às vezes finalizo pensando em algo pelo qual sou grata, encerrando o ritual com um sentimento positivo.
Lições aprendidas: Anoto uma frase curta sobre o maior aprendizado daquele mês, algo como “Preciso delegar mais no trabalho” ou “Aprendi a dizer não para não me sobrecarregar”. Essa é a lição que quero levar adiante. Depois de um tempo, percebo que ela fica ecoando na minha cabeça como um lembrete prático. Por exemplo, às vezes ela vira o tema de reflexão diário, até eu sentir que entendi de verdade.
Metas e ajustes para o próximo mês: Com base em tudo acima, escrevo uma pequena meta principal para o mês que vem. A meta não precisa ser grandiosa — às vezes é simplesmente manter a consistência de ler alguns minutos por dia ou falar claramente sobre meus limites. Metas pequenas me mantêm motivada porque são alcançáveis. Ao final, esse pequeno plano me ajuda a começar o mês seguinte com foco renovado.
Durante esse processo, gosto de fazer alguns registros visuais também. Imagem: Celebrando cada pequena vitória da rotina. Por exemplo, às vezes anoto uma palavra-chave que resuma o mês ou desenho um pequeno símbolo ao lado de cada item (como um emoji desenhado). Essas coisas não são obrigatórias, mas ajudam a reforçar as ideias. O mais importante é que, ao final do ritual, me sinto leve por ter encerrado um ciclo de forma intencional, sem pendências mal resolvidas.
Histórias reais: aprendizados a partir do meu ritual






