Oi amiga, tudo bem? Eu sou a Ada, e hoje quero bater um papo com você sobre algo muito especial que descobri ao longo da vida: a minha maneira de demonstrar amor próprio por meio da conversa tranquila e respeitosa. Desde pequena eu cresci em um lar onde as pessoas eram muito pacíficas e carinhosas. Meus pais e toda a família sempre resolveram suas diferenças sem gritar, usando sempre o diálogo calmo. Isso acabou se tornando natural pra mim. Foi assim que percebi que minha linguagem de amor próprio é falar com carinho e resolver as coisas com calma, sem precisar elevar a voz.
Meus pais eram aqueles exemplos de tranquilidade que inspiram. Lembro que, quando eu tinha uns 6 anos, eu estava contando algo empolgada e percebi que a minha mãe me ouvia até com um sorriso, dormindo pouco depois de um longo dia. Ela me ensinou que cada pessoa tem seu tempo para falar, e que a calma dela me mostrava que valia a pena esperar. Nessas noites tranquilas, entre histórias de ninar e abraços, aprendi que a paciência pode tornar qualquer conversa especial.
Hoje entendo que todo aquele ambiente pacífico em casa foi a base do que sou. Eu mesma tenho o hábito de dar um sorriso e até um abraço em quem está irritado comigo, porque cresce a confiança de que as coisas podem ser resolvidas sem tensão. Gosto de imaginar o caminho das pessoas iluminado por uma luz suave de compreensão, em vez de nuvens negras de raiva. Cada vez que escolho falar baixinho, eu estou alimentando essa luz. Essa luz vem sendo cultivada em mim desde a infância, e é ela que me motiva a compartilhar essas histórias com você.
Como descobri a comunicação não violenta

Era um domingo ensolarado quando fui passar o dia na casa da minha querida amiga Alice. Quando entrei, senti o cheirinho de café com bolo caseiro vindo da cozinha e ouvi a risada gostosa das crianças correndo pelo quintal florido. A família da Alice é super barulhenta e brincalhona, quase uma comédia ambulante: risos ecoavam pela sala cheia de almofadas coloridas, alguma música gostosa tocava baixinho, e todo mundo falava ao mesmo tempo. Eu, que venho de um lar igualmente bagunçado e amoroso, adoro esses encontros. Dá até pra sentir aquela energia boa de amizade no ar, sabe? Foi então que, de repente, aconteceu algo inacreditável.
Eu estava lá, achando que nada podia estragar aquele clima, quando ouvi um estrondo alto: alguém bateu no portão com tanta força que quase derrubou as plantas em cima da mesa. Do lado de fora, um homem gritava cheio de raiva: “Eiii, safado, seu filho pegou a minha filha!”. Fiquei com os olhos arregalados e a mão no peito, sem acreditar no que via. Imagine só o susto: até um copo d’água na mesa balançou. Eu sussurrei para a Alice, com o coração na boca: “Ai, meu Deus, Alice, parece até cena de novela!”. Ela, já rindo, respondeu meio assustada: “Amiga, fica tranquila, é só isso mesmo!”.
A porta do portão continuava batendo enquanto o homem falava num tom altíssimo, quase gritando. Do outro lado do muro, o rapaz que tinha sido chamado de “filho do safado” permaneceu calmo, respondendo tudo em voz baixa e pausada, como se nada estivesse acontecendo. Eu fiquei olhando, intrigada. Como assim? Um homem bravo daquele jeito falando tão devagar? Alice notou minha cara confusa e explicou baixinho: “Amiga, o pai daquela menina é psicólogo, lembra? Ele sabe como lidar com raiva!”. Na hora eu fiquei chocada e soltei uma risada de nervoso.
Continuei observando a cena: o homem nervoso falou bastante, mas não conseguiu tirar da calma o psicólogo do outro lado do muro. Parecia até uma coreografia estranha de briga: um falando bem alto e rápido, o outro escutando com paciência. Quando a confusão finalmente acabou, eu respirei aliviada junto com todo mundo e pensei: “Nossa, como é bom ver uma pessoa mantendo a calma assim”. Naquele momento entendi que eu estava vendo na prática o segredo da comunicação não violenta. Mesmo com todo aquele barulho e confusão, percebi que não era preciso falar alto ou brigar para resolver as coisas. A Alice até piscou pra mim e sussurrou: “É isso aí, Ada, papo de coração e carinho sempre ganha no final”. Sorri concordando com ela. Aquele dia, cheio de risadas, sustos e aprendizado, ficou guardado na minha memória. Aprendi que, mesmo em meio ao caos, a calma sempre ganha. Quando a gente mantém a voz suave, nem todo mundo vai entender na hora, mas às vezes a paciência tem efeito de veneno na raiva dos outros: ela desarma as situações e deixa tudo mais leve.
No trabalho: colocando em prática a calma

Outra situação inesquecível aconteceu no meu trabalho. Era um dia normal no escritório, aquelas tardes de segunda-feira em que a maioria já está cansada e contando os minutos para ir embora. Eu estava sentada em frente ao computador, respondendo os e-mails dos clientes, quando ouvi a voz alterada da minha colega na cadeira ao lado. Sabe quando você sente que o clima do ambiente muda por causa de alguém? Pois foi exatamente assim. Ela, que já estava um pouco nervosa por estar de TPM, segurou a cadeira com força e respirou fundo, preparada para explodir.
Parecia que ela achou que eu tinha feito algo errado num atendimento, e então ela explodiu: “Ah, deixa de frescura! Você nunca entende nada, não é?!” Eu gelei ali na hora. A cada palavrão que ela soltava, minha mente formigava, mas continuei sentada com a postura ereta. Respirei fundo porque sabia que reagir igual não ia ajudar em nada. Meu coração estava batendo rápido, mas eu tentei desacelerar a respiração e pensar antes de falar.
Ela estava com o rosto bem vermelho, quase igual à minha cara quando eu fico com vergonha, e os olhos cheios de lágrimas de raiva. Assim que parou de gritar, notei que tinha deixado escapar um soluço. Estávamos sozinhas no escritório, eu e ela, um clima pesado só entre nós. Eu então desliguei o computador e me levantei devagar, ainda olhando pra ela com calma. Estendi minha mão e perguntei bem baixinho: “Amiga, tá tudo bem? Quer conversar?”. Aquilo pareceu tirá-la do estado de choque, porque ela fechou os olhos e deixou as lágrimas rolarem, desabafando tudo.
Ela falou que estava passando por uma fase muito difícil na vida pessoal e profissional, e aquele grito todo foi o acúmulo de dias ruins. O chefe tinha cobrado horas extras não pagas, as contas em casa apertavam, e ela estava exausta. Eu só escutei, coloquei a mão no ombro dela e disse que compreendia o peso que ela carregava. No meu rosto, nada além de empatia — nem um pingo de raiva. Ela desabafou sem interrupções, e quando parou, pedi desculpas por qualquer coisa que pudesse ter contribuído para o estresse do dia. Depois de um tempo, ela pediu desculpas pra mim, agradeceu pela paciência e disse que se sentia muito melhor por poder abrir o coração.
Ela me agradeceu pela paciência e chegou a rir de leve de como tinha exagerado, dizendo que às vezes parecia personagem de novela gritando sem motivo. O importante é que, no fim das contas, conversamos como duas amigas. Abraçamos forte, e aquelas palavras pesadas foram levadas embora pelo abraço. Eu saí daquela sala sentindo um misto de alívio e orgulho por mim mesma. Lembrei do que sempre falo: quando uma quer brigar e a outra não quer, a briga nem começa. Percebi que não precisamos ser heroínas ou bancar as fortes: a gente resolve quando abre o coração.
Amor próprio e relacionamentos

O amor próprio também aparece quando a gente fala com quem ama. Vou contar uma de “casal”: numa noite de sexta-feira, eu e meu namorado estávamos no carro a caminho de casa, quando um silêncio desconfortável se instalou. O que havia acontecido? Ele tinha comentado algo que eu interpretei como crítica — provavelmente sem querer. Meus pensamentos começaram a ferver: deu vontade de rebater, de gritar, mas eu respirei fundo. Olhei para ele e falei baixinho: “Você parece chateado, quer contar o que aconteceu?”. Foi um tom suave, como quem cuida de quem a gente ama.
Na hora ele arregalou os olhos. Do jeito calmo que falei, ele percebeu que eu realmente me importava. Ele então explicou que não foi nada grave; só que eu tinha esquecido de avisar um compromisso importante dele, e ele tinha se sentido ignorado. Em vez de discutir, eu apenas pedi desculpas verdadeiras: “Desculpa, amor. Sinto muito se te magoei”. E então perguntei como poderíamos resolver isso juntos, em vez de alimentar qualquer raiva. O clima pesado foi embora ali, naquele abraço que demos em seguida.
Ele abraçou e disse que entendia. Eu voltei pra casa com um sorriso no rosto, agradecendo por termos falado com calma em vez de brigar. No fim da noite, ainda sob a luz amarelada do abajur da sala, pensei como é bom resolver as coisas com carinho. Aquele momento me mostrou que quando nos amamos, a última coisa que queremos é machucar. Decidimos ser parceiros na resolução, não adversários no conflito. Esses princípios valem também quando conversamos com a família ou amigos queridos: ser gentil, escutar de coração aberto e falar sem acusar ajuda a manter a paz. Eu tratei meu namorado com carinho porque me amo o suficiente para não criar mágoas desnecessárias.
Até no trânsito: praticando a calma

Quero contar uma situação cotidiana que também me ensinou muito. Imagina: eu dirigindo para o trabalho, naquele engarrafamento típico, os carros parados luz após luz. Do lado, um motorista de um carro vermelho começou a piscar farol e buzinar para eu sair da frente. Eu podia sentir a raiva subindo: a adrenalina querendo ganhar. Mas decidi me lembrar de manter a calma. Respirei fundo, deixei ele passar e continuei dirigindo no meu ritmo, sem xingar ninguém. Naquele instante, percebi algo simples mas poderoso: se eu cedesse à pressa, acabaria perdendo tempo e estresse à toa. Segurando a raiva, continuei em paz. Depois, pelo retrovisor, vi aquele motorista seguindo em frente. Cheguei no trabalho sem me estressar nem um minuto a mais com alguém que eu nem conheço. Meu dia foi melhor porque não levei a raiva dele para dentro de mim.
A lição que tirei ali é tão simples quanto transformadora: não precisamos reagir com violência quando alguém está estressado. Até naquela situação comum do trânsito, eu pratiquei a comunicação não violenta comigo mesma — em vez de xingar, escolhi ser gentil comigo, dizendo que está tudo bem. Descobri que, quando mantemos a calma, nosso estresse não se multiplica. E esse aprendizado levo para todas as outras conversas, porque amar a mim mesma me dá forças para não entrar no jogo da briga.
O amor começa em mim

Talvez você tenha percebido que toda essa calma que compartilho vem de um lugar de amor próprio. Para mim, amor próprio é tratar a mim mesma da mesma forma gentil que trato os outros. Nos dias mais corridos, eu falo comigo usando uma voz suave em vez de julgamentos: em vez de me cobrar por cada erro, eu lembro que sou humana e mereço compreensão. Esse autocuidado interno me ajuda a manter a calma na hora de conversar.
Eu até tenho um ritual matinal simples: antes de enfrentar o dia, olho no espelho e digo algo como “Tudo vai ficar bem, lembre-se de ser você mesma”. Pode parecer bobo, mas faz meu coração ficar quentinho. Quando acontece algo que normalmente me irritaria — um trânsito complicado, uma bronca no trabalho —, eu me lembro dessas palavras de amor próprio. Respiro fundo e falo: “Tá tudo bem, vou entender o outro” ou até “Eu estou indo bem”. Com esse cuidado comigo, consigo transbordar paciência para os meus relacionamentos.
A verdadeira linguagem do amor próprio, concluo, é essa: manter a voz calma e o coração aberto, começando por mim mesma. Porque é impossível espalhar gentileza e empatia se eu não tiver esses sentimentos por dentro. Eu me trato com carinho, e assim consigo tratar você e todas as pessoas à minha volta com carinho também.
Minhas dicas práticas no dia a dia
Respire fundo antes de responder. Uma pausa de alguns segundos te ajuda a não agir por impulso e a escolher palavras gentis.
Olhe nos olhos de quem fala com você. Um contato visual acolhedor transmite cuidado e faz a conversa fluir melhor.
Fale devagar e com um tom de voz calmo. Assim, você não aumenta a tensão e mostra respeito pelo outro.
Tente entender a outra pessoa. Pergunte e escute de verdade: “Você poderia me explicar melhor?”. Isso acalma o clima e aproxima vocês.
Use frases em primeira pessoa. Em vez de acusar, comece com “eu sinto” ou “eu penso”. Por exemplo: “Eu me preocupo quando você fala assim.”
Cada dica é um pequeno gesto que você pode começar a usar hoje mesmo, sem precisar de nada além da sua própria vontade.
Viu como é possível lidar com qualquer conflito sem precisar gritar? Com amor próprio e comunicação não violenta, eu transformei brigas em diálogos. A cada história que contei, mostro que pequenas escolhas de gentileza mudam o resultado. Às vezes, basta uma pausa para respirar fundo, um olhar de empatia ou uma pergunta simples — e o clima pesado se desfaz. Isso não só fez meu dia a dia mais leve, como também fortaleceu meus laços com as pessoas que amo.
Imagine se todo mundo adotasse essa forma de falar! Pense num mundo onde até no trânsito, no trabalho ou em casa, a gente resolve tudo com abraço no lugar de grito. Incrível seria. Se cada uma de nós fizer sua parte, espalhando conversas de coração aberto, criamos um ambiente mais amoroso e menos estressado. Eu acredito de verdade que você tem esse poder dentro de si. Só de você ler essas palavras até aqui, já começou a plantar uma sementinha de calma.
A cada história que compartilhei, meu objetivo foi mostrar que a mudança é possível para todas nós. Não importa quão intenso seja o desentendimento: uma palavra gentil e um tom calmo podem fazer milagres. Quando você pratica essa forma de amor próprio, o mundo inteiro parece retribuir. Eu mesma já notei que, depois de seguir essa prática, passei a receber sorrisos e agradecimentos mais frequentes. É como se a energia do amor e da compaixão criasse um círculo virtuoso ao meu redor.
Sei que não é fácil no começo, mas cada passo conta. Se um dia você levantar a voz, tudo bem — o importante é lembrar da calma depois. Faz parte do aprendizado da nossa vida. Cada vez que a gente escolhe se amar um pouquinho mais, cada vez que tomamos cuidado com as palavras, estamos ajudando a criar um dia menos pesado para todo mundo.
Vamos juntas espalhar mais amor por aí. Deixe o seu relato nos comentários, inspire outras leitoras com a sua verdade, do jeitinho que você sabe. E não esqueça: a comunicação não violenta começa com cada uma de nós, é a verdadeira linguagem do amor próprio. Beijo grande!





