São 24 horas em um dia, e grande parte desse tempo passamos dormindo (o que, convenhamos, é essencial). Sabe aqueles minutos perdidos no trânsito ou esperando o ônibus, que parecem horas desperdiçadas? Eu vivia essa rotina – até perceber que podia usar cada minuto a meu favor. Mas e as horas que restam no restante do dia? Descobri que aquela hora, ou mais, que gasto nos trajetos diários pode ser transformada em uma ferramenta de produtividade.
Sou Ada, moro em Curitiba, e depois de muitas viagens de ônibus e conversas inspiradoras em pousadas de praia, aprendi a usar o tempo de viagem para fazer mais do que simplesmente me deslocar. Vou compartilhar aqui como esse “truque do tempo de viagem” mudou minha rotina e pode ajudar você também.
Descobrindo o poder dos deslocamentos

No começo, eu via o trajeto entre casa e trabalho (ou faculdade) como um transtorno. Passava uma hora inteira no ônibus, muitas vezes parada no trânsito, só querendo chegar logo. Em vez de aproveitar, eu reclamava mentalmente: “Que tédio!”. Um dia, por exemplo, saí de casa atrasada e peguei o ônibus sem ter nada para fazer. Fiquei irritada, olhando para o celular, pulando páginas de notícias sem prestar atenção em nada. Esse era meu erro: ver o tempo de viagem apenas como espera inútil. Nunca imaginei que um simples hábito pudesse mudar tanto. Ainda bem que decidi tentar algo novo.
Foi então que decidi virar o jogo. Como não podia reduzir o tempo do deslocamento, mudei o que eu fazia nele. Comecei levando um livro no celular ou no tablet. No início, lia pequenos capítulos ou textos curtos. Não precisava terminar nada, apenas absorver uma ideia de cada vez. Lentamente, percebi algo importante: esses minutos “extras” me ajudavam a começar o dia com outro ritmo. Já cheguei a um compromisso ou aula sem aquele torpor inicial de quem acordou “pulando do ponto”, sabe? Percebi que, no meu caso, aquele torpor inicial ficou para trás.
A cada trajeto, trazia algo para ler: um capítulo de um livro, um artigo interessante ou até mesmo um diário de bordo que comecei para mim mesma. Essa atitude fez diferença. A cada trecho que eu percorria, sentia que não estava mais perdendo tempo; ao contrário, estava dando um propósito para aquele momento. O tempo extra no ônibus ou trem virou, para mim, uma chance de aprender algo novo sem esforço. Foi um aprendizado simples, mas valioso: o truque começou com aquele primeiro livro lido sobre rodas e se tornou um hábito que levo para toda a vida.
Aplicando o truque na prática

Depois dessa descoberta inicial, fui ajustando a rotina de acordo com o que funcionava melhor para mim. A chave foi flexibilidade. Alguns dias, levava um livro de desenvolvimento pessoal; outros, ouvia podcasts de histórias inspiradoras (e até descobri ótimos canais de ciência para ouvir no fone, sem perder o trajeto visual).
Por exemplo, passei a acordar dez minutos mais cedo para ouvir um capítulo extra de um audiolivro enquanto fazia a primeira parte do caminho. Se estava sem fone, colocava legendas em vídeos educativos no celular — tudo isso nos curtos 20 minutos que levo do apartamento até a faculdade. Em outro trajeto mais longo, usei o tempo para esboçar mentalmente um projeto inteiro, o que me ajudou bastante quando tive que transcrever esse projeto depois em casa. Em outros momentos, apenas listava mentalmente as tarefas do dia: corria na cabeça o que precisava ser feito assim que chegasse. Planejar mentalmente pequenos passos, mapear projetos em pensamento ou simplesmente organizar tudo na cabeça me deixava preparada para o dia.
Não foi um milagre instantâneo nem sempre foi fácil. Houve dias em que eu preferia ficar quieta e apenas olhar pela janela, sem absorver nada. Percebi que forçar produtividade o tempo inteiro pode cansar. Por isso, quando estou muito exausta, fico contemplando a paisagem ou respirando fundo. Um dia desses estava tão cansada que simplesmente fechei os olhos no ônibus em vez de ler. No final, esse tempo de descanso também me revigorou: estar presente no trajeto às vezes vale mais do que ocupar a cabeça.
Viagem à Ilha do Mel e a lição de Silvane

Além das rotinas diárias, minhas viagens de férias me deram outra perspectiva. Todo final de ano (ou em julho), pego um ônibus rumo à Ilha do Mel, uma praia linda e afastada que fica a 1h30 de Curitiba. Em uma dessas viagens de fim de tarde, cheguei à pousada tranquila da dona Silvane com minha mãe e com a mãe da minha melhor amiga e a Alice. Descobri que cada viagem escondia uma lição sobre como usar o tempo de forma criativa.
Depois de um dia inteiro de sol, desci sozinha até a orla. O sol estava se pondo e vi dona Silvane — uma senhora idosa, cheia de energia — sentada num banquinho, olhando para o mar e escrevendo num caderno. Fiquei observando de longe, pensando na viagem e em como a vida às vezes vai rápido demais. Então me aproximei devagar, meio tímida. Ela me olhou e sorriu:
— Eu sei como você é, Ada. Em silêncio tudo vem até nós. — ela disse, com aquele jeitinho doce.
— Posso me sentar aqui? — perguntei, um pouco encabulada.
— De forma alguma, minha filha, venha! — respondeu, estendendo a mão para o bloco de anotações.
O que aconteceu depois virou um aprendizado especial. A dona Silvane me contou que, em cada viagem ou momento de paz, ela gosta de anotar tudo o que sua mente está pensando ou desejando — não importando se é algo material ou espiritual. “Escrevendo enquanto observamos o mundo, aquilo que você realmente deseja encontra um caminho até você”, ela me explicou com sabedoria.
Ali, à beira do mar, escrevendo enquanto observava o pôr do sol, tive um clique naquele instante: percebi que não estava desperdiçando tempo — estava conectando ideias e desejos no meu caderno. Enquanto anotava, pensamentos passavam pela minha cabeça como ondas, trazendo planos para o futuro e recordações queridas. Aprendi que, mais do que movimentação física, esse tempo pode ser uma viagem interior: cada palavra traçada ali era um tijolo na construção de algum sonho meu.
Dicas práticas para aproveitar o tempo de viagem

Eu sei que cada pessoa é diferente e nem tudo vai funcionar para todo mundo. O que compartilho aqui foi o que deu certo no meu dia a dia. Então, se quiser experimentar, veja algumas ideias que uso com frequência:
Leitura estratégica: Carrego sempre um livro ou um app de leitura no celular. Nos trajetos de ônibus ou trem, leio um capítulo ou um trecho curto. Para mim, foi o básico para começar a transformar o tempo que seria ocioso em algo útil, sem nem sentir o esforço.
Audiolivros e podcasts: Se você dirige ou prefere ouvir, selecione conteúdos interessantes (como histórias, biografias ou cursos rápidos). Eu já aprendi fatos fascinantes em podcasts enquanto esperava o ônibus atravessar uma ponte lotada de trânsito.
Planejamento mental: Aproveite o percurso para listar mentalmente tarefas do dia. Eu gosto de imaginar o roteiro do meu projeto ou lembrar de ligar para alguém, enquanto vejo a cidade passando pela janela.
Escrita e anotação: Tenha sempre um caderno pequeno ou bloco de notas. Eu escrevo ideias soltas, frases inspiradoras ou até um breve diário de bordo. Em uma viagem mais longa, cheguei a fazer até um pequeno mapa mental sobre uma meta que tinha, tudo desenhado ali entre um ponto e outro.
Momento de criatividade: Nem todo deslocamento precisa ser “ativo”. Já usei viagens para imaginar novos pratos na cozinha (é meu hobby favorito!) ou para criar trechos de histórias para um conto que estou escrevendo. Deixar a mente vagar de forma criativa também conta, e de quebra dá até um break no dia corrido.
Pausa para desacelerar: Quando meu corpo ou mente precisa de silêncio, respiro fundo. Observar a paisagem, sentir o vento no rosto ou até fechar os olhos por alguns minutos me revigora. Confesso que, às vezes, apenas sentar quieta no ônibus já faz meu humor melhorar muito.
Cada uma dessas dicas foi algo que aprendi ao testar no meu dia a dia. Claro, dar o primeiro passo — lembrar de levar o livro ou o caderno — leva um tempinho, mas hoje virou hábito natural.
Limitações e ajustes na rotina

Não pretendo vender nada milagroso: usar o tempo de viagem produtivamente tem limites. No trânsito, por exemplo, sempre priorizo a segurança. Se estou indo de ônibus, evito olhar muito o celular; posso pensar alto algumas ideias, mas sem perder o foco na estrada. Quando o trajeto é muito curto (só 5 minutinhos), talvez seja melhor aceitar que esse tempo seja mesmo apenas trânsito ou subida de elevador — tudo bem.
Também aprendi que nem todo método serve o tempo todo. Por exemplo, uma vez tentei responder e-mails urgentes pelo celular no ônibus e acabei ficando confusa por causa da conexão ruim. Descobri que certas tarefas precisam de atenção total ou de Wi-Fi estável, e é melhor deixá-las para quando estou em casa ou no trabalho. Cada tipo de deslocamento pede um ajuste: se estou num ônibus sacolejante, não tento escrever num bloco pequeno; se estou num trem mais calmo, posso ler sem problemas.
Se às vezes acontece de eu esquecer de levar o livro ou esquecer de checar o fone, tudo bem também. Dar um descanso à mente quando ela pede é válido. O importante é experimentar e adaptar. Levantar da cama já é uma vitória — se, na estrada, você conseguir fazer mais um pouquinho que ontem, ótimo. Não é motivo de auto-julgamento, mas sim de aprendizado sobre o que vale a pena naquele trajeto.
No fim das contas, aprendi que o tempo de viagem não precisa ser nosso inimigo. Com alguns truques da minha rotina — como leitura, escrita ou até uma pausa consciente — consegui transformar horas de deslocamento em momentos úteis, criativos e até relaxantes. Não digo que agora sou produtiva 100% do tempo, mas descubro pequenas oportunidades em cada ida e volta: seja aprendendo algo novo, caminhando mentalmente por um plano futuro ou simplesmente encontrando um silêncio reparador.
E você, já pensou em experimentar esse truque? Talvez valha começar pequeno: na próxima viagem, leve um livro ou escute um podcast. Comente aqui suas ideias ou experiências; quem sabe ajudamos uns aos outros a fazer o que parecia “tempo perdido” virar tempo bem investido.
Boas viagens e até a próxima! Continue observando as pequenas oportunidades em cada dia de deslocamento.





