Pés no Chão e Cabeça no Lugar: O que a técnica de Grounding fez pela minha clareza mental.

Olá amiga leitora Ada aqui, Sabe quando parece que a vida vai passando enquanto a gente está ali, de olhos vagos, olhando pra tela do celular ou cumprindo tarefa atrás de tarefa? Eu também me sentia assim: num piloto automático permanente. Acordava, já rolava redes sociais antes de levantar da cama; no trabalho, passava horas na frente do computador resolvendo planilhas e e-mails; nos fins de semana, aceitava convites “de mentira” só pra dizer que descansei. O resultado? Uma sensação constante de cansaço e dispersão. Foi aí que, meio que no desespero, comecei a pensar: será que estou perdendo a própria vida enquanto fico vidrada na vida dos outros?

📱 Quando vejo telas e mais telas, fico doidinha. Outro dia, no escritório, eu e minhas colegas estendíamos a tarde em reuniões de planilhas quando a Sofia, totalmente acabada, falou entre uma risada: “Amiga, tô exausta!” Nem fizemos piada, porque todas concordamos – e eu também falava isso. Ela então comentou que sempre pega uns minutos na praça: deita na grama, respira fundo e, de repente, volta pra ela mesma. Na hora pensei: que sorte! Por que ninguém falou isso antes? Aquele “voltar pra si” me soou como um milagre em forma de ar fresco. Naquela sexta-feira mesmo, comecei a cogitar tirar os sapatos e sentir o chão sob meus pés, só pra ver no que dava.

Vivendo no piloto automático

Ultimamente sinto que todos vivemos assim: freneticamente digitais, deitados num sofá invisível de distrações. Amigo me manda mensagem e respondo no automático; algo não sai como planejei e já penso em catástrofe; sinto um nó no peito e não sei nem por quê. Eu comia no escritório olhando pro celular, mal lembrava da última vez que estendi o pé no chão da terra, e parecia que meu corpo reclamava. Às vezes achava que era algo estranho comigo até que percebi que essa era a norma: todo mundo por aí com cara de zonzo.

Eu, pessoalmente, já tinha virado uma dessas pessoas. Achava “coisa de gente ociosa” ir à praia só pra ver o pôr do sol, deitar na grama sem fazer nada; pensava que lazer era só quando eu pudesse fazer algo divertido, não ficar parada em silêncio. Mas percebi que estava errando: essa tal de natureza não está ali pra ser ignorada. Foi aí que a falta de propósito começou a ficar bem evidente. Erro meu foi deixar a rotina me roubar a calma sem reagir.

Em um desses dias, senti que não dava pra manter o ritmo sem pausa. Percebi que o “estresse” que todo mundo comentava provavelmente era só falta de um clique de reset em algum lugar melhor que a cadeira do escritório. Eu decidi que no próximo sábado eu ia colocar os pés no chão de verdade – sem mimimi, com mochila nas costas, como a Sofia sempre fazia.

Descobrindo o grounding no dia a dia

Foi então que ouvi falar do tal do grounding (ou “aterramento”). Descobri que é uma técnica bem simples: literalmente, focar no momento presente através do contato físico com o chão e com nossos sentidos. Li que psicólogos definem o grounding como um jeito de “reconectar a pessoa com o momento presente” nos momentos de ansiedade. Em resumo, seria plantar o pé no chão, sentir a textura, o peso do próprio corpo e desligar um pouco o piloto automático da mente.

No fundo, a ideia me agradou. Pensei: se é pra voltar à realidade, por que não tentar? Um dia de manhã, cheguei no trabalho com os nervos à flor da pele: acabei escrevendo um e-mail grosseiro sem querer para um cliente. Meu coração pulava de ansiedade e eu já tinha mandado a mensagem no modo “piloto automático”! Percebi o erro assim que cliquei em enviar. Já ferruei ver aquela bobagem saindo do meu rabo, tava quase mandando sem pensar. Minhas mãos começaram a tremer. Parei tudo. Ali, na frente da tela, respirei fundo, tirei os sapatos e fechei os olhos por dois minutos. Não foi como mágica instantânea, mas o barulho na minha cabeça desacelerou. De repente, percebi: o problema não era o e-mail, era o meu cansaço acumulado. Obrigada, grounding. 😊

A experiência comprovou um pouco do que li num blog de psicologia: essa técnica ajuda a “quebrar ciclos de pensamento negativo e promove foco, atenção e clareza mental”. Enquanto meu cérebro ligava o modo “sentindo o chão”, o susto do e-mail passou e a irritação esfriou. Percebi que era isso: meu corpo gritou por uma pausa na rotina, e acabei dando um pé na trave. Naquele dia, por uma fração de segundo, voltei ao controle da situação. Aprendi que não precisa de nada tecnológico pra isso: só de reconhecer o momento e de que estamos, de fato, em algum lugar.

Rituales de fim de semana: meu “Minuto Descalço”

Na terça-feira passada, descrita acima, vi que precisava repetir aquele momento de “reset” com mais frequência. Eu resolvi oficializar um mini-ritual, o que chamo de “Minuto Descalço”: bastam 60 segundos por dia, onde quer que eu esteja, para reconectar. Não precisa de jardim especial – pode ser na cozinha, no terraço, até no chão da sala. Então, no fim de semana, quando chega sábado, eu coloco o despertador 1 minuto mais cedo que o normal. Tudo bem não fazer nada além de ficar descalça, com os pés firmes no chão, sentindo o apoio na sola. Fecho os olhos por um instante, inspiro o ar cheio de cheiro de café fresco ou matinal e absorvo a simplicidade do momento.

Em muitos sábados, vou ainda além: pego uma mochila e busco um cantinho verde. Lembro do conselho de amiga: “se for pra relaxar a cabeça, nada como deitar na grama”. Sábado passado decidi experimentar: rumei para uma cachoeira que fica perto da praia. Caminhei um trecho por entre árvores, cheguei até àquelas águas rasas de rio. Eu estava errando ao achar que descanso era só ficar parada dentro de casa. Aprendi que meu descanso era mais vivo quando era na natureza. Tirei os sapatos, molhei os pés, senti cada pedrinha debaixo, a água fresca no tornozelo. Fiquei assim um tempinho, ouvindo o som do rio, o farfalhar das folhas e o canto dos pássaros. Aos poucos, meu peito soltava o ar e eu conseguia pensar com calma.

Foi como se aquele minuto esticado tivesse puxado a ficha: o estresse todo se dissolveu na água. Eu voltei daquela cachoeira pensando “Uau, estou de volta!” com muito mais clareza. Minha cabeça estava literalmente no lugar – e meu corpo firme na terra. Não prometo que foi um milagre que resolveu todos os problemas, mas a sensação que fica é de que me reencontrei. A pressão de segunda-feira desarmou um pouco porque eu já sabia: era possível voltar a mim mesma com algo tão simples.

Benefícios que percebi (e como praticar em casa)

Hoje, olhando pra trás, vejo que o grounding melhorou coisas bem reais na minha rotina, sem exagero mágico. Por exemplo: menos ansiedade. Agora, quando sinto o coração disparar, em vez de surtar, me lembro daquele pé que toquei no chão e respiro. É impressionante como um estudo mostra que conectar-se ao momento presente interrompe as ruminações mentais. A técnica faz você focar no que está na sua frente – como o café quente, a textura do tapete ou o canto do pássaro – e isso reduz aquele looping de preocupações. Eu percebo isso: depois de um minuto descalça, consigo retomar a tarefa do jeito certo, sem brigar comigo mesma.

Outra coisa: clareza mental. As ideias ficam mais nítidas. Lembro de ter lido que grounding ajuda a “promover foco, atenção e clareza mental”. E não é conversa – sinto no meu dia a dia. Antes, voltava da rua quase sem conseguir lembrar o que ia fazer, agora volto com projeto de spa nos pés: consigo traçar melhor meus planos. Minhas amigas também notaram: quando estamos juntas, às vezes elas fazem até uma mini-sessão comigo – experimentaram tirar os sapatos no escritório e, olha, dizem que sentem diferença.

Sei que o grounding não é fórmula mágica que resolve tudo – não vou prometer que ele cura estresse crônico do dia pra noite. Pra ser sincera, há dias em que a vontade é maior que 60 segundos. Mas como aprendi errando, adotei ajustes reais: alguns dias faço 2 minutos, outros só 30, especialmente quando não dá pra estender muito o tempo. Ele não dispensa buscar solução de verdade para os problemas, mas me dá um minuto para redescobrir minha sanidade antes de encará-los.

Como praticar o seu Minuto Descalço:

  • Tire os sapatos e fique descalça sobre chão natural sempre que puder – seja uma grama no parque, a areia da praia ou até o piso de madeira da sala.

  • Feche os olhos por alguns segundos (ou mantenha-os abertos, se preferir) e respire devagar. Sinta o pé tocando o chão: a textura, a temperatura, a leve pressão.

  • Concentre-se no agora. Perceba ao seu redor cinco coisas que você vê, quatro que sente tocando, três que ouve, duas que cheira e uma que saboreia (o famoso exercício 5-4-3-2-1 é uma forma de grounding que traz você de volta ao presente).

  • Faça disso uma pausa. Pode ser logo ao acordar, antes de abrir um e-mail estressante ou depois de um almoço corrido. Esses minutinhos “descalços” servem para descarregar o que não lhe pertence e sentir o apoio do chão, literalmente.

  • Experimente em ambientes diferentes: casa, jardim, parque. Em um dia de chuva, vale até molhar os pés na chuva ou lavar o rosto com água gelada – tudo isso ativa o corpo e acalma a mente, como alguns terapeutas recomendam.

Cada pessoa encontra seu ritmo. Pra mim, esses minutos foram suficientes para criar um espaço de clareza no meio da bagunça mental. No final das contas, não é grande segredo: só é preciso querer parar um pouco e dar atenção a você mesma.

Eu não tinha um mapa para ter clareza mental até os pés me guiarem. Adotar essa rotina do grounding foi simples, barato e agora faz parte do meu cuidado diário. Se hoje eu pareço mais calma, é porque aprendi a “anotar presença” no lugar onde estou, sentindo o chão. Sei que pode parecer bobo, mas é real: meu nível de estresse caiu, e minha cabeça se ajeitou nos momentos em que importa.

Que tal experimentar você também? Não custa nada tirar os sapatos por um minuto agora, respirando fundo e lembrando que você está aqui – e que está tudo bem. Se fizer isso, volte e me conta nos comentários: como se sentiu? Se você já pratica algo parecido, compartilhe sua experiência. Estamos juntas nessa jornada de manter a cabeça no lugar. Convido você a entrar nesse ritmo simples e sincero, e vamos cuidar da nossa clareza mental com os pés bem firmes no chão.

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