Meu Momento Decisivo no Trabalho
Desde que comecei a trabalhar CLT há sete anos, eu sempre cuidei de tudo com muito amor e simplicidade. Ganhar 2.500 a 3.000 reais por mês parecia ótimo para mim. Eu nunca quis fama ou luxo; queria só uma vida tranquila, um cafezinho pela manhã com minhas amigas, uma conversa gostosa durante o almoço na cozinha do escritório. Tudo estava bem até aquele dia de 2023 que mudou tudo.
Era sexta-feira e o escritório estava vazio, as luzes começavam a se apagar e a faxina estava pronta para começar. Eu acabava de terminar um relatório importante para a Patrícia, minha amiga de mesa de trabalho. Ela veio até mim exausta, com aqueles olhos quase fechando de cansaço:
— “Amiga, pode entregar esse resto para mim? Por favor, eu estou quebrada hoje.”
Olhei para a Patrícia e sorri:
— “Claro, não se preocupe. Vai descansar que eu termino, tá?”
Ela ficou aliviada e foi embora. Fiquei finalizando o relatório quando, de repente, o diretor da empresa apareceu, pedindo para falar comigo em seu escritório. Fiquei surpresa; era tão tarde e ele não costumava aparecer nesse horário.
Entrei e me deparei com aquele quarto semi-escuro, a porta lentamente se fechando atrás de mim. Era um cubículo pequeno, iluminado apenas por uma luminária amarelada sobre a mesa. Senti o ar-condicionado gelado no rosto e o cheiro forte de café que ele havia preparado pela manhã. Ele usava um terno azul-escuro e gravata vermelha, olhos frios fixos em mim com um brilho estranho. O chefe olhou para mim com um misto de seriedade e desejo:
— “Olha só tudo isso: poder, dinheiro, fama, casa, carro… luxo, Ada, luxo.”
Eu não entendi muito bem. Senti meu coração acelerar. Ele perguntou:
— “O que você faria para conquistar tudo isso? Faria de tudo?”
Com o coração batendo rápido, respirei fundo e respondi, olhando em seus olhos:
— “Não, senhor. Eu não faria de tudo.”
Ele riu, um riso grave e confiante:
— “Minha filha, chega dessa modéstia! Você é a melhor funcionária que temos aqui, e por isso eu tenho uma proposta. Aceita, e todo mês depositarei 100 mil reais na sua conta.”
Minha pele se arrependeu. Ele continuou:
— “Sabe, Ada, você é uma mulher linda… o que faria para ter esse dinheiro todo mês?”
Fiquei em silêncio, tentando entender. Foi quando ele disse:
— “Seja minha amante. Ninguém precisa saber. E todo mês, 100 mil reais na sua conta sem fazer nada.”
O ar saiu do meu peito. Aquela era a proposta mais repulsiva que eu já ouvira. Me senti enojada. Sem pensar duas vezes, levantei com firmeza, respirei fundo e respondi:
— “Eu não sou essa pessoa e não farei isso. Eu mereço respeito!”
Lembro do som da água gelada atingindo o rosto dele e da raiva saindo pelos meus olhos. Peguei minha bolsa, firmei o olhar para ele e disse:
— “Obrigada, mas não posso fazer isso.”
E assim eu saí, com passos largos, sentindo minha dignidade voltando a cada gota d’água.
Quando corri para a escada do prédio, meus músculos tremiam um pouco, mas meus passos eram firmes. O chão de mármore refletia a lua como um espelho, e ouvi o barulho das minhas próprias passadas na rua deserta. Saí pelas portas giratórias naquela noite, o ar fresco da noite amazônica envolvendo meu rosto, e percebi que não havia arrependimentos. Um vento suave me envolveu e me fez arrepiar de alívio. As luzes distantes da cidade piscavam timidamente, mas os meus olhos viam apenas a minha liberdade recém-descoberta. Meu “não” estava queimando e me iluminando por dentro.
Por Que Dizer “Não” Foi a Melhor Decisão

Saí do escritório de cabeça erguida. Voltei para casa exausta, mas aliviada, e tomei um banho demorado com um sabonete cheiroso de lavanda. A água quente lavava minha tensão junto com aquelas gotas frias, e eu senti algo estranho: em vez de medo, havia uma paz imensa tomando conta de mim. Era como se eu tivesse desligado um alarme interno que nem sabia que existia. Passei aquela noite em claro pensando: “Por que fiz aquilo por 100 mil reais, se não vou precisar? Fiz pelo melhor de mim mesma.” Meu “não” fez sentido.
Nas manhãs seguintes, percebi que algo havia mudado dentro de mim. Eu acordava cedo para fazer meu café preferido, sentindo o cheiro do grão fresco invadir a cozinha. Observava o sol dourado entrando pela janela e percebia que cada detalhe simples me fazia sorrir: voltei a usar minhas camisas coloridas de bolinhas e aqueles brincos de miçangas que dançam quando me movo. Era como se cada coisinha assim me lembrasse: eu posso ser feliz do meu jeito.
Eu voltava para casa pelo caminho mais longo, sentindo a brisa fresca nas folhas das árvores. A vizinhança parecia a mesma, mas para mim tudo estava diferente: cada esquina tinha um ar mais leve. Uma vez, parei para cumprimentar o cachorrinho alegre de um vizinho, e ele abanou o rabo como se entendesse minha determinação. Em uma dessas manhãs, sentei na varanda tomando meu chá de camomila favorito. Uma lebre correu no jardim, um canto suave de pássaro entrou pela janela — senti que aquele momento era um presente para mim mesma depois de tanta tensão.
Minha amiga Patrícia me ligou na tarde seguinte. Quando contei tudo, ela ficou em silêncio por alguns segundos e depois disse:
— “Eu sempre soube que você faria a coisa certa, Ada. Estou tão orgulhosa de você!”
Senti um calor no coração. Essas palavras me mostraram que eu não estava sozinha. Percebi algo valioso: ao dizer “não”, eu acabei inspirando outros que também se sentiam presos. No dia seguinte, encontrei um ex-colega de trabalho no mercado. Quando soube que eu havia saído daquela empresa, ele sorriu e falou:
— “Você fez certíssimo. Eu também não aguentava mais aquela atmosfera…”
Sorri. Entendi: meu exemplo também dava forças a quem precisava.
Hoje, olhando para trás, vejo que aquele “não” não fechou portas, mas abriu outras. Voltei a escrever minhas ideias e sonhos em meu diário; nas margens dessas páginas, comecei a ver um outro futuro — cheio de possibilidades que eu jamais imaginara. Descobri paixões que estavam adormecidas, como fotografar paisagens no fim de tarde ou dançar salsa às quartas-feiras naquela praça ao lado do rio. Em casa, aquele cachorrinho alegre pulava no sofá assim que eu entrava. Ele me lambeu a mão, e então eu percebi: se até ele comemorava o meu “não”, por que eu teria medo?
Cada amanhecer após aquele dia parecia um recomeço. Eu dormia tranquila, sem desperdiçar horas preciosas. De manhã, fazia um café e lia um livro no sofá, sentindo cada gole e cada página me reconectarem comigo mesma.
Até as tarefas mais simples se tornaram prazeres: cozinhar um almoço gostoso, ouvir minha música favorita sem pressa, cuidar das plantas da varanda que eu havia deixado de lado. Num domingo chuvoso, passei a tarde inteira lendo e não senti culpa nenhuma por isso. O mundo lá fora podia esperar, pois naquele instante eu me escolhia.
Voltei a me presentear: comprei flores cheirosas para enfeitar a sala. Cada pétala viva e cada aroma lembravam: minha liberdade estava renascendo. Fiz uma pequena lista mental de coisas que me davam orgulho: o aniversário em que celebrei cada pequena vitória do ano, o dia em que paguei todas as contas antes do prazo, cada momento de luta no trabalho resolvido apenas pelo meu esforço. Cada item nessa lista era uma medalha silenciosa, conquistada pelo meu “não”.
Mais Histórias da Minha Jornada

Recusando um Atalho Desonesto
Lembro quando eu ainda estudava no colegial, anos atrás, e tinha uma prova de Matemática que me deixava com frio na barriga. A sala estava quente, as janelas semiabertas cortando o ar pesado da tarde de domingo. Um colega que sempre dizia ter um “bom esquema” se aproximou de mim e, sussurrando, ofereceu um papelzinho com a resposta de um exercício difícil. Meu corpo estremeceu. Por um segundo, pensei na solução fácil — estava cansada de estudar até tarde da noite, meus olhos doíam de sono. Mas respirei fundo e falei:
— “Obrigada, mas não posso fazer isso.”
Naquele instante, o ventilador de teto fazia um barulho baixo e o suor escorria pela minha testa. Eu engoli seco e mantive o olhar fixo no papel. Continuei a prova em silêncio, respirando devagar. No dia seguinte, quando as provas foram corrigidas, recebi minha nota: tirei alta. Senti um orgulho imenso — a honestidade tornou aquela conquista ainda mais doce.
A Amiga que Sempre Pediu Dinheiro
Eu tinha uma amiga de longa data que sempre passava por perrengues financeiros. No começo, claro, eu ajudava sem pensar duas vezes — emprestava R$20 aqui, R$50 ali. Mas isso foi virando uma bola de neve. Até que em um fim de mês chuvoso, ela me ligou desesperada: havia estourado o limite do cartão de crédito e precisava de ajuda. Abri minha carteira e contei o dinheiro que me restava. Com calma, respondi:
— “Amiga, eu entendo como você está, mas esse mês eu não posso emprestar mais. Preciso guardar um pouco do meu dinheiro para mim, sabe?”
Ela soluçava baixinho do outro lado da linha, e eu pressionei os lábios para não chorar junto. O silêncio que seguiu foi pesado; por um momento, só ouvi a chuva batendo no telhado e minha própria respiração. Desliguei e, para minha surpresa, um alívio me invadiu. Paguei algumas contas atrasadas e até comprei um livro que queria há tempos com aquele dinheiro.
Nos meses seguintes, ela conseguiu quitar as dívidas aos poucos e depois me agradeceu por ter colocado esse limite. Nem preciso dizer que nossa amizade ficou mais forte: entendemos que podemos cuidar uma da outra sem nos perder. Dizer “não” não me tornou uma má amiga; me ensinou a amar sem me consumir.
Um Pedido Antiético no Trabalho
Em um emprego anterior, trabalhei como assistente em um escritório de contabilidade. Era uma noite comum quando o novo chefe me chamou em sua sala, iluminada apenas pela luz amarelada de uma lâmpada de mesa. O escritório estava quieto, só nossas vozes ecoando contra as paredes com papéis espalhados sobre a mesa. Ele perguntou se eu podia falsificar alguns recibos para cobrir um erro da empresa. Senti meu corpo congelar, a mesma sensação ruim daquele outro encontro desagradável. Lembrei do diálogo interno que vinha me fortalecendo: valia mais honrar meu trabalho do que aceitar mentiras. Falei firme:
— “Desculpe, mas eu não posso fazer isso.”
O chefe ficou olhando sem entender e saiu da sala sem dizer mais nada. Mais tarde, um colega confidenciou que jamais teria coragem de recusar um pedido desses. Naquela noite, ao sair pela rua deserta, respirei aliviada. As luzes dos postes brilhavam silenciosas acima de mim, e eu pensava: preferia sempre pagar minhas contas honestamente do que aceitar qualquer proposta mentirosa. Saí daquele emprego com a convicção de que trair meus valores nunca valeria a pena.
Dicas Práticas para Reforçar seu “Não”

Reconheça seu valor: Lembre-se de que você não precisa provar nada a ninguém. Quando sentir que vai ceder por medo de perder algo, respire fundo e traga à mente uma conquista sua — pode ser o dia em que terminei um projeto difícil no trabalho ou aquele almoço que preparei com carinho para a família. Por exemplo, toda vez que entreguei um trabalho complicado e recebi um “muito obrigada”, eu me lembrava do meu valor. Essas pequenas vitórias dão força para manter seu “não” firme.
Cerque-se de quem te apoia: Fale sobre suas angústias com amigas ou familiares que te conhecem de verdade. Contar a alguém de confiança o que você passou dá força para manter o seu “não”. Por exemplo, sempre que estou insegura, ligo para a Patrícia ou para minha irmã, e o simples “você fez o certo” delas já me dá coragem. Converse com quem te incentiva, pois o apoio delas faz toda a diferença.
Pratique o “não” em coisas pequenas: Às vezes, o melhor treino é começar devagar. Experimente recusar algo simples no dia a dia, como um cafezinho extra no trabalho ou aquela sobremesa que não cabe no orçamento. Cada pequena vitória faz o “não” crescer. Uma vez recusei sair num sábado à noite só para dormir cedo, e me senti orgulhosa de ter priorizado meu descanso. Com o tempo, dizer “não” para coisas maiores fica cada vez mais natural.
Reserve um tempo para você: Cuide bem de você. Pode ser uma caminhada ouvindo sua música favorita, ler um livro no parque ou tomar um banho gostoso no fim do dia. Esses momentos recarregam nossa energia e lembram que você também merece atenção. Por exemplo, eu adoro um banho de espuma à noite com o pijama de flores favorito; ao desligar o chuveiro, sinto todo o corpo relaxar e penso: mereço esse cuidado. Quando estou tranquila, fica muito mais fácil saber o que realmente quero.
Use frases de empoderamento: Tenha um mantra simples para repetir nos momentos difíceis. Eu gosto de dizer para mim mesma: “Meu sim deve vir do coração, não da pressão.” Frases curtas assim ajudam a lembrar do seu valor. Quando estiver insegura, feche os olhos por alguns segundos, respire e diga: “Eu mereço respeito e carinho.” Também repito outras frases, como “Eu sou capaz” e “Meu trabalho vale muito”, especialmente quando o medo insiste. Essas palavras me dão coragem para manter o pé firme.
Seja gentil consigo mesma: Dizer “não” pode trazer incertezas, e está tudo bem sentir-se triste ou confusa depois. Permita-se respirar fundo, tomar um chá gostoso ou fazer algo que te acalme. Numa tarde assim, por exemplo, eu pego meu cobertor preferido, sento no sofá com um chá de hortelã e lembro das vezes que superei desafios. Também acendo uma vela perfumada de baunilha e coloco uma música calma — é meu pequeno ritual de paz. Esses gestos me lembram que meu “não” foi forte e que eu mereço carinho tanto quanto qualquer outra coisa.
Ao longo da minha jornada, percebi que cada “não” que eu disse me fez mais forte. Minha história poderia ter sido marcada por aquele encontro escandaloso, mas foi escrita com coragem e autodeterminação. Dizer “não” quando algo contraria nossos valores é um ato de amor-próprio, não de fraqueza. Eu amo essa Ada que disse não — e amo ainda mais a mulher que ela se tornou depois disso.
Não estamos sozinhas — juntas, cada história de “não” vira um farol para outras mulheres. Não esqueça: cada passo que você dá com honestidade constrói um futuro melhor. Se um dia duvidar da sua força, lembre-se de que outras mulheres guerreiras também enfrentaram dilemas parecidos e seguiram em frente. Cada pequena conquista sua deve ser celebrada como um troféu silencioso. Você merece aplaudir a si mesma todos os dias. Tenha orgulho de si, amiga, pois respeitar seus próprios limites é a maior demonstração de amor-próprio.
Cada passo que você dá, por menor que pareça, constrói sua história. Ninguém tem direito de fazer você se sentir errada por dizer “não” quando seu coração sabe que é o certo. Eu me orgulho da Ada que fui naquele dia — e confio que você também possa se orgulhar cada vez que optar por você mesma. A cada “não” decidido em paz, você pavimenta um futuro mais leve. Não se esqueça de celebrar cada vitória interna. Seu “não” é um troféu — ele te coloca em pé de igualdade com quem tentou te intimidar e te lembra o valor do autocuidado. Eu acredito no poder da sua escolha.
Estou torcendo pela sua coragem. Conte nos comentários uma vez em que você precisou colocar um limite e encontrou sua força. Sua história pode inspirar outras mulheres a enxergarem o próprio valor.





